
NE: Na minha análise Filosofica do belo texto de Joema Carvalho, posso afirmar a sombra, por si só, é importante para se entender toda a luminosidade da luz. Alguns filósofos afirmam: "Sem esse contraste, não teria discernimento: a luz se define, em certa medida, pela presença da sombra. então, esse jogo dialético sugere que o conhecimento (luz) só se destaca quando confrontado com o não-saber (sombra), e que o amadurecimento espiritual e intelectual depende do enfrentamento das regiões obscuras da psique e do mundo". Mas é Carl Gustav Jung, aborda o conceito de “sombra” como a "(...) parte inconsciente da psique que contém aspectos reprimidos da personalidade. A busca pela “luz” interior passa necessariamente pelo reconhecimento e pela integração da “sombra”. A frase essencial dele é: "Uma pessoa não se torna iluminada ao imaginar figuras de luz, mas ao tornar a escuridão consciente." -Carl Gustav Jung. Desta forma, vale ler Joema Carvalho em ambiente de ampla luz paraq se entender as sombras filigranais:
Joema Carvalho
No momento de som pleno, no momento de maior intensidade de luz, a sombra está no ápice dela. Ela não estava lá. Não surgiu mais. A luz secou meus olhos.
O vento era intenso. Movia o tempo na sua passagem. Fechava mais um ciclo.
A vida era assim.
O vento não engana.
O tempo e o vento preenchiam o meu vazio.
No redemoinho dos acontecimentos, se marca a passagem do tempo. Não é possível a consciência do fluxo de energia neste momento. Rodamos na sua intensidade.
Minha sombra sempre presente me deixou.
Compôs o polígono e fechou a figura geométrica necessária a existência.
O sentimento é a língua universal entre todos os seres, sem distinção de expressão e forma. Uma família se constitui por semelhantes.
A frequência mudou. O ciclo próprio de cada um. Minha sombra tinha o dela.
A incerteza e a inconstância nos preparam para o deixar ir. Ficamos melhor sem a posse.
O deixar ir atrai as realizações que nutrem o que devemos ser. Elas são livres e fluidas.
Quem parte, carrega consigo o vazio absoluto. A mala não é pesada. Não se tem a chance do retorno.
A sombra minha partiu. No ponto exato do tempo dela. Não sobrou nenhuma gota de mais nem de menos. Ela foi espremida de todas as formas.
Antes de ir, em definitivo, veio me visitar. Senti a sua presença. A sombra era luz plena e teve a sensibilidade de se despedir. Eu precisei senti-la novamente. Ela entendeu. Todas as palavras necessárias foram não ditas.
Ficou um tempo em meus braços.
Aos poucos se retirou. Eu deixei".
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