Augusto César Maia: Aos dezenove anos estive, num breve tempo, nesta cidade. Encantei-me! Ali morava um primo, que casou-se, construiu família e contribui para o seu desenvolvimento. Recentemente retomei o contato com seus filhos, primos queridos, com quem convivi na juventude, eu mais velho, claro. Resolvi homenagea-los com esse poema, um pequeno agradecimento aos belos momentos que vivemos em Jandaia do Sul (fotos-postais), no Paraná. Como você, que além da maranhensidade, agora é um paranaense por adoção, merece conhecê-lo. E penso, gostará de ler o que por aqui rabisco.
Um velho postal
Augusto Cesar Maia, membro efetivo da Academia Poética Brasileira
A cidade que conheci quando moço
Era pequena, singela e pacata
Mãos lhes emprenhavam o chão
Útero dos grãos que brotava
Às noites o frio lentamente passava
Dormia ao pé das lareiras
Onde a cidade deitada
Acordava com a sinfonia
Da jandaia que cantava
A cidade caminhava o futuro
Por ruas ainda nuas
Sujando de barro o asfalto
De uma estrada longa e crua
Por onde chegava esperança
E o traçado que ali se riscava
Desenhando o novo tempo
De quem acordado sonhava
Suas casas de madeira
Dispersas na horizontal
Em meio ao tapete verde
Do seu imenso cafezal
Não conhecia as mazelas
Das metrópoles vizinhas
A Aldeia era Aldeia
Sem saber o que lhe vinha
No Vale do Piraí
Encravada ficava a cidade
Tranquila em seu silencio
Só o trem fazia o alarde
Ali todos se conheciam
E aos domingos toda embecada
Na igreja ouvia a homília
Contrita, ajoelhada
Uma cidade simpatia
Feita de gente hospitaleira
Onde a visita comia:
Curau, canjiquinha,
Broa de milho e pinhão
E saía lambendo os beiços
Pagando pelo apreço
O preço da gratidão
Este é o postal da cidade
No memorial de minha história
Foi de breve convivência
Mas marcou minha trajetória
Era a terra prometida
Feita sob medida
Para uma gente destemida
Em prosperar-lhe a vida
Salve essa bela cidade
Onde chegou a minha linhagem
Num contraste de regiões
E do fundo do meu baú
Retiro este postal pra lembrar
Saudando-te Jandaia do Sul!
Saudando-te Paraná!
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