Editoria de Pesquisa e Extensão — Plataforma Nacional do Facetubes
Vinte e cinco anos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, o episódio continua cercado por um conjunto de teorias que nasceram nas primeiras horas após os atentados e ganharam escala com a internet. Mas antes de acreditar em tudo que a "internet" mostra, alguns outros tipos de informação ainda podem ser confiáveis. Um deles: o livro. Por isso, dois desses representam os lados dessas controvérsias documentais e especialmente as mil e tantas teorias da conspiração que invadiram o Mundo, pós 11.09.2021.
Mesmo em livro, entre dezenas, há dois lados bem claros. Por isso a Editoria de Pesquisa do Facetubes escolheu dois: o primeiro é “The 9/11 Commission Report: Final Report of the National Commission on Terrorist Attacks Upon the United States”, edição autorizada, publicada pela W.W. Norton em 2004, resultado da investigação oficial.
O segundo (foto) é “11 de Setembro de 2001 — Uma Terrível Farsa”, do francês Thierry Meyssan, obra que sustenta uma interpretação conspiratória e questiona a autoria apresentada pelas autoridades americanas. O livro de Meyssan recebeu edição brasileira pela Usina do Livro, em 2003. Nas fontes bibliográficas consultadas, não foi localizada uma edição brasileira impressa, em português, do relatório integral da Comissão; a edição oficial em inglês circula internacionalmente e o documento integral permanece disponível gratuitamente no arquivo da própria Comissão.
Contudo, pesquisa mais acurada refeita (várias vezes), para muscularizar esta matéria, mesmo não encontrando evidência sólida de que alguma das grandes teorias internacionais tenha nascido originalmente no Brasil, deparou-se com uma produção brasileira, defendendo versões alternativas, como “11 de Setembro de 2001 — Como Se Engana a Humanidade”, de René Bourbon D’Albuquerque, publicado pela editora Céu e Terra e apresentado como investigação dos supostos “reais motivos” dos atentados.
Mas, que tal relembrar o episódio? Naquela manhã, segundo consta na maioria das fontes pesquisadas (ipsis-litteris), "19 integrantes da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais. Dois atingiram as torres do World Trade Center, um atingiu o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia. Os ataques mataram 2.977 vítimas". O FBI abriu a investigação denominada PENTTBOM, que se tornou a maior de sua história, enquanto uma comissão bipartidária criada pelo Congresso e pelo governo dos Estados Unidos produziu, em 2004, o relatório oficial sobre as circunstâncias que permitiram os ataques.
É evidente que seria impossível não surgirem também, as teorias conspiratórias. Principalmente em torno de duas ideias: a de que setores do governo americano teriam conhecimento antecipado do plano e decidiram não impedi-lo, chamada posteriormente de LIHOP — “let it happen on purpose”; e a versão mais ampla, conhecida como MIHOP — “made it happen on purpose”, segundo a qual integrantes do próprio Estado teriam participado da preparação dos ataques.
O relatório oficial reconheceu "falhas sérias de inteligência, comunicação e segurança e registrou que o governo não conseguiu interromper o desenvolvimento do plano da Al-Qaeda entre 1998 e 2001. O documento classificou os problemas em quatro áreas: imaginação, política, capacidades e gerenciamento". Reconhecer essas falhas administrativas e operacionais é diferente de afirmar que existiu participação deliberada nos atentados, conclusão para a qual a Comissão não apresentou evidências.
Por isso, foram pesquisadas - com base na leitura de outros livros pertinentes - (foram 2 meses de pesquisa pela equipe do Facetubes), as nove teorias da conspiração mais persistentes, considerando alcance e repercussão, aparecem:
(1) o “inside job”, (Ação Interna), segundo o qual o governo dos Estados Unidos teria organizado os ataques para justificar guerras e novas políticas de segurança;
(2) a tese de que autoridades conheciam data, alvos e plano e deliberadamente permitiram sua execução;
(3) a alegação de que houve uma ordem militar para não interceptar os aviões sequestrados;
(4) a afirmação de que as Torres Gêmeas foram derrubadas por explosivos previamente instalados.
A investigação oficial, contudo, confirmou falhas graves na comunicação entre FAA e NORAD e uma defesa aérea estruturada para ameaças vindas do exterior. O NIST, responsável pela investigação técnica das estruturas, concluiu que os impactos dos aviões danificaram colunas, removeram proteção térmica e provocaram incêndios que enfraqueceram progressivamente os edifícios. O instituto afirmou não ter encontrado evidências que sustentassem uma demolição controlada.
A lista segue:
(5) a tese de que o edifício WTC 7 teria sido demolido por explosivos ou termita;
(6) a afirmação de que um míssil, e não o voo American Airlines 77, atingiu o Pentágono;
(7) a hipótese de que o voo United 93 foi abatido pela Força Aérea.
O NIST atribuiu o colapso do WTC 7 aos incêndios prolongados e aos danos provocados pelo desabamento da Torre Norte e considerou altamente improvável a utilização de termita. No Pentágono foram recuperados destroços, caixas-pretas e restos das vítimas identificados por DNA. No caso do voo 93, o gravador da cabine e outras evidências sustentaram a conclusão de que passageiros reagiram ao sequestro e que os sequestradores lançaram a aeronave contra o solo antes que a cabine fosse retomada.
As três restantes ganharam vida própria nas redes:
(8) a alegação de que operações na Bolsa comprovariam que investidores sabiam previamente dos atentados;
(9) a teoria radical de que aviões comerciais não atingiram as torres e que as imagens teriam sido produzidas digitalmente ou substituídas por “hologramas”.
A SEC, o FBI e os investigadores da Comissão examinaram operações financeiras suspeitas e concluíram que não encontraram evidência de negociação baseada em conhecimento antecipado dos ataques.
Na verdade, a disseminação dessas narrativas produziu efeitos que ultrapassaram o debate histórico. Pesquisas em psicologia social associam a exposição ao conspiracionismo à redução da confiança em instituições, ao sentimento de impotência política e à menor disposição para participar dos processos democráticos. Revisões científicas apontam ainda relações com preconceito, discriminação, extremismo e, em determinados contextos, violência. No Brasil, as teorias internacionais foram amplamente reproduzidas e também ganharam elaboração local. Um estudo realizado com universitários brasileiros registrou o 11 de Setembro entre os exemplos presentes no imaginário conspiratório nacional.
A conclusão oficial apresentada pelos dez integrantes da Comissão — cinco republicanos e cinco democratas: os 19 sequestradores exploraram vulnerabilidades da segurança aérea e um sistema institucional que não estava preparado para aviões comerciais transformados em armas. A Comissão ainda registrou oportunidades perdidas, falhas no compartilhamento de informações, deficiências do FBI, CIA, FAA e de outras estruturas públicas e afirmou que não é possível saber se uma única providência teria impedido os atentados.
Mutaits Mutandi....
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Referências:
O Relatório oficial completo da Comissão do 11 de Setembro pode ser consultado diretamente no arquivo institucional: The 9/11 Commission Report — documento oficial.
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