*Mhario Lincoln
Muito bom voltar a ler Joema Carvalho. Quero fazer minha rápida análise, lendo estes versos, com base na filosofia Cósmica. Esperava uma oportunidade para intercalar resenhas com esse tema que eu acho incrível, especialmente quando a gente tem oportunidade de ler este seu poema.
Mas, posso imaginar que esses versos revelam uma dimensão universal de transformação contínua. Por isso, escolhi alguns deles para refletir. Como, por exemplo, as “almas afins”. Imediatamente me vêm à cabeça corpos e energias que se atraem no vasto cosmo, tal como estrelas e planetas em órbitas mútuas e gravitacionalmente conectadas.
Então, a seguir, o ato de “inflamar-se” e “curar-se” claro e evidente que incide na dinâmica do nascimento e da morte das estrelas, em que intensas liberações de energia forjam elementos essenciais para novas formas de vida.
Já a “fogueira que liberta e aviva” me fala sobre o ciclo cósmico de destruição e renascimento, igual Phenix, tão presente nos processos existenciais de cada um de nós.
Por fim, o “voo da libélula” simboliza a expansão graciosa e efêmera do que é essencial no universo; e especialmente do universo dentro de nós mesmos. Aliás Carl Sagan, disse: “O Universo cabe dentro de nós porque o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar. Somos um meio para o Cosmos conhecer a si mesmo.”
Destarte, cara amiga Joema Carvalho, é impossível não falar de ti, quando seus poemas - fora da casinha, no sentido de serem incomuns - retrata cada momento em que você consegue somar a grandeza do Todo, com a sensibilidade de sua Essência; isto, sem conflitos indestrutíveis de sua digital.
Um grande abraço,
Mhario Lincoln.
Presidente da Academia Poética Brasileira.
A POESIA
O Voo da Libélula
Joema Carvalho
o despertar da flor
no meio do espinho
o cintilar da seiva doce
donde escorria a bruta
um bebê
eu mesma
que libertou dragões
agrilhoados
medusas
mal compreendidas
duma veia que costura
a velha sina de sangue
unidas
por transcendência
almas afins
que se inflamam
e se curam
numa fogueira
que liberta
e aviva
o voo
da libélula
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