*Equipe de Cultura e Pesquisa do Facetubes, com Olinto Simões.
“A PIOR solidão é quando nem mesmo o SILÊNCIO responde...” (Mhario Lincoln).
Esta frase de Mhario Lincoln é emblemática. Ela foi amplamente discutida em uma reunião de poetas e escritores no TUC – Teatro Universitário de Curitiba – alguns meses antes da Pandemia, em Sarau organizado pelo então coordenador da “Feira do Poeta”, o inigualável Geraldo Magela, onde cada um dos participantes poderia livremente comentar a poesia ou o trabalho apresentado no palco.
Um sarau inédito e diferente, saído da cabeça de homens fantásticos como Geraldo Magela, por anos, coordenador da Feira do Poeta, no Largo da Ordem, em Curitiba-Paraná.
“A PIOR solidão é quando nem mesmo o SILÊNCIO responde...”, é, na verdade, “um eco profundo sobre a condição humana. Ao dizer que até mesmo o silêncio – essa instância última do recolhimento – cala-se, revela-se uma dor existencial que desperta reflexões filosóficas, sociais, religiosas, poéticas e psicológicas. Tal desamparo expõe o ser à própria finitude, como se o invólucro do mundo interior se rompesse e não houvesse mais nada além da ausência, instaurando o vazio absoluto. Seria, por assim dizer, o momento em que o indivíduo toca o abismo do existir, sem amparo”, declarou, em público, o pensador Olinto Simões, presente nesse evento.
Outros opiniões se fizeram presentes e, em uma delas, suscitou-se o entendimento filosófico, onde o poeta haicaísta (já falecido) Delores Pires, nascido em Criciúma/SC, mas radicado em Curitiba desde criança, acabou discorrendo, no mesmo palco de apresentações, sobre a frase: “Caro amigo Mhario, permita-me analisar sua observação poética, especialmente na vertente existencialista. Sob meu ponto de vista, esse é um exemplo de solidão intransponível aproxima-se das ideias de Jean-Paul Sartre, para quem o homem está condenado a ser livre, responsável por todos os seus atos, e solitário em seu destino. Na minha opinião, caro poeta, é no silêncio ensurdecedor, (que não responde), que o sujeito se depara com essa liberdade assustadora, sem qualquer voz que o guie ou o justifique. Eu já senti essa angústia como consequência resultante de se encarar a vastidão da própria subjetividade. Quando nada mais fala – nem mesmo aquele silêncio que costuma ser nosso último refúgio – a angústia se torna concreta e a solidão, ainda mais visceral”.
A pequena plateia que comparecera a esse sarau (diferente), onde cada um presente tinha o direito de subir ao palco e discorrer sobre qualquer poesia lida anteriormente, ouviu atentamente os dois expositores, Olinto Simões e Delores Pires que demonstraram, além de suas conotações simbióticas, algo que leva a pensar, também, sobre a frase do Mhario Lincoln, que o indivíduo – dentro dessa lírica - nesse estado, pode se vê desconectado de laços sociais e se perde na falta de referências que o situem no seu próprio contexto, demonstrando uma fragilidade dos vínculos e a sensação de solidão.
"Nesse cenário, concordo plenamente com meus antecessores porque até o silêncio costuma ser tomado pela profusão de ruídos da vida contemporânea, a ausência de resposta pode revelar, mais que um desconforto íntimo, a falência momentânea das estruturas sociais que nos sustentam”. Completou o poeta Mhario Lincoln, ao final da abordagem.
Para José Macedo, poeta piauiense que se fez presente ao evento por estar de passagem por Curitiba-PR, acabou abordando também um outro lado da frase. Prendeu-se à religiosidade. E disse: “Para nós cristãos essa frase do Mhario me lembrou São João da Cruz, onde o silêncio de Deus na ‘noite escura da alma’ consome qualquer vestígio de certeza, lançando o crente num deserto interior que, mesmo ao clamar, nada responde. Essa experiência, embora dolorosa, é interpretada como processo de purificação”.
Bom lembrar, seguindo as mesmas pegadas de Macedo, que Thomas Merton, monge trapista, também explorou o peso de um silêncio sagrado que às vezes mais se assemelha a um grande vazio. Nesse lugar de introspecção profunda, a alma experimenta tanto a ausência quanto a possibilidade de encontrar um significado maior que transcende a mera verbalização. Quando esse silêncio tampouco responde, a fé é testada em suas raízes mais fundas.
Na mais pura verdade, voltamos ao Freud que fala do tema (solidão), como parte intrínseca da condição humana, nos espaços entre o consciente e o inconsciente. Isso leva a entender que a frase de Mhario Lincoln sintetizada, portanto, é parte de um instante crucial em que até o que costumamos chamar de última trincheira – o silêncio, essa morada íntima onde aguardamos respostas tácitas – se torna mudo.
É o auge de um mergulho na essência do ser, onde todo o ruído externo se dissipa e o sujeito é confrontado com a solidão absoluta. "O que resta, amigo Mhario Lincoln, é a possibilidade de construir, na própria dor, algum sentido que nos permita suportar a ausência de ecos para compreender que tal afirmação não se limita à constatação de um vazio desolador, mas é também um convite reflexivo. Com o reconhecimento de que nem mesmo o silêncio fala, o indivíduo é obrigado a iniciar um processo de internação de si, tentando ouvir a própria voz interior”. (Mensagem escrita por Olinto Simões).
Talvez o que o poeta Mhario Lincoln quis dizer com essa frase intimista e reflexiva, possa residir dentro de uma abóbada de grande força poética, filosófica, sociológica, religiosa e psicológica. Isto é, "quando até o silêncio se cala, é porque, obrigatoriamente, somos nós que devemos falar", como o próprio autor completou sua esplanação naquele dia abençoado.
Equipe de Cultura e Pesquisa do Facetubes, com base em mensagem de WhatsApp enviada à época, pelo pensador Olinto Simões.
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OLINTO SIMÕES
Texto de Mhario Lincoln sobre o falecimento de seu amigo e tutor, Olinto Simões:
“O grande Olinto Simões faleceu dia 1o de abril de 2021. Por isso ainda acho que ele nos está pregando uma “grande mentira”. Membro-efetivo da Academia Poética Brasileira, hoje Patrono da Cadeira de número 56/APB-PR”.
Para ler a íntegra ( https://encurtador.com.br/cKN6P ).
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