
Em clima de humor e descontração, chegou ao fim, na noite do domingo (14/9), o III Festival da Palavra de Curitiba, maranota literária e cultural que tomou conta do Centro na última semana. Na foto acima, como parte da programação, o prefeito Eduardo Pimentel entregou um busto do escritor Machado de Assis para a Academia Paranaense de Letras (APL). A escultura, criada pela artista plástica Carol Fantinati, foi instalada na sacada do Belvedere, sede da APL. A obra foi instalada de modo a parecer que o famoso escritor contempla a Rua Ébano Pereira, já considerada a “Rua da Literatura de Curitiba”, por ser eixo que se inicia no Belvedere e segue até o Bondinho da Literatura, na Rua XV, conectando sete espaços culturais.. (Foto: Pedro Ribas/SECOM).
Abaixo, o texto exclusivo de nossa acadêmica APB/Joema Carvalho que esteve participando de duas de importantes oficinas nesse evento.
Joema Carvalho, escritora, poeta e membro da Academia Poética Brasileira.
O III Festival da Palavra de Curitiba, organizado pela Fundação Cultural de Curitiba, ocorreu no período de 10 a 14 de setembro, em 26 espaços com 125 atividades.
Tivemos participação especial na Oficina de Escrita Criativa: "Memórias na Escrita de Ficção" com o escritor Oscar Nakasato e na oficina "Palavra de Contista" com os escritores Paulo Venturelli e Márcio Renato dos Santos.
Oscar Nakasato é escritor de Maringá, Paraná e, professor pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, autor de vários livros e vencedor, em 2012, do Prêmio Jabuti, na categoria Romance, com o livro Nihonjin, que trata da história e da experiência de uma família nipo-brasileira.
Ele iniciou a oficina trazendo um princípio da física. Comentou que temos duas dimensões, o tempo e o espaço, que é por onde nos movimentamos. Para mexer com os participantes, deu como exemplo o filme Interestelar, do Christopher Nolan. Quem assistiu, entende a que o Oscar Nakasato se refere em relação ao conceito de tempo.
Gostamos muito quando ele disse que o "tempo é a matéria prima da memória". Ele trabalhou com excertos de diversos autores que trazem "memórias", no contexto de sua obra literária.
A nossa percepção, a partir desta oficina, foi que quando o texto é bem trabalhado, quando ocorre uma pesquisa profunda da época e dos personagens em questão, a descrição de uma determinada memória, traz uma percepção profunda do personagem, o caracteriza através de aspectos físicos e psicológicos. O ambiente é muito bem descrito e nos transporta a época do contexto da história.
Quando foi lido um trecho do livro dele Nihonjin, vencedor do Jabuti, chegamos a sentir o cheiro do fogão à lenha e de ervas queimadas, a conexão entre personagens desconexas, através da sensibilidade, onde a fala, pouco importa. A descrição do tempo e dos personagens envolvem.
Foi uma grande oportunidade participar da oficina com o escritor Oscar Nakasato.
A segunda oficina que participamos, foi com o Paulo Venturelli e o Márcio Renato dos Santos foi "Palavra de Contista".
Paulo Venturelli nasceu em Brusque, em Santa Catarina, é autor de diversos livros e professor de Literatura Brasileira da UFPR. Já Marcio Renato dos Santos é jornalista curitibano, autor de vários livros, considerado "o maior contista em atividade" e responsável pelo projeto "Ampliando Horizontes", que oferta oficinas literárias, de forma gratuita, ministradas por autores consagrados de Curitiba. Esta oficina foi de grande relevância por divulgar a literatura paranaense. Como produto, são produzidos livros com textos gerados a partir das oficinas.
Está dupla iniciou a oficina "desmotivando" os participantes à produção de conto por não ser algo tão atrativo ao mercado editorial, que considera que o que se vende é a obra que envolve o leitor por mais tempo, no caso, o romance.
Depois a dupla considerou que isto gera a liberdade literária, onde o autor se permite respeitar a sua identidade de escrita sem se preocupar em agradar a um determinado público visando o atendimento ao mercado editorial.
Ressaltaram o poder da síntese no dizer tudo com o mínimo de palavras, o deixar o leitor tirar fazer a sua própria interpretação de um texto sucinto.
Foram lidos textos do Venturelli e do Márcio, textos de autores consagrados e também dos participantes da oficina.
Foi proposto um desafio de produção de textos para os participantes.
Os textos lidos e produzidos foram instigantes e provocativos. De um modo geral, os participantes eram leitores e escritores o que rendeu textos e discussões de altíssimo nível.
Foi comentado que é comum a releitura, se basear em outras produções literárias e/ou artísticas como fonte para a produção literária.
Citou, por exemplo, a conexão de Dom Casmurro de Machado de Assis com Otelo de William Shakespeare.
No fim, foi uma oportunidade para que os participantes de evento ganhassem fôlego para suas produções pessoais.
Que venham novas edições do Festival da Palavra, um belo evento.
Parabéns para a Fundação Cultural de Curitiba.
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Fontes consultadas:
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Oscar_Nakasato
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