NE: Sem dúvida, um trabalho dos mais importantes para a história bonequeira e das manifestações do Estado, a Exposição coordenada por Joana Bittencourt, sobre festejos populares do Maranhão. Abaixo, a primeira parte do texto da arte educadora Mônica Rodrigues e do vídeo em que a arte bonequeira é visivelmente linda e autoapreciativa.
PRIMEIRA PARTE
Link: https://www.youtube.com/watch?v=0gzcoaR0Lco
EXPOSIÇÃO BRINCADEIRAS DO MARANHÃO
Mônica Rodrigues
Como uma paixão familiar, o amor bonequeiro resistiu a partida do saudoso e genial artista Beto Bettencourt pelas mãos da escritora e ativista cultural Joana Bittencourt. A perpetuação dessa artesania que já data de mais de três mil anos, tem como função, a comunicação, a representatividade cultural dos povos e sobretudo, a promoção da diversão e da alegria.
A Exposição “Brincadeiras do Maranhão”, representa um recorte do imenso universo que permeia a cultura de nosso estado, através de bonecos criados e restaurados na Companhia de Artes Beto Bittencourt, na técnica de papel machê, vestidos e ornamentados para uma nova função além da original arte teatral. Um novo olhar através da apreciação estética, como objeto artístico que simboliza, além das brincadeiras e festejos aos quais representam, a sua verdadeira função que é a animação – a vida simulada.
O preciosismo dos detalhes dos bonecos da exposição advém de um longo período de isolamento social ao qual toda humanidade vem a passar, e que a artista Joana Bittencourt aproveitou para dar vazão ao seu projeto museal que há anos vem construindo.
Em seu lampejo criativo, essa artista percebeu que se a Arte deve estar onde o povo está, e se hoje, as redes sociais são os caminhos possíveis desses encontros – a exposição de bonecos também deveria ganhar esse espaço com uma proposta artística expositiva.
Brincadeiras do Maranhão é originalmente uma exposição física localizada no bairro da Cohama – sede da Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt, em São Luís, no estado do Maranhão, mas se propõe nesse momento a ser apresentada ao público no formato online para democratizar o acesso e oportunizar aos internautas a fruição e conhecimento das várias faces de nossa cultura via esses objetos simbólicos.
Existe nesse acervo expositivo três temas culturais representados: Bumba-Meu-Boi em vários sotaques, com o vaqueiro, amo, brincantes, índios e índias, caboclo de pena e o próprio boi. O Tambor de Crioula e suas coreiras, tambores e tambozeiros. Por fim, Festejo do Divino Espírito Santo, com imperador e imperatriz, caixeiras e bandeiras, mordomos, a coroa, a pomba, o mastro e outros simbolismos que compõem o conjunto dessa festa religiosa sincrética.
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