*Orquídea Santos, chefe da ASCOM, da Academia Poética Brasileira.
A introdução com violão é um toque clássico da bossa nova, que já cria uma atmosfera intimista e nostálgica. A música é pautada pela simplicidade harmônica e melódica, que serve como um pano de fundo perfeito para a reflexão e a melancolia das palavras.
Tudo é nostalgia na letra: “Êi, você se lembra / das noites de luar”. A lua, elemento simbólico muito utilizado na música brasileira, aqui reforça a ideia de romance e memória. Mas, a música também mostra a saudade e a perda: “E agora, porque está tão vazio / Minhas noites são de frio/ perdi toda a ilusão de ter / outra vez, o meu bem-querer", revela a dor do desapontamento, um reconhecimento de que o amor foi perdido e não pode ser recuperado.
A suavidade do violão é contrastada pela força da dor expressa nas palavras, criando uma tensão sutil entre melodia e letra. O ritmo é cadenciado e suave, permitindo que a melancolia da letra se destaque sem sobrecarregar o ouvinte.
Mhario Lioncoln teve a ousadia de compartilhar com seus ouvintes, o vazio e a perda, pois sabia que essa música se conectaria com muitos que a ouçam porque há nela, um nível emocional profundo, e muitos também já passaram por momentos de dor amorosa, num fim de um romance.
Abaixo, a íntegra da letra:
Bossa da saudade
*Mhario Lincoln
[Introd: violão]
Êi, você se lembra,
das noites de luar,
quando falávamos em amar
pra vivermos toda a vida?
[ponte]
Êi você se lembra
dos nossos loucos beijos
dos insanos desejos
sem tempo pra parar?
[refrão]
E agora, porque está tão vazio
Minhas noites são de frio
perdí toda a ilusão de ter,
outra vez, o meu bem-querer.
Hoje, a música é sem cantor.
A lua chora comigo de dor,
e as ondas do mar cantam
o fim do nosso amor.
Êe, badauê, badauê
essa é pra você, pra você
Êe, badauê, badauê
Estou com muitas
saudades de você.
[fim]
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