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Grande festa na FELIS mostra o autêntico maranhês

Lançamento foi 27 de setembro, no Auditório da Feira do Livro (FELIS).

26/09/2025 às 21h36 Atualizada em 09/10/2025 às 16h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Jáder Cavalcante
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Arte: Mhario Lincoln
Arte: Mhario Lincoln

Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln & Jáder Cavcalcante


"A celebração do falar maranhense em obras de recorte regional não é mero colorido folclórico: é política de memória e cidadania linguística. Registrar verbetes, expressões e usos locais — como faz o livro 'Do You Speak Maranhês?', que terá lançamento neste sábado, 27 de setembro, às 19h, no Auditório da Feira do Livro (FELIS), na Praça Maria Aragão, devolve prestígio ao repertório de uma comunidade e amplia o mapa real da língua portuguesa, plural por natureza. O título estará no estande da Editora Vozes, reforçando a circulação do vocabulário local no circuito editorial. Quando literatura e pesquisa sistematizam variações dialetais, fortalecem identidades, oferecem insumos ao ensino e ajudam a combater estigmas, ao integrar norma-padrão e falares regionais numa competência comunicativa mais ampla e inclusiva. Nesse horizonte, o Maranhão tinha uma referência anterior, o prof. Domingos Vieira Filho, jornalista, folclorista e acadêmico que dedicou décadas a mapear costumes, rituais e, sobretudo, a linguagem popular do Estado. Sua obra, com destaque para estudos de léxico e registros orais, consolidou um acervo de termos, contextos e topônimos que alicerça qualquer tentativa séria do “falar maranhês”, com método e respeito. Desta vez, surge outra obra simplesmente fantástica: 'Do You Speak Maranhês?', de Jáder Cavalcante. "Com certeza, será também uma grande contribuição ao resgate de nossa tradição linguística, que só quem nasceu no Maranhão pode interpretar". (Jornalista e poeta Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes).


Abaixo, a apresentação da obra.

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"APRESENTAÇÃO

O traço cultural mais forte de um povo é a sua língua, e esta deve ser cultuada continuamente, para que suas peculiaridades não se percam com o passar do tempo. Nestes tempos de facilidades de comunicação, esse perigo é bastante possível, principalmente em sociedades não dominantes, que, por dependência econômica de centros mais desenvolvidos, acabam por incorporar hábitos que não lhe são atávicos, advindos de quem tem mais poder.


Nessa situação, encaixa-se o Maranhão, estado que apresentou pujança financeira até o início do século XX, mas foi vítima da conjuntura econômica que se estabeleceu no mundo, deixando a maior província do norte do país com o pires na mão, e hoje, mesmo com suas inigualáveis riquezas naturais e históricas, apresenta um dos piores IDHs entre os 27 estados da Federação, em parte (e grande parte) pela ineficiência dos administradores (um após o outro) que se sentaram na mais cobiçada cadeira dos Leões.


No entanto, a questão cultural não acompanhou o mesmo ritmo da economia. O Maranhão, não obstante o ocaso financeiro em que mergulhou, ainda detém variadas e valiosas formas de arte popular, destacando-se no país como um dos estados culturalmente mais ricos. As tradições do carnaval, o bumba meu boi, as danças e a música são exemplos de riqueza cultural que deslumbram quem se depara com tais manifestações. 


Com a língua, não podia ser diferente. Como uma colcha de retalhos fulgurosamente diversificada, o modo de falar que se desenvolveu no Maranhão recebeu forte influência das culturas portuguesa, africana, indígena, árabe e francesa, transformando-se numa aquarela linguística incomparável em termos de Brasil. 


Certamente pela distância geográfica do Maranhão com os grandes centros beneficiados pelas atenções dos governantes nacionais, desde D. Pedro I, as nuanças linguísticas desta terra pouco se deixaram macular pelas influências externas. Talvez por isso nosso estado ostente o título de “melhor português do Brasil”, mais pela pureza fonética do que pelo primor estrutural.

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Aqui não se chia, não se força o erre alveolar, não se têm os mesmos hábitos fonéticos de grande parte do Nordeste nem do Norte, o que é uma característica inexplicável, uma vez que temos posição intermediá¬ria entre as duas regiões. Quando vejo falarem os apresentadores de telejornais das grandes redes nacionais, ouço claramente o falar maranhense, pois, por exigência dos poderosos meios de comunicação, não apresentam sotaque. 


Essa explicação inicial tenciona apenas ambientar o leitor ou a leitora no terreno linguístico-cultural em que vai pisar, embora “Do you speak Maranhês?” não aborde os aspectos fonéticos do linguajar desta terra, e, sim, suas peculiaridades lexicais. 


Na medida do possível, os verbetes inclusos no livro são genuinamente maranhenses (atraca, fobar ou enfarento, por exemplo), mas alguns são utilizados também em outros estados, principalmente, do Nordeste (zoada, puaca ou pelejar). Talvez um estudo filológico rigoroso pudesse detectar a origem de todo esse acervo linguístico que ora se apresenta (por exemplo, eu imagino que “cambar” deriva de “câmbio”, “troca”, mas é apenas uma intuição minha). É preciso investigação científica para tal definição, e aqui fica o meu convite (e desafio) aos estudiosos da área da filologia.


Não é objetivo deste livro adentrar os meandros da ciência filológica, até porque a obra se afastaria do interesse popular e estaria mais talhada para os estudantes da Academia. Quando tive a ideia de escrevê-lo, queria criar um texto que fosse densamente instrutivo, porém leve em sua forma, para atender ao público mais diverso, tanto em questões intelectuais como no fator etário. Tentei explicar os 388 vocábulos e expressões constantes no texto da maneira mais fácil possível e, para facilitar e concretizar o aprendizado, cada verbete é acompanhado de elucidativos exemplos, nos quais se tenta demonstrar o maranhês da gema, inclusive, respeitando o desrespeito ao padrão culto da língua, que é tão corriqueiro na fala do dia a dia do brasileiro comum.


Sei que esse neologismo é invencionice popular (como todo neologismo), mas também ouso chamar de maranhês o falar típico dos maranhenses, esse povo tão sofrido, mas dono de uma cultura popular invejável, que, de tão relevante e original, ganhou um epíteto: maranhensidade.


Na medida do possível, foi adicionado um pouco de humor nos exemplos, que utilizam estruturas de um maranhês leve e solto, o que me foi muito prazeroso escrever. Espero que, assim como eu me diverti bastante produzindo esta obra, você solte gostosas gargalhadas ao lê-la, pois o objetivo de “Do you speak Maranhês?” é justamente este: apresentar um conteúdo denso, mas de maneira descontraída. 

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Boa leitura!


Paruano tem mais! 

O autor".

 

Card de chamada originalíssimo.

 

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José de Ribamar Silva, poeta e trovador alagoanoHá 8 meses AlagoasShow de bola. Outro dia estávamos discutindo esse assunto em Mesa Redonda, em Salvador, e lá surgiu a convicção que essa embolada linguística do Maranhão ganhava a da Bahia. Porém, vejo agora, que Salvador ganha em um quesito. Nos traços e influências africanas, muito mais que a cidade de São Luís. Essa é a diferença. Mas no resto, São Luís está na frente de muitas capitais brasileiras.
Prof Solano Rui de Albuquerque - USP. Aposentado.Há 8 meses São Paulo SPCaro Jáder, em termos linguísticos, o Maranhão tem uma influência rara na sua libguagem, no Brasil. Com sua base portuguesa, o “falar maranhense” foi costurado por povos indígenas e por sucessivas camadas históricas, a presença francesa da França Equinocial no século XVII, a ocupação holandesa (1641–1644), a forte matriz africana e o fluxo de sírios-libaneses que deixou pegadas no léxico urbano e comercial. Acho que é disso que fluem tantas caracteristas únicas.
Nana SoaresHá 8 meses S.LuísMAPerfeito, piqueno!
Maria do Carmo Santana (Santa Inês-MA)Há 8 meses Brasília Distrito Federal.São essas obras que esse pessoal da AML precisa dar uma maior atenção porque são contribuições que alavancam a cultura. Não é só fazer livros diletentistas. Tem que ter um contexto pedagógico também.
Professor Julião José CastroHá 8 meses São Luis do MaranhãoParabéns, Jáder. Um livro por demais importante para nós professores de Português. Estarei presente.
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