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AS CORES DO SWING Livro de Augusto Pellegrini Capítulo 19 – O Brasil na Era do Swing – Parte 3

Augusto Pellegrini é da Academia Poética Brasileira.

15/06/2024 22h19
Por: Mhario Lincoln Fonte: Augusto Pellegrini
Augusto Pellegrinni em arte de MHLai
Augusto Pellegrinni em arte de MHLai

AS CORES DO SWING

Livro de Augusto Pellegrini


Capítulo 19 – O Brasil na Era do Swing – Parte 3

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Foi dos portugueses que recebemos todo um embasamento harmônico e tonal, além dos instrumentos europeus populares mais característicos, como o piano, o bandolim (que derivou para o cavaquinho), o violão, e em menor escala o contrabaixo, o clarinete e o violino.
Dos portugueses também adquirimos a noção de síncope, harmonia e composição. Estes elementos, com a adição do pandeiro originário da Espanha e da percussão peculiar criada pela junção do índio e do negro, deram à nossa música popular a identidade que faltava, fazendo surgir a “música dos barbeiros” ou “dos alfaiates” – pontos onde os músicos se reuniam para tocar – o que seria responsável pelo aparecimento do choro.


Se o jazz baseava toda a sua sonoridade no blues (sua divisão particular, suas notas dissonantes e sua batida invertida com relação à marcha), a sonoridade da música brasileira composta no início do século vinte deve muito às modinhas, às canções romanescas e elegias, e às quadrinhas populares satíricas e maliciosas conhecidas por lundu.


A música que serviria como futura referência – o choro, ou chorinho – nasceu por volta de 1870, na mesma época em que o jazz começava a ser forjado para representar o que seria a música americana do novo século. O choro despontou como um jeito brejeiro de interpretar a música europeia dançante e acabou se impondo como o primeiro gênero musical genuinamente brasileiro.
O choro era composto e executado tanto por instrumentistas populares dotados de muita imaginação e virtuosismo (embora muitos deles não possuíssem educação musical formal) como por compositores eruditos de grande reconhecimento público, o que vem demonstrar a enorme abrangência que esta música teve entre os aficionados da arte musical.


A nossa primeira geração de chorões, ainda no século dezenove, inclui nomes como Joaquim Antônio da Silva Calado, Viriato Figueira da Silva e Luiz Virgílio da Silveira. Já o início do século vinte trouxe Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, João Pernambuco, Anacleto Augusto de Medeiros, José Gomes “Zequinha” de Abreu e Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha.


Apesar de muitos músicos brasileiros da época jamais terem rotulado a sua música como “jazz”, algumas bandas que interpretavam o choro – e também o samba, o lundu, a polca e o maxixe (que eufemisticamente era também chamado de “tango brasileiro” para fugir da má reputação que lhe era atribuída) – se autodenominavam “jazz bands”.


Estas “jazz bands” não possuíam uma noção muito exata do verdadeiro jazz que era tocado nos Estados Unidos, e para justificar a sua denominação, incluíam no seu repertório uma série de fox-trots e alguns sucessos do ragtime. Algumas das bandas chegaram a determinar também um lineup composto por clarinete, trombone e trompete, muito semelhante ao das bandas de jazz tradicional, sem, no entanto, apresentarem um resultado musical que fosse condizente com o jazz de Nova Orleans ou Chicago.

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Como resultado, no final dos anos 1920, enquanto as jazz bands brasileiras ainda tentavam produzir um arremedo do jazz de Nova Orleans, os americanos já haviam passado esta etapa e vivenciavam a Era do Swing. Este fenômeno está detalhado no livro “Jazz – Das Raízes ao Pós Bop” (2004, Editora Códex, São Paulo-SP), de minha autoria, conforme abaixo transcrito da página 348:


“Também eram interpretadas outras músicas trazidas do cancioneiro norte-americano, mas que não podiam ser efetivamente traduzidas como música de jazz, da qual, na prática, continham apenas o nome, a origem e as blue notes.


Enquanto o jazz era produzido e consumido nos Estados Unidos e na Europa, e já havia percorrido alguns estágios, partindo dos estilos dixieland e chicago, e começava a sua iniciação no swing, o que se fazia no Brasil era apenas um reflexo distante desta última tendência”.
Por este e por outros motivos que deram origem a um nacionalismo crescente, como será visto adiante, o swing – mola propulsora do jazz durante a década de 1930 e boa parte da década de 1940, acabou jamais acontecendo no Brasil na mesma medida em que acontecia nos Estados Unidos ou na Europa.


Quando o Brasil abriu os olhos e os ouvidos para o jazz, o swing já havia cedido espaço para o bebop e suas consequências.

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