Prelúdio a João Batista
*Mhario Lincoln
Eu sempre admirei a astúcia, o grito, a anunciação, o desesmêro, a angústia, a rigidez, 'a porrada no estômago' que provoca a poética de João Batista do Lago em que o lê pela primeira (ou) outras vezes.
Em meu bestunto, acredito que ele esteja reinando entre os 10 melhores poetas vivos do Brasil, por sua eutanásia lírica desenfreada, desmaterializando o sagrado patético das vitrolas lunáticas dos pregadores embriagados de purpurina. Em seu peito, reina o deus de Spinoza, o deus de todas as causas, de todas as casas, da alma, da natureza hipotética, do sangue que goteja dos poros da verdade!
Assim é construída toda uma habilidade desacadêmica de João Batista ao conjugar sua inigualável modernidade poética, onde elementos clássicos são guizos de um fofão estirado na rua, num fim de uma quarta-feira de cinzas.
Assim, como as hienas marcam seu território com urina forte, JB marca sua obra com ousadia irracional, em cuja relação com a palavra é sempre visceral, refletindo uma dualidade entre o paterno e a ferocidade animal, enquanto expressa preocupações sociais e filosóficas.
João Batista é, sem dúvida, um poeta mais que maduro. Chega a irritar por sua versatilidade, capaz de transitar entre diferentes correntes filosóficas e poéticas. E o faz com tanta asserção que é impossível não somá-lo aos grandes nomes da literatura contemporânea, pela relevância e originalidade de seus textos, culminando em estupendas reflexões sobre a condição humana até críticas sociais e políticas, revelando uma profunda intimidade com suas raízes, surfando de forma impiedosa entre o telúrico e o transcendental. Eparrei, poeta, evoé!
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(Entrevista exclusiva com o poeta João Batista do Lago)
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