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O poema de Natal da poeta e membro APB/PR, CARMEN DIAS

Carmen Dias é convidada da Plataforma do Facetubes (www.facetubes.com.br).

23/12/2024 às 12h06
Por: Mhario Lincoln Fonte: Carmen Dias
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Caarmen Dias (E). Arte: MHL
Caarmen Dias (E). Arte: MHL

Facetubes

O poema de Carmen Dias, ao evocar a “hora do anjo” e a “manjedoura da língua”, constrói uma ponte simbólica entre o sagrado nascimento de Cristo e o nascimento poético. A imagem do “mel escorrendo pelos cantos da boca” sugere doçura e fertilidade, enquanto o “poeta solitário em seu trabalho de parto” alude à intensidade criadora que se assemelha a um mistério divino, naquele instante em que a palavra ganha corpo. A manjedoura, lugar do primeiro repouso de Jesus, transforma-se aqui no ventre poético, confirmando que cada verso é manifestação de algo sagrado e renovador.

Na sequência, ao proclamar “É Natal!”, o poema assume explicitamente o motivo religioso, entrelaçando o espírito de renovação de Cristo com o ato de criação literária. A “abelha rainha” que entrega sua oferenda remete ao caráter de doação, lembrando a simbologia dos Reis Magos ao oferecer preciosidades ao Menino Jesus. Nesse contexto, a poesia converte-se em presente espiritual: o “alma nas pontas dos dedos” retrata o gesto generoso do poeta que se doa especificamente para expressar o eterno na palavra.

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A “lua branca” que aparece no céu faz as vezes da estrela-guia, iluminando o registro do que nasce naquele instante sagrado, enquanto o “Livro do eterno” evoca a perenidade da criação divina e poética. O poema, portanto, conjuga a atmosfera natalina — com suas imagens de nascimento, fé e partilha — à potência criativa da poesia, recordando-nos que o dom poético também pode ser um tipo de revelação, um “nascimento” que traz luz e esperança ao mundo, tal como o Natal promete.

 

NASCIMENTO DE POESIA

O poeta se achega, de manso,
e ocupa lugar no momento.
No mesmo instante, 
se espessa e se apossa da forma, 
a alma.

Um tapete de nuvem se estende no chão,
a mente cochila,
as mãos tornam-se maleáveis,
os sentidos giram, alucinados,
o corpo serena, 
o poeta se acalma.

Uma brisa passa, varrendo tudo,
penas flutuam no campo de pouso do peito do poeta.
O tempo estanca para ouvir o zumbido
do ar e das abelhas.

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É a hora do anjo.
Nasce poesia na manjedoura da língua.
O mel escorre pelos cantos da boca 
do poeta solitário
em seu trabalho de parto.

É Natal!
A abelha rainha entrega sua oferenda,
alma nas pontas dos dedos.
No céu, a lua branca anuncia 
o registro de Poesia no Livro do eterno.


Carmen R. Dias*

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JaimeHá 1 ano BSB/DFParabéns por esse poema, que nos enriquece culturalmente.
carmen regina diasHá 1 ano CascavelEmocionada. Assim estou. A dimensão que ganhou o poema é um presente do Céu pela mente superior e pelas mãos talentosas do mestre Mário Lincoln. Sua análise é de uma beleza indescritível, revelando o mais íntimo do poeta na elaboração do poema. Um presente divino. Me honra, me faz feliz, gratidão, mestre Mário Lincoln, por este presente de Natal.Sinta-se abençoado e muito amado.
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