Redação do Facetubes
A historiadora Lilia Schwarcz anunciou sua candidatura à cadeira de número 9 da Academia Brasileira de Letras, que ficou vaga após o falecimento do historiador Alberto da Costa e Silva. Se eleita, Schwarcz será a primeira mulher a ocupar essa cadeira, que já pertenceu a nomes como Carlos Drummond de Andrade, José Bonifácio e Rui Barbosa.
Schwarcz é uma das mais renomadas e premiadas historiadoras do país, com uma vasta obra dedicada a desvendar os processos históricos, sociais e culturais que moldaram o Brasil. Com uma abordagem crítica e interdisciplinar, ela investiga temas como a escravidão, o racismo, o autoritarismo, o patrimonialismo, a identidade nacional e a construção de narrativas históricas.
Entre seus livros mais conhecidos, estão “As Barbas do Imperador”, que lhe rendeu o Jabuti de livro do ano em 1999, “Brasil: Uma Biografia”, escrito em parceria com Heloisa Starling, “Lima Barreto - Triste Visionário”, que foi finalista do Prêmio Oceanos em 2018, e “Sobre o Autoritarismo Brasileiro”, que analisa as raízes e as consequências do regime militar no país.
Schwarcz também se destaca como professora, curadora, editora e colunista. Ela é professora titular no Departamento de Antropologia da USP e professora visitante em Princeton desde 2010. Foi curadora de exposições como Histórias Afro-Atlânticas, no Masp, e A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis, na Biblioteca Nacional. É membro da diretoria da Companhia das Letras e colunista do jornal Nexo.
A candidatura de Schwarcz à ABL tem um significado especial, pois ela era muito próxima de Costa e Silva, a quem considerava seu “pai postiço”. Costa e Silva foi um dos maiores especialistas em história e cultura africana do país, autor de obras como “A Enxada e a Lança” e “A Manilha e o Libambo”. Schwarcz reconhece sua influência em sua formação e em sua trajetória acadêmica.
Schwarcz é uma historiadora que não se contenta em apenas estudar o passado, mas busca compreender o presente e projetar o futuro. Ela defende que a história é uma forma de exercer a cidadania, a empatia e o diálogo. Com sua candidatura à ABL, ela pretende dar continuidade ao legado de Costa e Silva e contribuir para a valorização da cultura e da diversidade brasileiras.
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