Crítica Literária à Entrevista Vice-versa
Mhario Lincoln com Keila Marta
Olinto Simões, imortal da APB
Fracionarei minha verve literária, afinal, os escritos não nascem prontos, são fragmentos que se apresentam sequencialmente, à medida e proporção que os escrevemos. Na minha concepção, as letras, sílabas e palavras são fractais gráficos..., reflexos impressos do pensamento.
Aqui vão.
Queridos amigos entrevistador, entrevistada e entrevistadora:
- Consegui entender a sinfonia gráfica que ouvi ao ler o que ambos se tocaram e tocaram para que os demais – nós – nos tocássemos ao ouvi-los, porque a Maestria das perguntas e a Afinação das respostas, soaram bem tonadas e metronicamente compassadas, a tal ponto de fazer o leitor sensível, ouvir cada um a tempo próprio, em voz clara, sem semitons ou falsetes e muito menos desafinando, do que foi uma ópera completa.
Keila do hebraico Qehilláh, Kehillah, quer dizer "Congregação", por extensão carrega como significado..., “aquela que reúne os membros de uma congregação”, quase que lapidando uma tradução do Italiano para o Português, da Obra "Va Pensiero" de Giuseppe Verdi, fazendo "voar o pensamento", ao elencar as respostas para o entrevistador.
Mhario do latim Marius, derivado dos elementos 'Mas' e 'Maris', quer dizer literalmente "homem viril", lembra a obra Wagneriana "Crepúsculo dos Deuses". Quando citou..., "descendo a ladeirona da rua dos Afogados", revi a cena final da ópera, com o Rio Reno subindo e matando afogadas as ninfas, mas, foram-se as ninfas maranhenses e permaneceu a teimosia romântica e poética desse filho daquela terra.
Keila congrega como fêmina e quase ninfaticamente as letras, numa harmonia ímpar. Mhário deu virilidade literária a tudo que li. De forte congregação, saiu um texto imbatível. Na arena do mundo lítero-poético aonde são lançados todos que se atrevem a escrever, cada um de nós é Sísifo subindo o morro a empurrar a rocha ladeira acima, mas, também somos os que aprisionam a morte..., como Sísifo o fez.
Não morre quem congrega em letras a virilidade da poesia, da escrita, seja ela qual for, de uma Tábua de Leis a Versos satânicos, de um Quarto de Despejo numa Senzala Contemporânea a uma Casa Grande, de uma APB a uma ABL. Num repente espero que esta congregação viril seja, pois, surpreendo-me percebendo que eu e 'eu'..., "nos deparamos com muitos personagens da vida real, com tantos eus que se misturam" - palavras de Keila Marta.
Assim me sinto imerso e permeável, no e ao belo, conquanto frente ao crucial abandono do 'paidos' grego, já que as crianças – eus de alguns anos ao agora – foram abandonadas mesmo apresentando condição de cognoscentes. Àqueles de então, hoje partícipes da propalada 'irrealidade virtual' não pegam um livro físico e deixam a restar, algumas gerações sem o hábito saudável da leitura, já que desconhecem o congregar.
Chega-me o sentimento de estranheza, porque dói pensar que os jovens das últimas gerações passaram a viver uma virtualidade existente hipoteticamente em potência, sem efeito real, que terá como réquiem, pequena congregação de letras a ilustrar uma lápide física que também ninguém pegará.
Mhario e Keila: a luzteralidade de vocês, ilumina os caminhos que no escuro trilhávamos e agora não mais. Continuem lamparinas, refletores, holofotes, iluminando, paideando pedagogicamente, a quem na porta bate.
Meu abraço, meu respeito e minha admiração a ambos.
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