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SÃO LUÍS POR SEUS POETAS, texto de José Neres, da Academia Maranhense de Letras

José Neres também integra a Academia Poética Brasileira.

08/09/2025 às 15h12 Atualizada em 08/09/2025 às 15h15
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres
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José Neres & São Luís: 413 anos.
José Neres & São Luís: 413 anos.

Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes

São Luís celebra hoje, 8 de setembro, os 413 anos de sua fundação, reafirmando-se como um dos berços mais ricos da cultura brasileira. Conhecida como a Ilha do Amor, a cidade guarda uma tradição literária que ecoa desde Aluísio Azevedo, mestre do Naturalismo, até Ferreira Gullar, poeta maior da contemporaneidade. São Luís projetou nomes como Jesiel Júnior e Zeca Baleiro, este último também um dos expoentes musicais que, ao lado de João do Vale, conferem à cidade reconhecimento nacional e internacional. A poesia produzida em São Luís carrega a força do mar, a delicadeza das azulejarias e a resistência de um povo que aprendeu a transformar dor em canto e história em obra de arte. Esta homenagem da Plataforma Nacional do Facetubes busca celebrar não apenas a memória, mas a vitalidade de uma cidade que continua a inspirar gerações.

 

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SÃO LUÍS POR SEUS POETAS

CONVIDADO: José Neres

 

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Ilha que transpira poesia, São Luís, em seus 413 anos de existência, já recebeu inúmeras declarações poéticas. Algumas exalam o mais puro lirismo ufanista, outras trazem marcas de uma saudade infrene, outras ainda trazem uma visão clínica dos males sociais da musa urbana. Todas elas, no entanto, são marcadas por pelo menos um ponto em comum: um amor atávico pela Cidade.

Vista antanhamente apenas como uma “terra das palmeiras, onde canta o Sabiá”, Ilha do Amor, Cidade dos azulejos, Porcelana Brasileira e Presépio de Porcelana, São Luís recebe atualmente outros apodos bem menos poéticos. Mas, no estro de seus vates, continua merecendo valorosas e criativas homenagens. Nonato Pires tem a Urbe como “a serpente mais formosa”; para Ivan Sarney, “a cidade são as lendas e a memória das pessoas”; Bandeira Tribuzi, além de pedir “Oh, minha cidade, deixa-me viver, diz que ela “parece um presépio levantado por mãos puras”; Luiz Alfredo Neto Guterres diz que a capital maranhense é “um paraíso perdido por entre os braços do mar”.

Já Sandra Regina Alves Ramos diz que a cidade é “uma ilha, estremecida, calada, silenciosa. É uma ilha, mas ao longe, avista-se um poeta tentando rimar, uma palmeira... e um sabiá”. Outra poetisa, Dagmar Destêrro, acreditando que sua cidade “é sala antiga, é retrato da saudade, desafio da esperança transformado em realidade”. Odylo Costa, filho declara seu amor através de gotas nostálgicas ao dizer: “Eras, minha São Luís, estranho pássaro, com as asas amarradas pelas cordas movediças prata de teus rios”. E tantos outros poetas já brindaram sua musa urbana dos mais diversos modos.

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Assim como são diversas as metaforizações com relação à cidade, múltiplas também são as visões do poeta na hora de retratá-la em versos. Uns agem de forma lírica, ressaltando a essência poética da Ilha Verde, vendo “a Cidade vestida a rigor, vestida à colonial, meu mundo, meu porta-joias, meu cartão postal, como escreveu Manuel Lopes. Ou ainda, como no poetar de Clóvis Ramos, para quem “São Luís é a cidade da ternura... em cada canto um sonho meu perdura. Outros, no entanto, preferem pôr seus versos pisando firmemente as pedras de cantaria e fazendo um périplo por ruas, becos e escadarias da Atenas Brasileira. É o caso de Ferreira Gullar, que transformou sua saudade de exilado político em canto de dor e lamento coletivo em seu famosíssimo Poema Sujo, no qual a cidade se desnuda para o leitor, mostrando tanto suas curvas sinuosas/sensuais e seu ventre de mãe como suas marcas dos quase quatro séculos de sevícias, pois “a noite não é a mesma em todos os pontos da cidade”,

Seguindo os passos de Gullar, temos também a acidez cortante dos versos de Luís Augusto Cassas que, em sua Ópera Barroca, afirmou que “as ruas de São Luís têm cada de munição, pesados pombos-sem-asa arrebentam a solidão”, uma vez que “a cidade acorda cedo, despida de segredos”. José Maria Nascimento, outro poeta bastante ligado a sua terra, deixa claro que, em seu ponto de vista, “esta cidade é a sombra de um deserto” e ao mesmo tempo parabeniza a “amada Ilha, pelas tuas maravilhosas e doces primaveras”. Ainda na vertente crítico-social, temos os livros de Alex Brasil, que não vê a cidade apenas como uma esplendorosa Ilha Verde, mas também como um “cemitério de crianças apodrecidas” e um lixeiro que cresce “plantando miséria sobre o verde”.

No eterno flanar sobre a cidade, alguns poetas optam por destacar seu valor histórico-artístico-social, como sói acontecer com José Chagas, poeta que prega que os poemas estão espalhados pela cidade, bastando que sejam apanhados do chão, já que o “chão de São Luís [é] poeira de história, pedra que é raiz fincada em memória”. Ou ainda como José Sarney, que, além de sua Meditação sobre o Bacanga, faz um longo passeio pela cidade e conclui que as Carrancas do Ribeirão “são pedras, são desnavios que choram na eternidade”.

Os poetas acima (e muitos outros que não foram citados), em seus poemas, não importando a abordagem feita, acabam, nos ecos de suas palavras poéticas, coadunando com os famosos versos do compositor César Nascimento em sua Ilha Magnética, quando diz que “se um dia eu for embora, pra bem longe desse chão, eu jamais te esquecerei, São Luís do Maranhão”. Afinal é preciso aproveitar cada minuto dentro da Ilha, antes que, como alerta ironicamente Luís Augusto Cassas, “antes que a Unesco tombe o último camarão seco”.

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Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 9 meses São José de Ribamar Parabéns ao professor Neres e a todos os escritores e cantores citados por ele! Parabéns São Luís!
Prof. Ernesto Carlos Andrade Há 9 meses S.Luís MaProf. Neres até agora nunca tinha ligado uma coisa a outra. O senhor foi certinho quando escreveu: "um amor atávico pela Cidade". Ou seja, ou algo precisa mudar rapídamente ou afundaremos na coprrida do tempo. Ah, sim, para quem não entendeu, "atávico" é medo do desconhecido. Entenderam agora?
Nequinho Soares, poeta e trovador. Tenho 16 anos (LICEU).Há 9 meses São LuisBoa, Luciana. Até quando vou ter que esperar?
Luciana PintoHá 9 meses Sãso Luís MAO caso, grande Mhario, é que o Neres sempre lutou pela melhoria da literatura maranhense. Mas parece que há forças negativas que não deixam o bonde andar. Eu ouvi o seu poema 8 de setembro. Achei pura realidade só. Mas veja, há aqueles que têm medo até de compartilhar um trabalho desses, seu, real, sem sonhos. Vamos acabar com o sonho de que São Luís é Athenas Brasileira e partir para amparar a nova juventude poética que está aí. Aí eles vão embora e nego reclama que eles abandoram o pasto.
Plácida MotaHá 9 meses São Luís MaA melhor coisa é ter arautos que possam divulgar seus valores, mesmo que a questão política não esteja nem aí.
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