CHEGA DE RELAÇÕES TÓXICAS
Dra. Flora Guilhonm, Orientadora Ocupacional (England/United Kingdom)
Tradução livre (MHL).
Li um texto bem interessante essa semana em jornais do Brasil. Um deles me chamou muita a atenção porque destaca a importância de estabelecer limites de resiliência nas relações interpessoais, fato importante para não acarretar impactos negativos na saúde mental das pessoas envolvidas, esses, potencialmente geradores do agravamento de transtornos como depressão ou ansiedade.
Interessante se ter em mente que quando há esse relacionamento tóxico, onde uma pessoa tenta compreender todo do outro e se doa ainda mais para tentar a ajudar de qualquer maneira, surge aí uma necessidade urgentemente de uma mudança de rumo. Há, sim, doa a quem doer (e fatalmente doerá na pessoa tóxica, perder a 'boquinha'), imprescindível vontade de ajustar ou reavaliar a maneira como a pessoa lida com relacionamentos tóxicos.
Continuar tolerando o desrespeito pode, com o tempo, deteriorar a autoestima e a autopercepção da pessoa 'boazinha'. A repetição da ideia de - vamos 'dar um tempo' pra ver se melhora - chega a ser, em determinados relacionamentos, coisa aburda! Por isso, urge autorreflexão fugir de determinados padrões já moldando a forma de agir das pessoas boas. Daí, entra o ponto de vista psiquiátrico, é vital monitorar como as interações sociais afetam o bem-estar emocional e mental. Pessoas presas a relações tóxicas ou desrespeitosas devem imediatamente procurar terapia ou aconselhamento para entender melhor seus padrões de relacionamento e desenvolver estratégias para estabelecer limites saudáveis.
Aqui na Inglaterra, por exemplo, as relações tóxicas tem um impacto significativo na vida dos casais. De acordo com o Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido, estima-se que 8,2% das mulheres e 4,0% dos homens relataram ter vivenciado algum tipo de abuso doméstico no último ano, isto é, algo perto de 1,3 milhão de vítimas do sexo feminino e 600.000 vítimas do sexo masculino. Além disso, 27,1% das mulheres e 13,2% dos homens sofreram algum tipo de abuso doméstico desde os 16 anos.
Um dado pior: o número de crimes relacionados ao abuso doméstico registrados pela polícia na Inglaterra e no País de Gales aumentou 6% no ano de 2021 (última pesquisa). Ou seja, 845.7342 pessoas envolvidas nesses incidentes. Por isso, as relações tóxicas podem resultar em danos psicológicos a longo prazo e é crucial que as vítimas busquem apoio e ajuda quando necessário.
Sendo assim, bom considerar o valor da autoestima e não permitir que ninguém subestime isso. Talvez, ao dar múltiplas chances a essas pessoas tóxicas, pode ser uma infundável tentativa de evitar enfrentar nossas próprias inseguranças e medos. Joe Matheus, uma das vítimas, ouvida pelos jornais locais, disse: "Desrespeito não merece continuidade. Quem desrespeita uma vez, desrespeitará sempre". Por isso, temos que avaliar muito, voltar a aceitar as mesmas desculpas...".
Como o psicólogo alemão Erik Erikson - aplaudido por suas convicções e trabalhos sobre psicologia social, identidade individual e as interações da psicologia com a história, política e cultura - destacou, "a confiança em nós mesmos é um estágio fundamental no desenvolvimento humano". Por isso, é crucial não permitir que atitudes desrespeitosas destruam nossa confiança.
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