
“Primavera” no Museu Aniz Domingos: cor, memória e fôlego curatorial no Vale do Iguaçu
Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes.
A abertura de “Primavera”, no Museu Histórico Professor Aniz Domingos, em União da Vitória (PR), foi um daqueles encontros raros em que projeto curatorial, espaço e público respiraram o mesmo ar simbólico: o da estação que renova ciclos.
A mostra reuniu artistas da Associação dos Artistas Plásticos do Vale do Iguaçu (AAPVI), sob a presidência de Joelma Giaretta, e marcou presença institucional com o secretário municipal de Cultura e Turismo, Israel Checozi.
Programada para visitação gratuita até 1º de outubro, a exposição assumiu a paisagem cromática da estação como pauta estética e afetiva — florescimento, esperança, rearranjo da luz — e converteu o museu em um ateliê expandido para a comunidade.
O contexto importa
O Aniz Domingos, inaugurado em 2022 e ligado à Secretaria Municipal de Cultura, consolidou-se como polo de memória e fruição: um equipamento que articula acervo histórico (com forte ênfase ferroviária) e circulação de arte contemporânea local — combinação que dá densidade às leituras do visitante e insere as mostras no continuum da história da cidade. Situado na Rua Prudente de Morais, 48, o museu reforça, com “Primavera”, sua vocação de casa aberta à vida cultural do território.
No recorte autoral, a presença dos artistas da AAPVI ampliou o espectro de linguagens — pintura, desenho, composições mistas — e atualizou uma pauta que a entidade cultiva há anos: circulação regional, formação de público e visibilidade para criadores do Sul do Paraná e do Norte de Santa Catarina.
A condução de Joelma Giaretta à frente da associação, somada à atuação pública de Israel Checozi (secretário e também artista), foi decisiva para transformar “Primavera” em gesto de política cultural: encontro interinstitucional que desborda o calendário e cria pertencimento.
A rede literária também esteve atenta. A Academia de Letras do Vale do Iguaçu (ALVI) compareceu representada pela acadêmica e artista plástica Jucimara Gonçalves Meira Vergopolam, presença que sela um pacto fértil entre palavra e imagem, tradição e invenção.
Ao integrar “Primavera”, a ALVI reafirma sua função de mediação cultural, conectando leitores, estudantes e autores às práticas visuais do território.
Por fim, vale registrar o papel do próprio museu e da prefeitura ao apostarem em uma programação que celebra a estação não como tema decorativo, mas como estado de espírito: uma ética da renovação sensível em tempos áridos.
Trabalhos
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