*Mhario Lincoln
Eu estava pensando cá com meus lápis se eu poderia explicar a minha poesia. Depois que assisti aos trechinhos de uma entrevista de Andy Warhol, muitas vezes chamado de "Pai da Pop Art", figura central na história da arte moderna, vi que é impossível explicar a arte ou mesmo a poesia. Destarte, repensei: será válido o autor explicar a sua poesia (ou sua arte) e assim impedir que o leitor ou o apreciador, tire suas próprias conclusões?
Um exemplo rápido, puxando a brasa para a ‘sardinha’ da poesia: numa entrevista longa com o poeta argentino Osvaldo Ferrari, o imenso Jorge Luis Borges afirmou: "A poesia é algo tão íntimo, tão essencial, que quase não permite definições, não admite explicações. Ela acontece, como um milagre, e é suficiente sentí-la e vivê-la."
Mas, voltando à entrevista de Warhol, concedida ao "Merv Griffin Show" em 1965, ele e sua musa Edie Sedgwick (veja abaixo) deram respostas que refletem esse mistério inerente à arte. Warhol, com seu estilo enigmático, parecia evitar explicar suas obras, talvez sugerindo que a arte, assim como a poesia, deva ser sentida e vivida, e não simplesmente explicada. Edie Sedgwick, uma figura emblemática dos anos 1960 em Nova York, também contribuiu para essa aura de mistério.
Indo um pouco mais fundo, verifiquei o que disse o crítico de arte Robert Hughes sobre Warhol: “(...)ele capturou a essência da cultura americana em suas obras". Hughes argumenta que Warhol transformou objetos cotidianos em ícones culturais, afinal, a arte e a poesia estão ao nosso redor, em nosso cotidiano. Transformar isso em arte e em lírica é o que separa “meninos, de adultos”, seguindo uma das normas que aprendi em uma comunidade 'zen-budista".
Desta forma, repetindo Borges, sobre a poesia e a arte de Warhol (por osmose), ambas não precisam de explicações. Elas simplesmente acontecem, como um milagre, e é suficiente sentí-la e vivê-la; ou odiá-la. Por isso, nunca jamais vou tentar (novamente) dar explicações sobre minha poesia. Se não, vira escárnio na cabeça de alguns entendedores.
Vídeo-Bônus
*Mhario Lincoln é Presidente da Academia Poética Brasileira.
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