Redação do Facetubes
Conceição Evaristo nasceu em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Trabalhou como empregada doméstica, se tornou professora e fez faculdade de Letras, além de mestrado e doutorado. Mas, apesar de consagrada como escritora, não foi eleita pela Academia Brasileira de Letras em 2018.
A romancista, poetisa e contista é autora de livros como Ponciá Vicêncio, seu romance mais famoso. Suas obras, pertencentes à literatura contemporânea, são caracterizadas pelo protagonismo feminino e pela denúncia de discriminação racial. Assim, são realistas e discutem questões de gênero e etnia.
Uma das principais obras de Evaristo é o romance Ponciá Vicêncio, que conta a história de Ponciá, uma mulher negra que deixa o espaço familiar para tentar a vida na cidade grande. Outro personagem da obra é Vô Vicêncio, nascido escravo e falecido quando a protagonista era ainda criança, mas presente nos gestos da neta, como uma marca de ancestralidade.
Há também a mãe e o irmão de Ponciá, o qual sonha em ser soldado. Já o pai da protagonista, filho de ex-escravos, é uma figura ausente. O sobrenome da família foi herdado do coronel Vicêncio, antigo “dono” dos antepassados de Ponciá. Ela, porém, tem esperanças de ter uma vida digna, pois sabe ler — aprendeu com padres missionários.
Sair do povoado parece uma chance de ter uma vida melhor. Mas, ao chegar à cidade grande, Ponciá precisa dormir na rua. Só depois consegue um trabalho como empregada doméstica. Os anos passam, ela perde o contato com a família e ignora que seu irmão Luandi também migrou.
Porém, ele não sabe ler, e isso o impede de ser soldado, de forma que só lhe resta o trabalho de varrer e limpar uma delegacia. A desilusão também encontra Ponciá, que, assim como o irmão, não pode sair de sua situação de subalternidade imposta por uma sociedade racista.
As obras de Conceição Evaristo pertencem à literatura contemporânea. Seus livros mostram a realidade das pessoas negras no Brasil. Ponciá Vicêncio é seu romance mais famoso, publicado em 2003.
Em 2012, ministrou cursos sobre a “escrevivência de mulheres negras” e “inscrições de afro-brasilidade” no Middlebury College Summer Schools, nos Estados Unidos.
Conceição Evaristo recebeu os seguintes prêmios:
Prêmio Camélia da Liberdade (2007);
Prêmio Ori (2007);
Prêmio Jabuti (2015).
Em 2018, Conceição Evaristo tentou ser a primeira mulher negra a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Mas, apesar do apoio popular, que gerou dois abaixo-assinados com milhares de assinaturas, os membros da ABL decidiram não eleger a escritora para ocupar a cadeira número 7, que tem como patrono o escritor abolicionista Castro Alves (1847–1871).
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