Fato inédito e histórico nas manifestações populares do Maranhão
Mhario Lincoln/Wellington Reis/Google
INÉDITO. Ouça o áudio de algumas faixas do primeiro CD gravado com o “Boi Da Fé em Deus”, sotaque de zabumba, com toadas de Laurentino, produzido pela SECMA, com direção executiva Wellington Reis, então coordenador de Difusão Cultural da Secretaria, através do Projeto Edições Fonográficas/SECMA.
O fato inédito nisso tudo é que D. Terezinha Jansen terminou assumindo o "Boi da Fé em Deus" (passado para ela pelo próprio Laurentino, após um pedido dramático dele em seu leito de morte: "...não venda, não dê, não empreste. Se a senhora não quiser, toque fogo).
Terezinha então ficou com esse 'batalhão' até a morte. Antes, Wellington Reis a convenceu para cantar as toadas de Laurentino. O CD foi produzido e Laurentino e Terezinha Jansen entraram para a história. O Portal MHLB recupera esses áudios originais (foram gentilmente cedidos por Welington Reis) e mostra, abaixo, com exclusividade, para seus milhares de leitores espalhados pelo mundo.
Um pouco da História:
Dona Terezinha Jansen parecia não apreciar muito a modernidade evolutiva das brincadeiras de Bumba-Meu-Boi na capital do Maranhão, que, ao elenco original, disso, passou a incluir bichos e vários brincantes de cordão. Ela também não gostava de ver os ‘batalhões modernos’ com roupas de muito brilho bordados esmerados da roupa do Boi e das fantasias bem trabalhadas, dando a entender a riqueza do povo envolvido na brincadeira.
“Mas isso não é Bumba-Meu-Boi,” dizia Dona Terezinha Jansen, a Ama do ‘Boi Fé em Deus, com sotaque original de zabumba. Como descrito acima, ela só passou a comandar o Boi da Fé em Deus por pedido direto de Laurentino, seu compadre e ex-Amo do ‘batalhão”.
Para os mais chegados ela sempre dizia: “Ser dona de um Boi é como ser dona de casa. Você tem que cuidar de tudo. Cuidar para que não faltem material, instrumento, comida, altar sempre enfeitado e tudo o mais.”
O “Boi Fé em Deus” foi fundado em 1930 por Laurentino, nascido no bairro. Aos 15 anos bordou sua primeira peça que é considerada uma obra de arte. Poucas pessoas tem esse talento.
Comadre de Laurentino, logo ele a escolheu para ser a madrinha da brincadeira e por volta de 1977, a família de Laurentino pediu para ela assumir, em definitivo, o ‘Boi da Fé em Deus’.
Certa ocasião, a uma emissora de rádio, D. Terezinha Jansen teria tido: “Engana-se quem pensar que o Bumba-Meu-Boi é só um espetáculo folclórico. Ele é uma tradição tão forte que nunca maranhense algum leva na brincadeira”.
Levam tão a sério que após uma rápida folga de 15 dias, os brincantes voltam a se reunir para a famosa “morte do boi”, igualmente muito movimentado entre os brincantes da Ilha de São Luís, a “Ilha do Amor”, como bem canta originariamente o artista maranhense Claudio Fontana: “Quero voltar, /quero voltar para São Luiz/
Ilha do amor onde eu nasci, /onde em criança eu fui feliz.”
RADIOWEB MHLB:
Siga o link e ouça 4 faixas do histórico primeiro CD do "Boi da Fé em Deus":
https://soundcloud.com/user-891786142/laurentino-e-dona-terezinha-jansen-radioweb-mhlb
Um detalhe que D. Terezinha também confessou em uma entrevista de rádio: “Vários brincantes são trabalhadores rurais do interior do Estado”. E quanto ao aprendizado, ela diz: “Incentivo os jovens a participar. Com 12 anos já podem ser miolo (pessoa que carrega o Boi). Isso tudo é importante, fazer com que eles não fiquem na rua”. Veja só a ideia dessa mulher, uma das baluartes do Maranhão.
Portanto, ter os áudios de D. Terezinha Jansen cantando toadas de Laurentino é sem dúvida um fato histórico e altamente relevante para a história do Maranhão.
Aproveito para agradecer essa atitude de Wellington Reis, cuja humanidade é ampla e irrestrita. Basta acompanhar as atuais brincadeiras folclóricas, corais, CDs regionais, ações culturais, etc. Vai encontrar o dedo, a mão e o coração de WR nessas manifestações.
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