
No aniversário de Eloy Melonio, uma crônica que o dignifica ainda mais: "UMA VIDA, UMA HISTÓRIA", leia com exclusividade, mais abaixo.
Editor de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes. 19.07.2025. - Amigo de todos, o poeta Eloy Melonio comemorou no dia 18.07, mais um ano de vida, e a Plataforma Nacional do Facetubes celebra o poeta, cronista, ensaísta e compositor maranhense cuja voz ecoa com força em cada texto e canção que fazem dele, um verdadeiro vencedor. Nem precisa dizer que ele é nascido no Maranhão, onde como professor de inglês e fundador do curso YES em 1977, começou a pavimentar palavras e melodias, o que resultou em seu primeiro livro, "A Verdade Que Liberta", (1998), passando pela novela "Os Dois Lados da Cruz" (1999) e pelos volumes de poesia "Dentro de Mim" (2015) e "Travessia" (2021), obras que já lhe renderam prêmios literários e a Medalha do Mérito Legislativo da Câmara Municipal de São Luís. Em sua trajetória vitoriosa, Eloy idealizou o "Dia Municipal da Poesia", oficializado pela Lei 6.394 em dezembro de 2018, prova de sua capacidade de transformar paixão em legado coletivo. Membro fundador de academias de letras e associações literárias, acumulou reconhecimentos mostrando que a conquista verdadeira não se mede apenas em troféus, mas na consolidação de um caminho que se fez abrir. Como compositor, lançou em 2015 o CD SIMPLESMENTE ASSIM, reunindo doze vozes maranhenses e revelando a potência de sua escrita cantável. Em 2018, assinou a letra de “Quebra a Cara, Quebra o Coco”, parceria com o cantor Gerude que ganhou palco no "festival Sanfonia", no Piauí, e levou o forró maranhense além das fronteiras Mais recentemente, seu poema “De São Marcos a São José” encontrou voz em Josias Sobrinho no elogiado disco Vinil & Poesia, que mapeou o melhor da música e da poesia do Maranhão
A força de sua personalidade evoca a frase de Nietzsche: “Sem música, a vida seria um erro”. Eloy vive essa máxima em atos concretos, imprimindo disciplina rara ao ofício e contagiando colegas e leitores com a crença de que palavra, afinada ao coração, renova o mundo. Portanto, aqui na Plataforma Nacional do Facetubes, suas colaborações — crônicas, poemas comentados e reflexões em vídeo — ultrapassam as centenas de milhares de visualizações e reações, mostrando que suas ideias ressoam com vigor na comunidade. Hoje, ele simboliza o pulsar de uma nova poesia e prosa, maranhenses, um autor que, ao celebrar o ontem, continua a escrever o amanhã, com a mesma intensidade de sua voz.
UMA VIDA, UMA HISTÓRIA
Sexta-feira, 18 de julho de 2025.
Uma data como muitas outras, que marca um trecho do caminho que cada um de nós está percorrendo. E que, dependendo de cada pessoa, pode ser mais significativa ou apenas uma data no calendário do tempo. Então, vamos em frente, porque “o tempo não para, não para não”.
Depois de quase quatro meses comprometido com outras atividades, retomo a escrita. Ou seja, estou matando uma “sede”, esse desejo veemente que já estava quase me matando. E aí o mundo se veste de prazer e encanto. E eu me revisto de realidade e sonho, que a construção de um texto me proporciona.
Vida e história são parceiras de longas datas. Caminham através do tempo de mãos dadas. Na Bíblia, na literatura universal, na história da humanidade. Não dá para separar uma da outra. Elas se cruzam e se entrecruzam, mas não se separam. Que seria de mim se não soubesse quem eu sou, quando nasci, de onde vim, por onde passei.
Num sábado recente, minha esposa trouxe para a mesa da cozinha vários envelopes com fotos da família, de amigos e momentos inesquecíveis. Um prato cheio para viajarmos nas asas da lembrança. Em alguns momentos, dúvidas: “Quem é essa pessoa ao lado de sua mãe?” “Não lembro desse menino junto com meu filho!” Em outros: “Caramba! Olha você aqui nas Cataratas do Niagara!” “Esse aqui é seu Manoel, não é?” “Ih, olha D. Arcângela na formatura de Geraldo! Elegante, hein?!”
Nem sempre tínhamos a resposta para algumas dessas indagações. Mas o que nos encantava nesse momento era nosso deslumbramento sobre a nossa história. O coração batia mais forte em alguns momentos. Noutros, eram os olhos que umedeciam. E sempre havia casos de dúvidas: “Em que ano foi isso?” “Que lugar é esse?” “Você parece um pouco triste aqui”. Em cada olhar, uma constatação: somos parte da história de outras pessoas, assim como elas também entram em nossas recordações afetivas. Ninguém tem uma história de solidão. Porque, filosófica ou poeticamente, até a nossa sombra pode ser uma companhia indispensável.
Recentemente, prefaciei um livro de memórias escrito por um amigo. E percebi quanto ele amava sua família, parentes, amigos, e a sua terra natal. Conta detalhes de sua infância, momentos memoráveis. Mas o protagonista é o seu pai. Sua história de vida marcada por sua coragem e honradez. E tantas outras características dignas de registro histórico. Mas o que chamou a minha atenção foi um momento em que, após a morte do pai (que viera morar com ele para se tratar de um câncer), esse meu amigo escritor, de volta a sua terra para resolver problemas (casa, bens, animais, etc.), cavalgava pelas ruas de sua pequena cidade. E viu que as pessoas se espantavam com sua passagem. Até que, num certo momento, alguém disse: “Não sei quem é, mas o cavalo e do Domingos Rubim”.
Duas mortes recentes afetaram de alguma forma meus sentimentos: um talentoso artista da música e um reconhecido homem das letras. O artista, morte precoce, vítima de um câncer. Nas redes sociais, uma grande movimentação. Seus amigos e admiradores contando fatos de sua vida, destacando seu talento na história da arte musical de nossa cidade. O outro, o gramático e filólogo Evanildo Bechara, aos 96 anos. Para músico, a tradicional frase inglesa: RIP (Rest in Peace). Para o literato, DEA (Durma entre suas Palavras).
Acredite: um bom momento de rever histórias de vida é o velório de um parente, amigo ou conhecido. As rodas de conversa são inevitáveis. Fica-se sabendo de novidades e curiosidades. Sim, morto tem novidades! Não sabia que um desses tinha uma filha fora do casamento (?) e que ela estava presente ao velório. Nem que um irmão mais velho, vivo, tinha desavenças com o mais novo (defunto).
Não à toa, a vinheta de um programa de rádio que contava histórias infantis começava assim: “Histórias, histórias”.
Infelizmente, a história de vida de cada um de nós tem um fim. Porque a vida é como as águas de um rio que descem, ora lentas, ora velozes, até se jogarem ao cemitério-mar. Ao contrário, a história do mundo é um infindável carnaval. Séculos e milênios de um desfile que nunca chega à praça da Apoteose.
Você lembra a data na abertura desta crônica? Pois é com ela que eu fecho esta apresentação. Para mim e para muitas outras pessoas, uma data significativa. Segundo a IA, nasci numa sexta-feira em julho de 1952.
Viva as sextas-feiras! Viva a vida! E viva a minha história!
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