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A peça “O Preso” transforma corrupção e fanatismo em retrato ácido do Brasil atual

“O preso não é só o político, somos nós. Somos os cúmplices, os cegos convenientes, os que elegem, os que perdoam, os que esquecem”. Jul LEardini

08/11/2025 às 12h32
Por: Mhario Lincoln Fonte: Andressa Tavares - Jornalista
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O PRESO

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Andressa Tavares - Jornalista

 

A corrupção, o fanatismo e a falsa moral ganham corpo e voz no palco com “O Preso”, nova montagem escrita e dirigida por Jul Leardini, que estreia no Teatro Novelas Curitibanas, em Curitiba, no dia 13 de novembro de 2025, com entrada gratuita. O espetáculo segue em cartaz até 14 de dezembro, sempre de quinta a domingo, às 20h, trazendo no elenco Ulisses Iarochinski e Diego Avelleda em atuações intensas e simbólicas.

 

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Mais do que uma crítica, “O Preso” é um espelho incômodo da sociedade brasileira contemporânea. A peça reflete as contradições de um país onde discursos sobre moral, família, religião e patriotismo convivem, e frequentemente se misturam, com corrupção, cobiça e violência.

 

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O retrato do “homem de bem”

 

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O protagonista, Cabrálio Balaústra, é a síntese do político brasileiro típico das últimas décadas. Patriota, religioso, defensor da família e da propriedade - mas igualmente ganancioso, corrupto e violento. Preso por corrupção, Cabrálio mergulha em um processo de degradação moral e humana: a família se desagrega, os amigos desaparecem, e os antigos parceiros passam a explorá-lo, exigindo propinas e favores mesmo atrás das grades.

 

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No entanto, o poder não o abandona. Dentro da prisão, Cabrálio mantém privilégios e regalias, sustentadas pela corrupção que move o próprio sistema carcerário.

 

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“O personagem é resultado de um caldeirão que mistura política, religião, moralidade e crime. Ele não é uma caricatura isolada, mas um reflexo de muitos nomes, rostos e discursos que marcaram o país nas últimas décadas”, explica o diretor Jul Leardini.

 

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O dramaturgo destaca que o texto não busca retratar uma figura específica, mas sim uma estrutura de poder entranhada na cultura política brasileira.

 

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“Cabrálio representa uma engrenagem que não para. Ele é o produto e o produtor de uma lógica corrompida que já faz parte da nossa normalidade. O público vai se reconhecer - não necessariamente no político, mas no sistema que o mantém”, afirma Leardini.

 

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Teatro como espelho e denúncia

 

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Com cenografia e sonoplastia também assinadas por Leardini, o espetáculo aposta na fusão entre teatro, imagem e som para criar uma experiência sensorial intensa. A encenação é marcada por um ritmo cinematográfico, em que os espaços se transformam - cela, palanque, templo e tribunal se confundem, revelando a sobreposição entre fé, poder e impunidade.

 

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A iluminação de Beto Bruel conduz o olhar do espectador pelos contrastes da narrativa - entre o brilho do poder e a penumbra da culpa - enquanto as músicas compostas por Leardini e os arranjos de Adriano Sátiro reforçam a atmosfera crítica e irônica da trama.

“O teatro tem a função de provocar. De incomodar. Não queremos que o público saia confortável. 

 

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Queremos que saia pensando, rindo nervosamente, reconhecendo no palco o absurdo que virou cotidiano”, diz o diretor.

Com humor corrosivo, sarcasmo e poesia, “O Preso” questiona a cumplicidade social que sustenta a corrupção, apontando o dedo não apenas para o político, mas para uma cultura de idolatria e fanatismo.

 

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“O preso não é só o político, somos nós. Somos os cúmplices, os cegos convenientes, os que elegem, os que perdoam, os que esquecem. A prisão, na peça, é também simbólica: a prisão das ideias, das crenças e das mentiras que escolhemos acreditar”, completa Leardini.

 

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Um espetáculo necessário

 

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Produzida pela ÊXEDRA Pesquisa e Experimentação Teatral, a montagem reafirma o compromisso do grupo com um teatro de reflexão política, estética apurada e engajamento social.

 

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“O Preso” é, antes de tudo, uma convocação à consciência crítica.

“Vivemos tempos em que se confundem fé e ideologia, moral e poder, religião e mercado. Essa peça não traz respostas, mas tenta abrir fissuras. É um convite para que o público olhe de frente o que preferimos ignorar”, resume o diretor.

 

 

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Ficha Técnica

Texto, direção, cenografia e sonoplastia: Jul Leardini

Elenco: Ulisses Iarochinski e Diego Avelleda

Iluminação: Beto Bruel

Figurinos e maquiagem: Marcelino de Miranda

Programação visual e coordenação: Cirlei Gonçalves

Músicas: Jul Leardini

Operação de iluminação: Nadia Luciani

Estagiárias de iluminação: Maria Eduarda Teixeira e Gabriela Vieira (LABIC-FAP)

Operação de imagens: Jul Leardini

Objetos cenográficos: Ivana Lima e Laercio Leardini

Cenotécnicos: Ivana Lima, Karla Rocha e Cirlei Gonçalves

Operação de sonoplastia: Orlando Brasil

Arranjos musicais: Adriano Sátiro

Interpretação musical: Jul Leardini, Adriano Sátiro e Norma Cecy

Vozes off: Loana Terra, Claudia Venturi e Jul Leardini

Estúdio de gravação: Nilton Andrade (Studio THz)

Acessibilidade em Libras: Acessa Produções – intérprete Bruna Garcia

Produção: ÊXEDRA Pesquisa e Experimentação Teatral

Produção local: Arliet Lira

Transporte: Orlando Brasil Júnior e Frete Moreira

Assessoria de imprensa: Andressa Tavares

Agradecimentos: Luiz Gustavo Vardânega Vidal Pinto, Marli Wor e Rosangela Aparecida Silva

 

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Serviço

O Preso – Peça Teatral

 Local: Teatro Novelas Curitibanas – R. Presidente Carlos Cavalcanti, 1.222, São Francisco, Curitiba – PR

Datas: 13 de novembro a 14 de dezembro de 2025 (quinta a domingo)

Horário: 20h

Acessibilidade: Intérprete de Libras aos domingos (16, 23, 30/11 e 7 e 14/12)

Entrada gratuita – retirada de ingressos no local, 1 hora antes do espetáculo (sujeito à lotação).

 

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