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VICEVERSA PARTE (02) Edmilson Sanches/Mhario Lincoln

Entrevista livre

16/11/2020 14h22 Atualizada há 1 semana
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Por: Mhario Lincoln Fonte: FACETUBES.COM.BR
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VICEVERSA (Parte 02)


Edmilson Sanches pergunta para Mhario Lincoln

 

1 –EDMILSON SANCHES: Vamos começar pelo fim. Talvez cada pessoa devesse pedir a Deus para que Ele não permita que alguém morra sem que tenha tido a condição de realizar seus bons potenciais. Que potencial não realizado, que desejo não atendido, que sonho não materializado você gostaria que se concretizasse antes de mudar-se para o outro lado da Vida? E, colocando uma pedra final sobre o assunto, que frase você sugeriria que fosse gravada em lápide e que pudesse resumir você ou algo de você?

R: MHARIO LINCOLN: Começo pelo fim, igualmente. Na minha lápide, o que escrevi em meu livro ‘A Bula dos Sete Pecados’, no poema (Piões e Teares): “Hoje, Amanheci Ontem!”. Quanto às realizações, o que passamos no Planeta Terra é uma grande experiência d’alma. O paradigma de tudo isso é o olhar das pessoas sobre o prisma de uma vida única, despertando profundo sentimento de injustiça, quando a pessoa falece, antes de utilizar ou desenvolver todo o seu potencial. Entendo claramente. Quanto a mim, não me prendo ao materialismo das realizações físicas. Vejo as realizações como algo ligado diretamente à transformação moral. E isso se dá através do autoconhecimento. Desta forma, caso não possa realizar meus ‘quereres’ dentro de meus limites, nesta passagem terrestre, não me desesperarei, pois acredito que em próximas oportunidades as realizarei. Cabe, ainda, uma doída pergunta: para que e com qual objetivo o Homem é insaciável na busca pela Fama, pelo Sucesso e Riqueza? Tenho a firme convicção que por trás de muitas das ávidas vontades de obter Sucesso, Poder e Riqueza, existe algo chamado ‘egoísmo’, intrinsecamente ligado à dureza dos corações. E a partir daí, por mais Riqueza, Poder ou Sucesso que a pessoa possa alcançar, sempre viverá em total pobreza espiritual, sempre estará irritado com alguma coisa, sempre se autopetrificará por não aceitar opiniões de quem o quer recolocar no rumo da vida útil.

 

2 – ES: Sobre o exercício da Espiritualidade. Assim epidermicamente, parece muito fácil ser grato a Deus, louvá-Lo, amá-Lo, quando se está bem e numa boa  --  como se diz por aí, em linguagem curta e carregada. A prática espiritual tem um quê de “teologia da retribuição”. É possível amar a Deus como Jó, sem esperar d’Ele nada mais além do que Ele já deu -- o milagre de existir -- e continuar amando-O mesmo quando estamos perdendo tudo -- a dor de despossuir?

R-MH: Excelente questão, meu amigo. Incentiva-me a falar como eu compreendo tudo isso: então, a Fé de Jó é realmente invejável. Contudo, ocorre na planície dos humanos normais, muita dificuldade para que a Fé não seja influenciada por períodos cármicos. Isso porque, em meu bestunto, o amor a Deus escapole das manifestações de tristeza ou prazer. Nenhuma dessas duas lides sentimentais deve interferir na Fé, enquanto plasma espiritual. Há uma abissal diferença quando se fala em Fé diante de acontecimentos físicos, sentimentais ou patrimoniais; e Fé envolvida pelo halo emergido dos fluídos da alma. O sentimento verdadeiro da Fé se constrói única e exclusivamente a partir da Consciência, nesse importante papel de estruturação inteligente do Universo. O simples fato de existirmos, não é um ‘milagre’, mas sim, porque ao nosso espírito, foi concedida uma nova chance para a ampliação da consciência, id est, consciência essa atrelada diretamente à capacidade de Crer ou não Crer, seguindo a norma universal do ‘livre arbítrio’. Quanto à dor de ‘despossuir’ – com pertinência a Fé Espiritual, acho improvável. No sentido da Fé física, sentimental, condicional e patrimonial, acredito de forma positiva. Todavia, com observância do viés probatório. Riqueza e pobreza, no espectro físico, são provas. Cada espírito necessita passar por elas. Porque o objetivo mais alto é o progresso, não material, mas, exclusivamente, o espiritual. Dessa forma, Deus – esse Espírito Superior - concede a uns, a prova da riqueza e a outros, a da pobreza; essas, sem dúvida, experiências diferenciadas onde o ‘livre arbítrio’ – repito – irá ser o fiel da balança. Então em qual dos conceitos de ‘despossuir’, deveremos nos incluir?

 

 

3 –ES: Você foi convidado para fazer palestra para acadêmicos de Comunicação Social em universidade de São Luís, sua terra natal, e não ficou satisfeito com o que constatou. O que aconteceu e que reflexões e sugestões você faria a partir desse episódio?

R-MH: Na verdade, tais fatos não me surpreendem mais. Na época, sim! Porém, ao refletir diante das condições pelas quais as universidades se encontram, ninguém tem culpa. É um fato cultural dentro de uma mudança ideológica insustentável, onde cada um, do Reitor ao Ministro da Educação, do aluno ao professor, todos, fazem esforços hercúleos para sobreviver diante dos fatos. É o resultado do que se costumou chamar, de 2000 para cá, de ‘Geração Z’ ou ‘centennials’. Uma geração de curiosidade ilimitada. Contudo, (só) ao que acontece nas redes. Dificilmente alguém se lembra das Bibliotecas Públicas cheias de histórias, dos jornais impressos, das colunas sociais. Mesmo assim, não considero a ‘Geração Z’, alienada. São novos tempos. Após pensar e refazer meus conceitos – tento muito não tomar nenhuma atitude sob reações abruptas – cheguei à conclusão de que não poderia ‘obrigar’ nenhum dos alunos com quem conversei naquele dia, a conhecer os potenciais de alguma pessoa de destaque em São Luís, a quem admirava muito e que até hoje, me dá muitas saudades.

 

4 – ES: A criança é mais velha do que o adulto. Nossa geração, que aprendeu a respeitar os mais velhos, preserva com carinho nossas lembranças crianças, meninas. Quais suas mais antigas lembranças de infância?

R – MH: De um garoto comum. Brincava na rua, com ‘chucho’, de bolinha de gude, papagaio, bode, jamanta. Fiz cerol no trilho do bonde com cacos de lâmpada fluorescente queimada. Nada de especial. Nunca tive problemas existenciais. Muitas lembranças são iguais aos moleques de minha geração e nas condições sociais em que eu vivia. Mas há um fato que nunca contei para ninguém e que também fez parte de minha infância. Na época Ted Boy Marino era o ídolo do nosso grupo de rua. Nós ficávamos acordados para ver, pela televisão de minha vizinha, em frente à casa onde morava, na rua dos afogados, ao “Telecatch Montilla”. Então decidi, junto com meu grupo, construir um ringue e promover uma luta para os moradores do local, por alguns trocados. E assim foi feito. Fiz o papel de verdugo, com uma perna defeituosa (meu joelho foi preso com Emplasto Sabiá, por isso, não tinha flexibilidade). Um dos pequenos bonitos da rua, fez o papel de Marino e a primeira luta do dia foi Verdugo x Ted Boy Marino. E qual foi o resultado: o loiro, mais alto e mais forte que eu, me deu um murro pra valer (era só brincadeira, até então) e o meu lábio inferior foi ferido brutalmente, jorrando bastante sangue. Meus pais chegaram e encerraram a brincadeira. O pior: os vizinhos vieram atrás de mim para receberem os trocados que pagaram para ver todas as lutas (eram 4). Mas foi um outro amigo que ficou responsável pela caixinha de sapato da grana. Passada a confusão soube depois que esse nosso amigo da arrecadação quando viu a confusão, correu para a Padaria ‘Santa Maria’, na mesma rua dos Afogados, e foi comer ‘bolachinha’ com refresco de cupuaçu, gastando os trocados dos espectadores frustrados.

 

5 –ES: Temor a Deus, respeito aos mais velhos, obediência aos pais... Antigamente, a isso se chamava “criação”, uma forma conservadora e segura de, a partir do ambiente doméstico, educar os filhos, fazendo-os vivenciarem importantes interações sociais antes  -- e mesmo depois --  da maioridade. Que diferenças essenciais você vê entre o “modus vivendi” das gerações de filhos de meados do século 20 para trás em relação às gerações das décadas posteriores, em especial as mais recentes, do início deste 3º Milênio?

R- MH: A primeira coisa que devo enfocar aqui é a evolução, seja ela para melhor ou pior. Mas há uma evolução no que se refere às relações pais/filhos. Não há como afirmar que as formas conservadoras de criação podem ser hoje, “seguras”. Muitos estudiosos afirmam que o Mundo mudou, porém, acredito que foram os conceitos Morais que mudaram. A liberdade de pensar, também. As barreiras que sufocavam grande parte da humanidade ruíram. Tanto que no que concerne aos quesitos EDUCAÇÃO e MORAL, basta entender as conceituações, antes, de Karl Marx e Max Weber, isso no século XIX, e, logo em seguida, uma espécie de compensação histórica, no século XX. Mas neste XXI, muita coisa ainda pulula, advinda de pensadores importantes, afetando diretamente as relações da vida social do homem e as vidas política e cultural, também. Daí, discussões nessa área sempre passam por Paulo Freire, Frei Beto e Bernard Charlot, exemplificando esses que já li, principalmente quando o assunto é a modernização dos básicos conceitos da vida, numa envolvente corrente vida/educação/conceitos/preconceitos. A começar pela ‘família moderna’. Os pais de hoje possivelmente seguem ideias de Antonio Negri, autor do livro “Império”, obra-manifesto da antiglobalização. Os filhos hoje seguem uma linha da ‘autoliberdade’ e do autoaprendizado. Na maioria das famílias (eu tenho um neto de 17 anos) o autoaprendizado através de tantos quantos sejam os meios virtuais, é uma realidade. Portanto, o nosso ‘modus vivendi”, o meu precisamente, dos anos 50, caiu, infelizmente, em desuso. O Terceiro Milênio trouxe uma nova característica humana e todos os seus possíveis relacionamentos: "A minha geração se ferrou", diz Dado Schneider a uma plateia predominantemente jovem, em uma das tantas palestras que concedeu a universitários. E completa: "(...). Quando eu era jovem, tive de me adaptar aos velhos. Agora, para ser um velho aceitável, eu tenho de me adaptar aos jovens, pois esses, já nasceram novos humanos, diante de um mundo dominado pela internet, com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta.” E encerro com a frase dele: “O Mundo mudou, bem na minha vez”.

 

 

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6 – ES: Alguns Países investem muito à procura de novos mundos para a Humanidade. Se encontrados, teríamos de investir muito mais no seu preparo, ambientação e colonização. Enquanto isso, maltratamos cegamente o melhor dos mundos para nós--o nosso mundo, a nossa Terra. O homem terminará sendo mesmo o lobo do homem, como escreveu o romano Plauto há uns vinte e três séculos, devidamente apropriado pelo inglês Hobbes no século 17?

R-ML: Passeando pelas beiradas do mapa ‘mundi’ virtual, encontrei um pensamento incrível de Norberto Keppe. Esse cara é o fundador da Sociedade Internacional de Trilogia Analítica (Sita). Trabalhou com o psicanalista Viktor Frankl, outro ‘monstro sagrado do século XX’, neuropsiquiatra austríaco e fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, a ‘Logoterapia e Análise Existencial’. E como você citou Plauto, convido Keppe a entrar na conversa. Ele diz: “(...) o ser humano possui uma energética invertida e, devido a essa inversão inconsciente, tem essa atitude autodestrutiva e alodestrutiva, na quase totalidade de sua trajetória existencial”. Destarte, não se trata de nada extraterrestre, nem fora da caixinha, tudo isso que vem acontecendo ao Planeta Terra. Igualmente, C.J. Jung costumava enfatizar isso em sua obra, onde procura mostrar a ‘desconexão do homem com a natureza’ e, como consequência, ‘consigo mesmo’. Desta forma, o romantismo acrescentado a uma situação intestina e praticamente irreversível, diz respeito muito mais à essência humana, do que propriamente fiscalização humana, diante da destruição da Terra. Ou seja, carece muito mais de uma reeducação ambiental intensa, sincronizada, universal e sistematizada, a partir da consciência individual de quem esteja no topo da cadeia alimentar.

7-ES: Advogado, você conhece a letra da Lei. Compositor, escritor, jornalista, você conhece a lei das Letras. Com o universo das redes sociais favorecendo a geração de uma cultura de linguagem imagética, visual, e escrita sincopada, abreviada, quais suas percepções e apreensões em termos do futuro da escrita e da leitura?

R-MH: Tenho algumas reflexões muito pessoais acerca. O que me aflige, sem dúvida, é como a ‘praticidade’ tomou conta da Nova Era. Essencialmente pelo modo de ‘entrega’ da cultura. São mudanças generalizadas – acredito que nem tanto na essência. E tudo isso tem um vilão, quando penso no meu doce ‘Remington’. A força das TICs — Tecnologias de Informação e Comunicação – é algo palpável e real. Não haverá volta: a cultura digital passou a integrar, em definitivo, nossas práticas, nossos costumes e nossa forma de interagir socialmente. E como é rápida a mobilidade dos principais fenômenos tecnológicos. Tento acompanhar tudo isso para não ficar restrito ao ‘meu’ mundo. Então, tive que improvisar para não ser descartado pelos meus netos, com quem tenho bons diálogos. Por exemplo: meu apartamento me forçou a me desfazer de uma coleção de excelentes livros universais, com direito a choro e tudo. Meu neto mais velho me sugeriu que adquirisse ‘e-books’ e os guardasse em meus equipamentos eletrônicos. E ainda disse: “(...) vovô, livro é pra se ler, não pra ficar olhando e nem decorando a estante. Se é pra ler, leia no PDF”.  E lá estão arquivados alguns dos livros importantes para meu cotidiano. Daí, se essa for a tendência, logo os aficionados pela leitura estarão com uma Biblioteca de Constantinopla nas ‘nuvens’, com acesso gratuito, fácil e rápido. É uma evolução conceitual: da escrita cuneiforme - a grande revolução Suméria – passando pelos hieróglifos egípcios, evoluindo até a imprensa de Gutemberg. Tudo foi uma evolução conceitual e extraordinária. Desta feita, com as TICs, o Mundo caminha para mais uma grande virada. Por outro lado, com relação às minhas apreensões, sem dúvida, passam pela possibilidade de não ter mais tanto tempo para me adaptar a essas mudanças. Consegui sobreviver a três delas: do Linotipo para o Offset e para as Variações Digitais de Impressão e Composição, até o exato momento. Não sei se ainda tenho tempo para chegar ao topo das TICs. (Obs: Agradeço pela oportunidade que você me deu nessa pergunta de consubstanciar um pouco mais o meu pensamento).

 

8–ES:  Toda comunidade desenvolvida é uma comunidade leitora -- de leitores de livros... e não de telegramas. Qualquer texto com um pouco mais de linhas já é chamado de “textão”, revelando falta de hábito, preguiça, apatia, comodismo em relação a conteúdos que exigem um pouco mais de tempo e capacidade mental. Apesar desses pesares, nas “tábuas mandamentais” lincolnianas de leituras, que dez livros, ou quinze, ou vinte..., você recomendaria que fossem lidos?

R-ML: Um detalhe: esta é minha opinião pessoal. Respeito todas as contrárias. Começo com o que vivenciei desde cedo em minha carreira. No começo fiz parte do escritório de advocacia do meu pai, alguns meses após minha formação superior em Direito. Era o datilógrafo do grupo. Por isso, tinha que ler tudo escrito à mão por ele. Ficava impressionado com micropetições de apenas 1 lauda e meia, até duas. E pela forma incrível como em poucas linhas cabia toda uma história processual (incluindo os preceitos jurídicos pertinentes). Acredito que essa força de síntese concorreu para suas inúmeras vitórias nos tribunais, inclusive, no Supremo. Isso, em meados dos anos 70/80. Alguém um dia me falou: “quando se escreve com musculosidade de conhecimentos, uma frase convence (...)”. Pode ter sido por essa razão que os julgamentos das causas em que meu pai subscreveu tenham sido rápidos e as sentenças, respostas jurídicas objetivas e diretas. Tento seguir esse conceito até hoje. (Muitas vezes não consigo). Mas outra coisa na pergunta, ainda me chama a atenção, permita-me desmembrá-la. Refere-se aos grandes textos: o leitor que escolhe textos rápidos e objetivos, não deve ser alcunhado de preguiçoso. Ler ‘Seleções”, ao invés de ler a revista “Caras”, não consagra inteligência ou preguiça. Os últimos tempos obrigou a muitas mudanças no que tange à forma de ler, escrever e se comunicar verbalmente. É a formatação de uma nova tendência cultural no Planeta. Tanto que o pensador canadense Marshall McLuhan assegura que um internauta (essa é atitude da maioria) que salta de site em site condiciona a mente para receber informações de forma rápida. Ou seja, a internet como um todo, é um território com maioria esmagadora de informações, onde ler rápido, requer mais chances de colher um maior número de conhecimentos, mesmo que em alguns casos, com pouca essência. A concorrência humana atual, seja ela em quaisquer setores, requer essa agilidade. A nova linguagem métrica virtual, impõe a essas informações ‘textos curtos com especificidade e objetividade. Em caso contrário, raros serão os leitores’, complementa McLuhan.  Para falar a verdade, o último livro de 900 páginas que li foi “Pilares da Terra”, de Ken Follett. Vou contar um segredo: acabei baixando muitos dos capítulos do livro físico no meu equipamento eletrônico. Assim, pude lê-lo nas folgas e onde estivesse, sem ter que carregar um livro (capa dura) tão pesado e difícil para folhear. E quando preciso ler algo para ajudar em meus textos, procuro ‘Cem anos de Solidão’, ‘Vinte mil léguas submarinas’, ‘Parnaso de Além Túmulo’, ‘D. Quixote’, ‘Metamorfose’, ‘1984’, ‘Dom Casmurro’, ‘Grande Sertão: Veredas’ em meu celular. Todavia, guardo livros físicos de autores maranhenses, importantes que me servem de caminho, quando preciso de alguém para ‘alumiá-lo’: ‘Tambores de São Luís”. “A antibiótica nomenclatura do inferno”, obra de 100 páginas, maravilhosa. ‘A Conquista’ e ‘Maria da Tempestade’.  Esses, são meus acompanhantes durante o ano pandêmico. (2020).

9 – Nosso Estado, o Maranhão, pelo talento e esforço de diversos de seus filhos, deu uma gigante contribuição ao Brasil e ao mundo. Assim, en passant, podemos afirmar que eram maranhenses quem criou a Bandeira do Brasil (cujo dia é daqui a pouco, em 19 de novembro) e quem deu a ideia de o Hino Nacional ter uma letra. Ou seja, os dois maiores símbolos do Brasil têm a presença maranhense, incluindo-se também os versos de Gonçalves Dias em estrofe do Hino. Maranhenses também são o criador do Ministério da Agricultura (e presidente de honra da Sociedade Nacional de Agricultura); o primeiro dramaturgo negro do Brasil; o primeiro tradutor de Shakespeare para a Língua Portuguesa; o introdutor do cinema seriado no Brasil; o idealizador do Teatro Municipal do Rio de Janeiro; o maior governador do Amazonas; o autor da primeira música sertaneja gravada no Brasil; o criador da primeira companhia imobiliária do País; os idealizadores do primeiro banco privado brasileiro; o inventor do stent (microtubo que se introduz em artérias para regular fluxo sanguíneo para o coração); o fundador dos bairros Grajaú no Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Maranhenses são o redator da Lei do Ventre Livre; o autor da Lei que permitiu a liberdade de crença e culto (com a separação da Igreja do Estado); o autor do primeiro livro científico de Odontologia no Brasil (dentista pioneiro no uso de anestesia e considerado “Glória da Odontologia Brasileira”); o patrono da Medicina Legal brasileira (junto com o médico e escritor baiano Afrânio Peixoto); o criador da Antropologia Criminal; o inspirador da criação da Funai (Fundação Nacional do Índio); o pioneiro nas lutas pelas leis de proteção à mulher trabalhadora, ao menor trabalhador, ao doente mental e ao índio; o introdutor do Indianismo na Literatura Brasileira; o introdutor do Parnasianismo; o introdutor do Naturalismo; um dos criadores do Concretismo e do Neoconcretismo na Literatura Brasileira; o introdutor do Modernismo nas Artes Plásticas brasileiras; o precursor do romance policial no Brasil; o professor e dramaturgo que é considerado “A Pedra Angular do teatro Paranaense” (e que estudou com grandes nomes do Cinema e Teatro mundial, como Federico Fellini, Roberto Rossellini, Michelangelo Antonioni, Laurence Olivier, Luchino Visconti...). São maranhenses o responsável pela elevação da capoeira como esporte, arte, técnica, dança, luta digna; o escritor três vezes indicado ao Prêmio Nobel; o precursor da Tradução Criativa no Brasil; o médico que é considerado o maior matemático da História brasileira e um dos maiores do mundo; o patrono da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras; o pioneiro no estudo do Folclore no Brasil; o responsável pela reabilitação do violão como instrumento musical digno no Brasil; a sacerdotisa de culto afro-brasileiro e última princesa da linhagem direta fon (estudada por escritores, sociólogos e antropólogos brasileiros e estrangeiros); o professor considerado “Mestre dos Mestres” em São Paulo. Também são maranhenses um campeão internacional de hipismo (inclusive recentemente); o pioneiro no estatuísmo (“estátuas vivas”) no Brasil; o pioneiro em organização de Cerimonial & Relações Públicas; um dos fundadores da União Nacional dos Estudantes; um aviador herói da 2ª Guerra Mundial; a “mãe dos pobres” de São Paulo (capital); os primeiros músicos brasileiros a subirem ao palco do primeiro “Rock in Rio” (janeiro de 1985); o primeiro ministro da Ciência e Tecnologia do país; o escritor mais lido do Brasil em sua época; o primeiro presidente do Conselho Brasileiro de Fitossanidade; o dramaturgo, poeta, contista e jornalista e compositor, considerado entre os primeiros letristas profissionais da música popular brasileira. Também são maranhenses o escritor e jornalista que iniciou a “revolução” gráfica na Imprensa brasileira; o antropólogo, veterinário e ictiólogo que foi um dos primeiros pesquisadores mestiços de reconhecimento científico internacional, fundador da Academia Amazonense de Letras, com placa e álea com seu nome no Jardim Botânico do Rio de Janeiro; o prefeito exemplar de capital no Sul-Sudeste, autor literário reconhecido em diversos países; o autor do primeiro livro de gramática da Língua Portuguesa no Brasil; o fundador da primeira tipografia de São Paulo; o jornalista e escritor que, bem antes de Euclides da Cunha, foi o primeiro a chegar a Canudos e a escrever e publicar livro sobre a “Guerra de Canudos”, na Bahia (1896-1897); o responsável pela primeira contagem populacional (recenseamento) do Brasil, em 1872; o primeiro presidente do Banco do Brasil; a        cantora, compositora, multiinstrumentista, professora e folclorista, considerada a “Rainha do Acordeom” e a segunda maior compositora brasileira em número de músicas gravadas, que com menos de 15 anos já se apresentava no exterior, teve composições gravadas em outros países e por grandes nomes da música brasileira, como Nara Leão, Fagner, Clara Nunes, Marlene, Dóris Monteiro, Inesita Barroso, Marinês e Sua Gente, Carlos Galhardo e Zé Ramalho; o músico considerado, na sua época, o melhor violinista do Brasil; os poetas considerados, na época de cada um, o maior poeta vivo brasileiro; a banda militar maranhense que é a segunda criada na história do Brasil; e outros maranhenses e ocorrências que foram/são destaques nacionais e internacionais na Ciência & Tecnologia, nas Artes e Cultura (Música, Literatura, Pintura etc.), Meio Ambiente, Educação, Medicina & Saúde, Administração Pública e Empresarial etc. Com base nessa exaustiva  -- e ainda assim curta --  lista de grandes nomes maranhenses (que compõem o projeto “Enciclopédia Maranhense”, que elaborei), faça uma reflexão sobre o fato de nosso Estado ser conhecido “lá fora” apenas por indicadores socioeconômicos péssimos (que devem ser combatidos, revertidos), mas esquece, nosso Maranhão, de divulgar para o Brasil e além o que de bom a História registra que foi feito. O Maranhão esquece de se assenhorear do pioneirismo, dos esforços, do resultado do talento e lutas de seus próprios filhos, que verdadeiramente contribuíram para formar, fixar e ampliar a Identidade Brasileira e ajudar a tornar melhor nosso País nas diversas áreas.

R – MH: Não posso responder a esse tão completo argumento. Só parabenizá-lo pelo esforço hercúleo de reunir grande parte de nossas pérolas para mostrar aqui, o valor que o maranhense possui, valor esse, perdoem-me, pouco reconhecido pelos conterrâneos. Talvez aí, esteja o ponto nevrálgico de tudo isso.

 

10-ES: Entre as muitas interrogações que aqui não foram feitas (são tantas...), que pergunta seus conhecimentos profissionais estimariam responder e para qual questionamento sua consciência pessoal preferiria silenciar?

R-MH: A questão da vida, como um todo: o Egoísmo, a Inveja, o Orgulho e a Ambição, como elementos que têm atrapalhado demais a evolução da raça humana. Deveríamos atentar para a autorreflexão, antes de gritar aos quatro cantos a disposição inquieta de ‘mudar o Mundo ou alguma coisa’. Essa autorreflexão passa pela tentativa fundamental de automudança, quebrando paradigmas como a insistência em continuar cometendo erros explícitos, somente para reafirmar caprichos pessoais e intransferíveis, numa tentativa frustrada de mostrar um ‘poder’ ilusório. Falo também por mim: passei por algumas situações pertinentes, mas lutei por minha serenidade para aceitar as coisas que não podia modificar. Esforcei-me para ter coragem suficiente para modificar as que podia. E por fim, usei meu raciocínio lógico e necessário para distinguir o que podia e o que não podia modificar em minha vida e em meus relacionamentos. E aqui, estou eu. Muito feliz por construir amigos como você. 

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