AUGUSTO CÉSAR MAIA
Original: Juliana Mello
ESCREVER E ESCREVER BEM!
Poeta, compositor, escritor e jornalista, Augusto César Maia Araújo, relembra seus rabiscos de poemas aos 14 anos, suas primeiras composições e a importância de seu livro.
Augusto César Maia nasceu em 1948, na cidade de São Luís – Maranhão. Estudou no Colégio Liceu Maranhense e formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou como superintendente de comunicação na Companhia Energética do Maranhão, e também em uma agência de publicidade (sem formação profissional na área) e atualmente continua no ramo da comunicação. “Sou um formado em jornalismo, mas nunca me dediquei exclusivamente ao ofício, sempre fiz um pouquinho de cada atividade da área da comunicação”.
Durante sua juventude, Augusto se mudou para o Rio de Janeiro, nos anos dourados. Ao falar da cidade maravilhosa daquela época, destaca “Era o Rio romântico, de Chico Buarque, Vinicius de Moraes. A grande Lapa do vagabundo romântico”.
Começou a compor aos 14 anos alguns poemas. Para ele a escrita “inaugura-se dentro da pessoa, quando a gente descobre já está escrevendo”. Compôs algumas músicas no banheiro que acabaram perdidas pelo tempo. Em 1972, Augusto participou de uma edição do antigo Festival de Música do Maranhão com a música “Click”, que ganhou em terceiro lugar pelo júri popular.
Sobre suas publicações, explica que antigamente não se preocupava com isso, e que apenas em 1980 publicou seu primeiro livro, Ofício das Madrugadas (foto ao lado), contendo poemas inspirados em experiências pessoais, nas belezas de sua cidade natal, misturando cultura e vida na arte de se traduzir sentimentos em palavras singelas.
Como compositor, presenteou o Maranhão com o samba-enredo “Haja Deus”, escrito juntamente com Chico Ladeira para a Flor do Samba, que se tornou hino nos grandes carnavais maranhenses. Também teve várias composições gravadas por ícones da música, como “Nação Botequim”, na voz de Jair Rodrigues. Apesar de deixar claro seu amor pelo Maranhão, Augusto diz não compor muito sobre sua terra natal, por acreditar que a música deve ter uma linguagem universal. “Nós temos grandes compositores no Maranhão, mas suas músicas ficam restritas a São Luís, não atravessam o Estreito dos Mosquitos”.
“A música que faço é universal, tem uma linguagem globalizada”
Augusto possui uma grande admiração pela cantora Alcione, que também já gravou músicas dele. “Alcione é uma irmã. Ela é uma pessoa que me prestigia muito no Rio de Janeiro. Sempre que faço algo lembro dela. É a maior voz do Brasil”. O poeta participou da abertura de um show da cantora no Rio de Janeiro (foto) ao lado de Mart’nália, Nana Caymmi, e outros artistas consagrados da música brasileira.
Apesar de atuar como compositor, Augusto se considera um poeta, escreve apenas as letras, e no processo de composição, precisa-se de alguém para fazer a harmonia, quem geralmente o faz é o seu parceiro de longa data, Gerude. Para o escritor, o ramo da poesia é mais fácil, pois pode-se trabalhar sozinho.
Como influência à sua escrita, o poeta cita o estilo de Vinicius de Moraes ao escrever sobre pessoas, paixões e mulheres que já passaram por sua vida. “Vinicius é um poeta da paixão”, completa.
“Não vale apenas saber escrever, tem que ter criatividade, até mesmo para as tarefas mais simples”
Em suas crônicas o poeta destaca que busca sempre escrever de forma coloquial, onde pode conversar intimamente com o leitor. Na poesia já é diferente, costuma usar metáforas, procurando emocionar com a leitura.
Com a tecnologia invadindo o mundo da escrita e da leitura, o jornalista destaca a importância da revolução eletrônica e conclui “Penso que em meio século, escrever à mão será apenas um exercício nostálgico das novas gerações”.
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