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Mais uma coluna de Luis Augusto Guterres: Lançamentos, Fardão e Cajus

Luis Augusto Guterres é convidado da Plataforma Nacional do Facetubes.

08/10/2025 às 09h35 Atualizada em 08/10/2025 às 18h18
Por: Mhario Lincoln Fonte: Luis Augusto Guterres
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Arte: mhl/ginai
Arte: mhl/ginai

LUIS AUGUSTO GUTERRES C/ a Editoria de Cultura e Literatura da Plataforma Nacional do Facetubes 

A LEI DAS PALAVRAS

"No tribunal do tempo, onde as emoções são provas e o amor é testemunha ocular, o advogado-poeta não defende causas terrenas; defende causas perdidas da alma. Esta coluna, que chega com toga e tinta, não propõe julgar o mundo, mas informar pela ótica da literatura. Aqui, o Código Penal dá lugar ao Código Poético e cada notícia é uma sentença de sensibilidade lírica." (Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes. Seja bem-vindo Luis Augusto Guterres).

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EDITORIAL DO TEMPO LÍRICO


O texto "O Cajueiro: Um Amigo de Infância" é considerado um dos melhores e mais célebres trabalhos de Humberto de Campos, não por ser o "melhor conto do Brasil" em um senso absoluto, mas por sua profunda ressonância e por retratar de forma poética a relação do autor com a árvore que ele plantou na infância em Parnaíba. Este conto, publicado em suas Memórias, narra o crescimento do cajueiro e a passagem do tempo, com o autor voltando à árvore como um homem doente, expressando um sentimento de despedida e melancolia.

Um Amigo de Infância.
No dia seguinte ao da mudança para a nossa pequena casa dos Campos, em Parnaíba, em 1896, toda ela cheirando ainda a cal, a tinta e a barro fresco, ofereceu-me a Natureza, ali, um amigo. Entrava eu no banheiro tosco, próximo ao poço, quando os meus olhos descobriram no chão, no interstício das pedras grosseiras que o calçavam, uma castanha de caju que acabava de rebentar, inchada, no desejo vegetal de ser árvore. Dobrado sobre si mesmo, o caule parecia mais um verme, um caramujo a carregar a sua casca, do que uma planta em eclosão. A castanha guardava, ainda, as duas primeiras folhas úmidas e avermelhadas, as quais eram como duas joias flexíveis que tentassem fugir do seu cofre.– Mamãe, olhe o que eu achei! – grito, contente, sustendo na concha das mãos curtas e ásperas o monstrengo que ainda sonhava com o sol e com a vida.
– Planta, meu filho... Vai plantar... Planta no fundo do quintal, longe da cerca...Precipito-me, feliz, com a minha castanha viva. A trinta ou quarenta metros da casa, estaco. Faço com as mãos uma pequena cova, enterro aí o projeto de árvore, cerco-o de pedaços de tijolo e telha. Rego-o. Protejo-o contra a fome dos pintos e a irreverência das galinhas. Todas as manhãs, ao lavar o rosto, é sobre ele que tomba a água dessa ablução alegre. Acompanho com afeto a multiplicação das suas folhas tenras. Vejo-as mudar de cor, na evolução natural da clorofila. E cada uma, estirada e limpa, é como uma língua verde móbil, a agradecer-me o cuidado que lhe dispenso, o carinho que lhe voto, a água gostosa que lhe dou.O meu cajueiro sobe, desenvolve-se, prospera. Eu cresço, mas ele cresce mais rapidamente do que eu. Passado um ano, estamos do mesmo tamanho. Perfilamo-nos um junto do outro, para ver qual é mais alto. É uma árvore adolescente, elegante, graciosa. Quando eu completo doze anos, ele já me sustenta nos seus primeiros galhos. Mais uns meses e vou subindo, experimentando a sua resistência. Ele se balança comigo como um gigante jovem que embalasse nos braços o seu irmão de leite. Até que, um dia, seguro da sua rijeza hercúlea, não o deixo mais. Promovo-o a mastro do meu navio e, todas as tardes, lhe subo ao galho mais empinado, onde, com o braço esquerdo cingindo o caule forte, de pé, solto, alto...Aos treze anos da minha idade, e três da sua, separamo-nos, o meu cajueiro e eu. Embarco para o Maranhão, e ele fica. Na hora, porém, de deixar a casa, vou levar...E estou em São Luís, homem-menino, lutando pela vida, enrijando o corpo no trabalho bruto e fortalecendo a alma no sofrimento, quando recebo uma comprida lata de folha acompanhando uma carta de minha mãe: “Receberás com esta uma pequena lata de doce de caju, em calda. São os primeiros cajus do teu cajueiro. São deliciosos, e ele te manda lembranças...”Volto, porém. O meu cajueiro estende, agora, os braços, na ânsia cristã de dar sombra a tudo. A resina corre-lhe do tronco mas ele se embala, contente, à música dos mesmos ventos amigos. Os seus galhos mais baixos formam cadeiras que oferece às crianças. Tem flores para os insetos faiscantes e frutos de ouro-pálido para as pipiras morenas. É um cajueiro moço, e robusto. Está em toda a força e em toda a glória ingênua da sua existência vegetal.O mundo toma-me nos seus braços titânicos, arrepiados de espinhos. Diverte-se comigo como a filha do rei de Brobdingnag com a fragilidade do capitão Gulliver. O monstro maltrata-me, fere-me, tortura-me. E eu, quase morto, regresso a Parnaíba, volto a ver minha casa, e a rever o meu amigo.– Meu cajueiro, aqui estou!
Mas ele não me conhece mais. Eu estou homem; ele está velho. A enfermidade cava-me o rosto, altera-me a fisionomia, modifica-me o tom da voz. Ele está imenso e escuro. Os seus galhos abraçam coqueiros, afogam laranjeiras que noivam, ou ultrapassam a cerca e vão dar sombra, na rua, às cabras cansadas, aos mendigos sem pouso, às galinhas sem dono… Quero abraçá-lo, e já não posso. Em torno ao seu tronco fizeram um cercado estreito. No cercado imundo, mergulhado na lama, ressona um porco… Ao perfume suave da flor, ao cheiro agreste do fruto, sucederam, em baixo, a vasa e a podridão!

– Adeus, meu cajueiro!

 

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Prêmio Nísia Floresta.

 

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O Prêmio Nacional Nísia Floresta de Literatura é uma iniciativa inovadora que celebra a rica tradição literária do Brasil. O Prêmio que tem abrangência nacional, selecionará obras literárias inéditas no gênero cordel, tendo como tema "Negritude Brasileira". O Prêmio Nacional Nísia Floresta de Literatura celebra a memória e o legado de uma grande escritora potiguar e brasileira, considerada a primeira feminista da América Latina.
Quem foi Nísia Floresta?
Nascida em 1810, Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida como Nísia Floresta, é dona de uma trajetória de vida intensa, marcada por importantes lutas que a colocaram à frente de seu tempo. Seu nome está inserido na memória do Brasil por vários aspectos da sua vida e da sua obra. Nísia atuou em pleno século XIX, extrapolou os limites do conservadorismo, foi escritora, indianista, abolicionista e educadora em uma época marcada pelo preconceito e pelo machismo. Nísia Floresta Brasileira Augusta foi, sem dúvidas, uma grande mulher cujo legado merece ser conhecido. Não há quem não se identifique com a sua forma de pensar e com a clareza com que defendeu seus ideais.
Além da premiação em dinheiro para os 05 (cinco) primeiros colocados, os 20 textos com melhor pontuação irão compor a publicação da 2ª edição da Coletânea Poética.
Para imnscrição, siga o LINK: https://premionisiafloresta.com.br/#5640aa7c-2471-4f18-8b11-987765161344

 

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Outubro de Livros e Justiça

Lançamentos.

 

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Três lançamentos literários movimentam o cenário cultural e jurídico do Maranhão neste mês de outubro. No dia 9, a escritora Ceres Costa Fernandes reúne leitores no Convento das Mercês, em São Luís, para apresentar quatro de suas obras: Apontamentos de Literatura Medieval, Contos de Desamor, De Peixes & Solidão e Café Literário de Criatividade e Inspiração. O evento, com apoio cultural da Potiguar, Cultura e Governo do Maranhão, marca um importante momento de difusão da literatura maranhense contemporânea.

No dia 10, às 17h, a Editora Mizuno e um grupo de juristas realizam o lançamento da coletânea Liber Amicorum, volumes I e II, em homenagem ao ministro Reynaldo Soares da Fonseca, na Justiça Federal do Maranhão. As obras reúnem ensaios e reflexões de renomados autores do Direito brasileiro, celebrando a trajetória intelectual e humanista do ministro e reforçando o papel da literatura jurídica como ponte entre ética e justiça.

Encerrando o ciclo de estreias, no dia 17 de outubro, às 18h, o juiz e professor Roberto Carvalho Veloso lança o livro Viagem no Direito, na Universidade Ceuma – Campus Imperatriz. A obra propõe uma travessia entre o pensamento jurídico e a experiência humana, reafirmando que o Direito, quando humanizado, é também um território de viagem interior.

 

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A HISTÓRIA DO FARDÃO

Com fardão herdado de Candido Mendes, Paulo Henriques Britto quer mergulhar a ABL na poesia
Na noite em que soube que o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, professor da PUC-Rio há mais de 40 anos, tinha sido eleito para a Academia Brasileira de Letras, a médica Margareth Dalcolmo botou a cabeça no travesseiro e bastaram cinco minutos de pensamento para tomar uma decisão: oferecer ao novo imortal o fardão de seu marido, o Acadêmico Candido Mendes, morto em 2022. (Para ler a íntegra: www.facetubes.com.br)

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