SENHOR PRESIDENTE LOURIVAL DE JESUS SEREJO SOUSA; SENHORAS ACADÊMICAS; SENHORES ACADÊMICOS; DIGNITÁRIOS DOS PODERES CIVIS, ECLESIÁSTICOS E MILITARES; INTELECTUAIS, ESCRITORES, AMIGOS E AMIGAS.
SOB O SIGNO DA AMIZADE
Ó noite solar, de céu estrelado em minha Vida, lavo-te os pés e beijo-te as mãos: celebro em teu altar! Na tradição de Fernando Pessoa quando Álvaro de Campos, em “AH, UM SONETO”: “Meu coração é um almirante louco - Que abandonou a profissão do mar”.1 E, desta maneira, ilhéu e sem mar, mais louco do que almirante, a mim me restou o território do delírio, percorrido mais com a emoção à flor da pele, sobreposta à nostalgia da razão, a qual me permitiu encontrar amparo no tumultuário Vladimir Maiakóvski, no poema “ADULTO:” “Nos demais - todo mundo sabe - o coração tem moradia certa – fica bem aqui no meio do peito – mas comigo a anatomia ficou louca - sou todo coração.” 2
Em consequência, Escritor Lourival Serejo, a concórdia se me tornou um imperativo destino, descerrando-me o horizonte das pontes da amizade, em detrimento, de quaisquer maneiras, de ânimos belicosos. Formado na fileira dos tímidos, em cuja discrição quase ninguém, por equívoco de perspectiva, acredita - diversamente, por simples exemplificação, de Gilberto Freyre, figura do meu convívio universitário recifense, que proclamava ser ele mesmo o seu melhor assunto - não gosto de discorrer em autorreferência, falando de mim. Mais confortável estou junto à ressalva de Sérgio Buarque de Holanda, quando ponderou: ...”eu, de minha parte (perdoem-me o eu odioso) ...” 3 Sem egolatria e abrigado, de forma singular, no magistério de Ortega y Gasset, eu sou eu e minha legião.
Assomam, ascendem, assumem comigo, nesta noite cimeira da Cadeira no 2, legionários encantados e respirantes, todos redivivos, a começar por Maria e José, meu São José e minha Santa Maria filhos de Deus, que me concederam a vida, trazendo consigo filhos seus e irmãos meus, José Henrique, Couto Corrêa filho, Maria Isabel, José Eraldo e José Renato Campos do Couto Corrêa, bem como Fabrício Henrique Goulart do Couto Corrêa. Decerto o coração é vasto. Assim, a cátedra em expansão recepciona em seu estofo, a chegada de Maria e Bandeira Tribuzi, Arlete e Nauro Machado, Valdelino Cécio e Francisco Tribuzi, todas relevantes presenças em minha jornada existencial e literária.
Decorrem do magistério de Marco Túlio Cícero os ensinamentos de que a) “Um amigo é como se fosse um segundo eu” e b) “ Tirar a amizade da vida é tirar o sol do universo.” 4 Homem particularmente feliz sou eu, posto que, na simbiose do sangue e do coração, os filhos -Anna Raphaela, Rossini Corrêa Júnior e Sasha - se me tornaram expressões das grandes amizades, ao estilo de Raïssa Maritain, e me multiplicaram nos netos que me deram - Murilo e Eduardo Rossini
- levando-me à consciência do tempo transcendente , à outra margem do rio profundo, enfim, à linha mais distante das fronteiras imaginárias do horizonte. Filhos: minha comunicação com o Eterno.
A amizade é a joia da coroa. Amiga foi ponderação da socióloga Maureli Costa, de já estar, em se considerando certos serviços, o tempo mais do que maduro. Fraterna foi a disposição do saudoso e sempre convivente jurista Sálvio Dino, de buscar a realização do sonho. Magnânima foi a vontade de combater o bom combate, do economista Lino Moreira, para efetivar este
momento. Sábia foi a locução do historiador Carlos Gaspar, de que, vencidas as circunstâncias,a Casa de Antônio Lobo a mim me receberia sem ressalvas, de braços espalmados.
De coração ardente, a profecia está cumprida, cabendo-me agradecer, de forma penhorada, às confreiras e aos confrades, pelos sufrágios que a tornaram possível e concreta. Homenageio, de minha parte, a todas e a todos que quiseram, cooperaram, agregaram, aplaudiram e festejaram - na impossibilidade de nomear Natache Carvalho Campos do Couto Corrêa, Raimundo Palhano, Sérgio Tamer, Jhonatan Almada, Abdelaziz Aboud Santos, Ruy Palhano, Joila Moraes, Karla Vieira, Maria da Glória Aquino, Antônio Guimarães, Alexandre Maia Lago, Sálvio Dino Júnior, Silvânia Tamer, Maria da Graça Carvalho Mendonça, Mário Luna Filho, Roberto Franklin Falcão Costa, Cristiane Lago e outros e outras mais, a quem beijo no coração - na pessoa do amigo encantado e ressurrecto, professor, jurista e escritor João Batista Ericeira.
Tinha razão William Shakespeare quando, no Hamlet, Ato I, Cena V, sentenciou: “Há mais coisas, Horácio, entre o céu e a terra, do que sonha a nossa vã filosofia.” 5 Eis- me aqui, segundo a designação do homem de teatro Américo Azevedo Neto, no Palácio das Letras, na Cadeira patroneada por Aluísio Azevedo, a suceder um amigo comum, o poeta Fernando Braga dos Santos, em realidade jamais desejada ou imaginada, produto dos arcanos, talvez jamais revelados, que envolvem em mistério a condição humana.
(Leia a parte 02. Clique a seguir): https://www.facetubes.com.br/noticia/3277/posse-de-rossini-correa-na-academia-maranhense-de-letras-parte-02
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