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editor-sênior, jornalista Mhario Lincoln
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A "Erotíssima" poética madura e indispensável de Clevane Pessoa

Clevane Pessoa é premiada no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, pela poesia "O Chão de Nossa Terra", recebendo também o troféu ABRACE (Brasil/Uruguai).

16/05/2024 11h52 Atualizada há 1 mês
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Duas obras-primas da poeta e confreira Clevane Pessoa
Duas obras-primas da poeta e confreira Clevane Pessoa

Conheci a obra de Clevane Pessoa, sem conhecê-la (ainda) pessoalmente, em 2010. Um poeta amigo de Belo Horizonte me enviou um livro, cujo título é "Erotíssima". a partir daquele momento, já como editor-chefe do Portal aqui Brasil, senti a necessidade de escrever sobre a obra porque a palavra poética de Clevane Pessoa estava, ali, naquelas folhas, visceralmente bordada, lapidada e cultivada, como uma grande celebração resplandecente, tal qual a avidez da paixão entre amantes.

 

Incrível é que essa paixão - transformada em versos - tem uma sincronicidade intrínseca e fértil de uma relação singular, onde cada verso e cada estrofe se tornam uma dança harmônica de emoções e sensações. Ora, isso me fez imediatamente trazer para a mesma mesa, o poeta John Keats: "(...) a beleza é verdade, a verdade é beleza", ressaltando a conexão profunda entre o belo e o autêntico nas expressões poéticas.

 

Homem & Mulher

Clevane Pessoa 

Homem e mulher deitados

após a subida mais que louca

ao cimo do prazer.

Ele descansa, ela se agita.

Mulheres são mesmo assim,

incansáveis, pois a ternura

exige delas a multiplicação

dos gestos.

O homem teme que ela precise

de mais completude

Ela quer apenas achego...

Mulher deita-se de pernas fletidas

de pele vestidas,

sobre as costas do companheiro.

Rã, agana-se sem pe(n)sar.

E sopra versos na nuca à sua frente.

E faz cafuné com dedos bailarinos.

E borda arabescos com ósculos.

O homem se volta, não mais sonado.

Siderado, olhar de fera, e despertado

provoca um voo esplêndido.

Sob ele, a mulher palpita.

E grita

enquanto ele arfa,

o verbo no mais que perfeito.

Cada um mais suado que o outro,

por fim, penetra no túnel do sono.

  

De Clevane Pessoa: obra com reconhecimento internacional

Ao ler a obra, na época, senti-me atraído pela grandeza daquela poética, pois ali, estava, sim, um mergulho profundo no universo das palavras, onde cada termo é escolhido com precisão cirúrgica, revelando uma intimidade visceral com a linguagem. Por outro lado, a capa do livro, com suas linhas sinuosas e a sugestiva pétala vermelha, simboliza a delicadeza e a intensidade do erotismo poético que permeia suas páginas. Sem nenhuma sombra de dúvidas, é uma obra que se alinha com a visão de Anaïs Nin, que disse: "O erotismo é uma das bases do autoconhecimento, tão indispensável quanto a poesia."

 

Desta forma, Clevane Pessoa, longos anos depois, Vice-Presidente Executiva Nacional da Academia Poética Brasileira (e, comigo, professor Edomir Martins de Oliveira, poeta Osmarosman Aedo e Humberto Napoleon, membros-fundadores dessa instituição literária nacional), explora a fusão entre a poesia e a sensualidade, desmistificando o erotismo e apresentando-o como uma manifestação gloriosa do sentimento humano.

 

A palavra é a protagonista, ora suave e terna, ora intensa e avassaladora, criando uma sinfonia de sentidos que evocam o carnaval da alma e os aplausos da emoção. Em "Erotíssima", há uma reverberação do que Rainer Maria Rilke poderia descrever como "a beleza aterradora", onde o poder das palavras toca as profundezas da alma.

 

O que seria da poeta sem a palavra, e da palavra sem a poeta? Essencialmente, esta simbiose é inimaginável. Em "Erotíssima", Clevane Pessoa e suas palavras se fundem em uma comunhão terna e eterna, transcendendo os limites do gozo e do gosto.

 

Esta afinidade latente é insaciável, revelando-se em momentos múltiplos e diversos, onde a afabilidade magnética das palavras se aflora de forma esplendorosa. Parabéns, confreira querida por essa celebração da vida e do amor, onde cada poema é um testemunho da beleza e da complexidade do ser humano. Sua poesia erótica não é meramente sensual; é uma exploração profunda da conexão entre corpo, mente e espírito, evocando a essência do ser em sua forma mais pura e sublime.

......

Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.

8 comentários
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JaimeHá 1 mês BSB/DFPresidente o senhor sempre nos trazendo coisas alto nível cultural.
Clevame PessoaHá 1 mês Academia Poética BrasileiraMhario Lincoln, venho de agradecer mais uma vez tua dinâmica e cordifraternal Palavra, esse texto cheio de prosa e poesia, a respeito de meu livro Erotíssima. Deixei lá agradecimentos sinceros, a você e aos demais comentaristas. Vou postar e usar,repassar. Afinal,faz parte de minha lavra, o livro e teus comentários a respeito dele. Li os de outrem e fiquei deveras grata penhoradamente. Abraços acadêmicos. Clevane Pessoa
José Arcádio Moireira, poeta, trovador e ator.Há 1 mês Belo Horizonte MGMinha distinta e amiga Clevane. Há mais de 20 anos não a via mais na internet. Graças a esta Plataforma que me impressiona a cada dia, revejo um comentário belíssimo sobre sua obra. Isso me deixou muito feliz. Ainda estamos vivos minha amiga. Eu sempre respeitei e amei suas produções literárias. A última vez que estivemos juntos foi em Mariana MG. Faz tempo.
Graça SilvaHá 1 mês LuziâniaNão tenham vergonha de mostrar o que vcs escrevem, gente. A poesia é linda de qualquer forma, desde que não seja obscena. Mas como li aqui mesmo nesta grandiosa plataforma quem é obscena é a fome. quem disse foi Saramago, não é?
Maria do Socorro Garrido, poeta esquecida.Há 1 mês São Paulo/São José de Ribamar.E eu pensando aqui com meus botões que meus versos não poderiam ser divulgados: Amei demais/ Amei todas as posições/ Amei por toda a vida/ Amei todos os corações. Vejo que é fichinha diante da beleza de Clevante. Mas aproveito e divulgo minha poesia erótica, viu, Mhário.
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