1610: Batatas, Galinhas, Faisões, Madeira Amarela e Âmbar Verde, traficantes holandeses na ilha do Maranhão
Por Euges Lima (historiador)
A ilha grande do Maranhão em 1610 era um verdadeiro ninho de piratas, traficantes, navegadores e aventureiros europeus, principalmente franceses que andavam por aqui traficando com os tupinambás as madeiras tintoriais, algodão, pimenta e outros produtos tropicais desde as décadas de 1560/1570. O que não se sabia era que traficantes holandeses também haviam estado por aqui nessa primeira década do século XVII e que deixaram relatos seiscentistas.
Em 1902 a Biblioteca Nacional adquiriu um precioso e inédito manuscrito holandês organizado por Hessel Gerritsz, geógrafo holandês do século XVII que reuniu uma série de diários e relatos de navegadores holandeses que estiveram nas Antilhas e na Costa Norte do Brasil, entre 1600 e 1629, em particular no Ceará e Maranhão (1610). Esses relatos baseados em diários de bordo desses traficantes e capitães holandeses foram traduzidos em 1907 para o francês e nunca foram traduzidos para o português.
Estamos trabalhado numa tradução livre e vamos compartilhar com nossos seguidores e amigos aqui, em primeira mão, alguns trechos que se referem ao Maranhão.
Descrição da costa norte do Brasil a partir do diário de bordo do traficante Hendryck Hendryckssen Cop e do capitão Claes Adriaenssen Cluyt, de Ackersloot, da viagem realizada em 1610.
DIA EM MARANHÃO
No último outubro, o barco passou do lado de fora da ilha perto da qual havíamos entrado e, quando chegaram acima do ponto que deixaram para portar, navegaram para o sudoeste, cerca de duas léguas e depois para o sul. - oeste-quarto-sul, sobre ligas. Lá eles viram um monte de árvores no lado do porto, tendo no meio uma grande árvore que superava todas as outras e as dominava como uma pequena torre. Neste local, há um pequeno rio que você pode subir de barco a remo até cerca de 4 léguas. É isso que os franceses os ensinam. Então eles vieram para o continente.
Quando estamos indo para o sudoeste, existem 4 pontos que vemos para o oeste-quarto-noroeste e para estibordo, e quando estamos no canal Commma, podemos ver esses pontos do noroeste?]
Ancoraram na frente de um rio pequeno em 2 braças menos de um pé. O ponto mais próximo é chamado Pary. Esses pontos estão localizados cerca de 1 ½ léguas a sudoeste do movimento da embarcação. Até agora, existem 17 lugares para dirigir. Foi aqui que fornecemos água fresca em 1º de novembro.
Em 1º de novembro, eles reapareceram e transportaram duas léguas ao longo da costa para um pequeno rio onde foram direcionadas para o comércio com os nativos, já que no local do movimento das embarcações não havia nenhuma.
No dia 8, o capitão e o traficante retornaram em um barco ao posto comercial, seguindo uma rota diferente daquela que o barco havia tomado pela primeira vez.
Depois de passar a ilha, sob o qual os navios permanecem ancorados, eles se aproximaram da costa leste para encontrar um cau mais profundo.
De fato, há pouca água após a ilha da amarração. Quando você quer subir, ao longo da costa, há apenas um metro de água na meia-maré, mas para encontrar águas mais profundas, é preciso ficar oeste-sudoeste por uma liga, após o qual passamos entre dois bancos, seguiremos em direção ao sudoeste-quarto-oeste e, finalmente, veremos a ilha onde o tráfico ocorre, chamada ilha do Maranhão.
Pesquisa Euges Lima
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