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Nova crônica de Eloy Melonio: “DE FORA PARA DENTRO”

Eloy Melonio é convidado da Plataforma Nacional do Facetubes.

12/11/2025 às 17h41
Por: Mhario Lincoln Fonte: Eloy Melonio
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Eloy Melonio, APB-MA
Eloy Melonio, APB-MA

 

Eloy Melonio*

Falar de um autor e de sua obra literária, da arquibancada, é o ofício do crítico. De dentro do campo, do prefaciador ou resenhista. Deus me livre de tais tarefas! Não porque não as aprecie ou seja incapaz de realizá-las. Simplesmente, porque parecem-me coisa de profissional, e — sob alguns aspectos — difíceis. E mais: ter de ler um livro do qual você talvez não goste é carga pra jumento carregar.

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Aviso-lhe, desde já, que esta crônica não é exatamente sobre "prefácio" ou crítica literária. Mas preciso dessa referência para fundamentar minha percepção de um livro. Para um prefácio, o autor geralmente busca alguém famoso. Nos meus livros de poemas (Dentro de Mim/2015 e Travessia/2021), peguei um caminho inverso: chamei gente do meu convívio, que lia e apreciava meus poemas. Para o primeiro, uma saudosa amiga, professora de literatura. Para o segundo, uma colega de trabalho. As duas deram um show na passarela das palavras! Nota DEEEZ!

Fazer um prefácio pode até ser prazeroso se você está falando de um autor a quem você admira. Mas bom mesmo é quando você escreve sobre alguém com quem cresceu, sentou-se à mesma mesa, foi à escola, brincou de artista. Alguém de quem você, hoje, possa dizer que "tudo era compartilhado entre nós numa cumplicidade adolescente, bonita e desinteressada, uma partilha pra lá de genuína". Aí, sim, é outro texto!

Se tenho interesse num livro, começo pelo começo, que — para mim — é o prefácio. Com alguns, não passei daí, por uma ou outra razão. Com outros, nem cheguei a tanto. Esses, coitados, ainda aguardam o meu olhar curioso e interessado.

Esta crônica nasceu de uma situação assim. Lendo, na segunda capa, a apresentação do livro MACABÉA DESVAIRADA, de Lúcia Santos, encantei-me com a leveza do texto, que trazia um pouco de sua história de vida e de sua veia artística. Falando sério: se o texto é bacana, a gente pula para dentro do livro, não é verdade? Foi o que eu fiz.

Lançado em dezembro de 2024, somente agora (nov/2025) peguei-o como quem pega um touro pelo rabo. Aliás, um livro que tive a honra receber diretamente das mãos da autora, na noite de autógrafos.

Em casa, sobre uma mesa, com dezenas de outros, ele era um desses que ficavam rezando para que eu o olhasse e o pegasse. E, principalmente, que eu me deixasse levar num mergulho ao mundo poético-ficcional de sua autora.

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Finalmente, peguei-o com um olhar mais atento. Sim, já nos conhecíamos tão bem quanto aqueles vizinhos que mal se dão "bom dia". Putz! Esse era o seu dia, e a sua sorte estava selada.

De saída, deslumbrei-me com sua capa que já tinha visto várias vezes. Virei-o para ver a segunda capa. E aí, um espanto — ou melhor, o encanto. Apenas um texto ocupava todo o espaço, supostamente o prefácio deslocado. Chequei o autor e comecei a ler. Estava ali meu "snorkel" para o mergulho inevitável. Em seguida, pulei para dentro de suas águas mágicas, de onde não saí até agora. Sobre a mesa da copa (onde deveria haver pratos e talheres), "ele" agora reina soberano sobre seus pares.

Tudo — tudo mesmo — nesse livro é exatamente o oposto de "desvairado", palavra com que Lúcia Santos tenta pôr um pouco mais de desordem nas águas da arte (coisa de artista de verdade). Emprestada do livro "A hora da estrela", de Clarice Lispector, "Macabéa", sim, é uma protagonista pobre e desvairada, como tanta gente por aí. Atrevo-me a dizer que a autora imaginou um livro com a sua "marca", sem se preocupar com as vozes desvairadas da galera da arquibancada. E não fez mais do que preconiza Lya Luft: "A escrita é o território da minha liberdade". Ou seja, seu projeto artístico tem a sua cara, a sua alma, o seu coração — o seu todo.

MACABÉA DESVAIRADA é "tudo e muito mais". Colorido, engraçado, enigmático, surpreendente. De repente, você o abre numa página branca que só tem o desenho de uma boca humana. Ou duas outras páginas: a da direita, com dois versos no meio e dois coraçõezinhos pendurados; a da esquerda, o desenho de uma loira, com três versos flutuando no espaco vazio ("eu sou a falsa loura má/ A que toma/ e depois dá").

Num rápido mergulho (para seguir a corrente do livro), veja a seguir algumas das minhas percepções. Primeira: tudo nele é arte (ou "eart"); segunda: seis fontes diferentes vestem suas palavras; terceira: duas letras da palavra MACABÉA, no título, estão invertidas; quarta: no conteúdo poemas,  pensamentos e — pasme! — 11 músicas (com ficha técnica e QR code para ouvi-las). Além de sacadas mais que geniais ("Se não sabe incendiar, não faça pose de Nero"). E, esquecendo essa coisa da ortodoxia, o prefácio chama a atenção para "seus chistes cheios de verve e ironia". Em suma: 71 páginas com um desfile de palavras, melodias, cores, fotos e ilustrações espirituosas.

Um mergulho nas águas não tão calmas de MACABÉA DESVAIRADA é deleite, êxtase, surpresas. Imagine abri-lo numa tarde quente, "ao sol que arde em Itapoã!". Dava até pra dizer que o "Nirvana é aqui".

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Pois é, amigos, tinha tanta coisa pra falar que quase esquecia do principal. O texto da segunda capa, com jeito leve de prefácio, foi o que me jogou nas águas inexatas deste livro. E me deixou com vontade de nadar e gritar: "Daqui não saio, daqui ninguém me tira".

Seu autor, com cara e jeito de garoto, é ninguém menos ou mais que o compositor e cantor Zeca Baleiro, irmão da Lúcia Santos.

E, finalmente, ouso repetir aqui o voto de sucesso e energia  vital que brilha na conclusão de seu texto: "Saravá, Lúcia!"

[ eloy melonio | nov/2025 ]

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Keila Marta Há 7 meses São LuísQue crônica gostosa de ler, concordo plenamente, eu gosto de ler prefácios e me animo quando vejo que é de amigo de infância ou um parente, geralmente revelam detalhes, bastidores da vida do escritor. E prefácios costumam ter uma singularidade. E é um texto bem convidativo para ler Macabéa desvairada e parece que se trata de uma escrita inteligente e fluida. Parabéns!
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