Linda Barros*
Uma visão de mundo distante e carregada de incertezas permeia o mundo dos personagens de O Homem Que Namorou a Lua, como se tudo que tivessem à frente fosse a incerteza e a incapacidade de ter dias melhores. É com essas metáforas envoltas no cabedal dos ombros de João e Sr Renato que passam o tempo, e mais precisamente angustiados pelas lembranças de um passado que insiste em não ir embora. Já a personagem Carmem, vivida pela experiente atriz Elza Gonçalves, tem recomeços a cada amanhecer, e que, ela própria tenta entender o “porquê de seu apego às coisas e às pessoas". Carmem tem uma alma que “voa” alto e que aterrissa todos os dias com uma nova visão e o desenrolar de sua vida.
Dirigido e produzido por Hill Frazão, (O Homem Que Namorou a Lua, 2023) é um filme que varia entre melancolia, tristeza e solidão. O diretor consegue conduzir muito bem a tensão crescente do filme, fisgando o espectador a cada novo prato apresentado.
Essas são algumas das reflexões encontradas pelo diretor e roteirista Hill Frazão para compor e mostrar ao público seu longa-metragem O Homem que Namorou a Lua. Um filme carregado de angústia, mas com uma grande sensibilidade e anseios na vida cotidiana dos personagens vividos por Fábio Lima, Di Ramalho, Elza Gonçalves e Amy Loren. Os personagens levam uma vida simples e rotineira que envolve o trabalho e os bares na periferia de uma cidade grande, onde João (Fábio Lima) vive às voltas com as lembranças de uma jovem mulher, levando-o a apaziguar um pouco as auguras de sua vida sem graça.
O lúdico e o fantástico se misturam e são atmosferas que envolvem o cenário e mundo dos personagens. Carregando ainda uma fotografia emblemática, a produção maranhense percorre o vai e vem calmo e monótono dos personagens, deixando que o público possa dar rumo a seus destinos.
A produção é de 2023, ano que também chegou às telas, com o intuito de mostrar que é possível se fazer bons filmes mesmo com baixo custo., Com produção executiva de Luiza Castelo Branco, fotografia de Manu Farias e Guilherme Verde e com desenho de produção de Ilma Castelo Branco, recentemente o filme foi selecionado para o 46º Festival Guarnicê de Cinema e para Brazil New Visions Film Festival, onde ganhou como melhor longa-metragem do festival.
O filme traz uma grande leveza, por isso pode ser indicado para qualquer idade e que todos podem ter e tirar suas próprias conclusões, enriquecendo ainda mais seu acervo cinematográfico.
LINDA BARROS é escritora e atriz. Membro da Academia Poética Brasileira.
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