Da redação do Facetubes/ObliqLivros.
Existe um trecho de uma entrevista concedida por Clarice Lispector em 1941 que tem sido objeto de controvérsia, desde então. Na entrevista, a autora cita Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz e Augusto Frederico Schmidt como referências literárias, mas é a sua opinião sobre Machado de Assis e Euclides da Cunha que gerou grande discussão. Clarice afirmou que havia escritores que poderiam superá-los e que Machado não era seguro como romancista e não obedecia a normas. Suas palavras causaram polêmica na época e ainda ecoam nos dias atuais.
De acordo com a professora de literatura brasileira da Universidade de São Paulo, Beatriz Resende, em uma entrevista ao jornal O Globo, a opinião de Clarice sobre Machado de Assis deve ser considerada em um contexto mais amplo. Beatriz argumenta que "os críticos literários da época não faziam justiça a Machado de Assis, que era visto como um escritor menor, sem importância. Clarice tinha razão ao apontar que Machado era subestimado".
Além disso, é importante notar que a literatura é um campo em constante evolução e transformação. Como afirma o escritor e crítico literário Antônio Cândido, em um ensaio sobre a história da literatura brasileira, "o desenvolvimento literário é, como qualquer outro, dialético e evolui segundo uma curva ascendente em que a sucessão das correntes ou escolas é contínua, mas com avanços e retrocessos, rupturas e continuidades."
Assim, embora a opinião de Clarice Lispector possa ter gerado polêmica na época, é importante lembrar que a literatura é um campo em constante mudança e que novos escritores e obras podem surgir e superar as referências do passado. A entrevista de Clarice Lispector é um testemunho importante da coragem e personalidade de uma jovem escritora, mas deve ser avaliada em seu contexto histórico e literário.
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