
Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes
São Luís celebra hoje, 8 de setembro, os 413 anos de sua fundação, reafirmando-se como um dos berços mais ricos da cultura brasileira. Conhecida como a Ilha do Amor, a cidade guarda uma tradição literária que ecoa desde Aluísio Azevedo, mestre do Naturalismo, até Ferreira Gullar, poeta maior da contemporaneidade. São Luís projetou nomes como Jesiel Júnior e Zeca Baleiro, este último também um dos expoentes musicais que, ao lado de João do Vale, conferem à cidade reconhecimento nacional e internacional. A poesia produzida em São Luís carrega a força do mar, a delicadeza das azulejarias e a resistência de um povo que aprendeu a transformar dor em canto e história em obra de arte. Esta homenagem da Plataforma Nacional do Facetubes busca celebrar não apenas a memória, mas a vitalidade de uma cidade que continua a inspirar gerações. (Facetubes).
Convidadas:
LINDA BARROS & SILVANA MENEZES
Poeta: FRANCISCO BAIA
São Luís, Ilha Upaon Açu, Ilha do amor, Atenas Brasileira. Guerreira, quando precisas mostrar tua força, frágil quando te submetem ao descaso. Por ti amada, passaram tantos conquistadores, que te fortaleceram, e deixaram histórias, e estórias pra serem contadas por ti e por teus habitantes. Rendo-me a ti, te abraçando, osculando-te, orgulhoso ser chamado teu filho, Ludovicense da gema. Contidos das tuas coisa e principalmente do cheiro das esquinas, vielas e ruas, que exalam a gostosa fragrância das poesias escondidas nas tuas asas. Parabéns São Luís, parabéns meu amor.
Escritor e poeta convidado: EDMILSON SANCHES
A ILHA
“São Luís ainda brilha
como o fez antigamente.
Em nosso mar, é uma ilha,
na cultura, é um continente.”
(JOSÉ CHAGAS, “São Luís de quatro séculos”)
”É necessário sair da ilha para ver a ilha,
não nos vemos se não nos saímos de nós.”
(JOSÉ SARAMAGO; “O Conto da Ilha Desconhecida”)
Na Geografia, uma ilha. Na História, um arquipélago.
A “Upaon-Açu” tupi é uma maravilhosa e maranhense porção de 1.410 quilômetros quadrados de terra abraçada por líquidas e incertas águas dos 106 milhões e 460 mil quilômetros quadrados do oceano Atlântico.
“Upaon-Açu” é ilha grande, mas 75,5 mil vezes menor que a vasta extensão de água salgada que a rodeia, a namora e permanentemente a abraça e lambe circularmente suas partes...
Upaon-Açu é Ilha do Amor, mas também Ilha Rebelde.
Rebelde, expulsou conquistadores.
Amorosa, conquistou admiradores.
Upaon-Açu nasceu índia. Quiseram-na francesa. Holandesa. Portuguesa. Rebelde -- sempre --, recusou estes para, amorosa -- sempre --, acolher todos... como brasileira.
Nesta Ilha brotaram maranhenses e aportaram outros brasileiros, além de estrangeiros. Gentes das várias regiões do país e forasteiros dos diversos continentes do mundo.
Por esse efeito de atração, Upaon-Açu é Ilha Magnética, Ilha Bela.
Sem preconceito, Upaon-Açu é cosmopolita, plurivalente, multicultural. É tanto Atenas quanto tanto é Jamaica.
Upaon-Açu é ilha só na Geografia mas é arquipelágica, plural, tentacular, na História, nas Artes, na Cultura, ou seja: na sua gente.
Em Upaon-Açu uniram-se cromossomos de interesses histórico-político-administrativos e socioeconômico-culturais e dessa união fizeram nascer cidades. A “alma mater”, São Luís, foi fundada em 1612 -- e, por tão antiga, por/tão ancestral, muitas das vezes deixa passar ou assume a condição de ilha quando é, legal e honrosamente, município, mas não apenas: é município e capital, aliás, a única entre as capitais brasileiras com sua área territorial totalmente contida em uma ilha.
Depois de São Luís, a Ilha viu nascerem-lhe mais três filhos-municípios, mais três-cidades-filhas: São José de Ribamar, com fundação em 1627; Paço do Lumiar, em 1761; e Raposa, caçula, existente desde os anos 1940.
E é São Luís que se revela, para olhos e lentes. Máquinas e mentes.
É São Luís, imensa, que se contém neste livro. Do celuloide à celulose. Imagens bem impressas, impressões bem imaginadas.
Imagens atuais que trazem memórias ancestrais. A São Luís da História brasileira, quando o Brasil ainda não era Brasil, nem brasileiro. São Luís-ilha, terra tupi -- tupinambás... tremembés... potiguaras... São Luís-porto, de Pinzón, primeiro trimestre de 1500, antes de Cabral (que aqui não aportou).
São Luís de Daniel. Daniel de La Touche, também de La Ravardière. São Luís equinocialmente França, trienalmente francesa: 1612-1615.
São Luís de Alexandre e de Jerônimo. Alexandre de Moura e Jerônimo de Albuquerque. Um expulsa os franceses; o outro, passa a administrar o lugar.
São Luís de Maurício e de Johann. Maurício de Nassau e Johann von Koin. São Luís novamente “estrangeira”, trienalmente holandesa (1641-1644).
São Luís novamente retomada. Portugueses e colonos em armas desarmam a continuação das ambições neerlandesas. Para os batavos, agora é vazão. Hora de evasão. Saída. Fuga.
São Luís das guerras e dos amores -- Gonçalves Dias e Ana Amélia.
São Luís da lavra e palavra. Prosa e verso. Ficção e realidade.
São Luís em qualquer canto: música, canto, encanto.
São Luís histórica. Retórica. Pictórica. Escultórica.
São Luís carmelita. Jesuíta. Franciscana.
São Luís indígena. Europeia. Africana.
São Luís maranhense. Brasileira. Americana.
São Luís cultural -- patrimônio. Mundial.
São Luís dos desejos -- miragem.
São Luís ao longe -- paisagem.
São Luís das chegadas -- ancoragem.
São Luís vida -- aprendizagem.
São Luís casarões e ruas -- viagens.
São Luís neste livro -- Que imagens!
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EDMILSON SANCHES
[email protected]
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