
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, poeta e jornalista
Quem é Albert Mont Blanc: nasceu em São Luís, capital do Maranhão, aos dezenove dias do mês de fevereiro do ano de 1959. Mora em Manaus - AM desde 1982. Teólogo e Filósofo autodidata por opção, abandonou a faculdade de filosofia e teologia por não conseguir se adaptar ao sistema de ensino. Pesquisador do cerne humano, formou-se como Tradutor e Intérprete no idioma francês pela Aliança Francesa, Téc. em contabilidade, Téc. em Administração, Programador de Computador, Designer Gráfico, Web Designer, Consultor de TI, Escritor Romancista, Poeta, Pesquisador, Editor, Revisor, Capista. Atua desde 1983 como Professor de TI – Tecnologia da Informação.
Li e reli atentamente o poema de Albert Mont Blanc. À princípio, eu tive medo da forma direta como deu ao texto uma conotação-polícia, em favor da forma poética, como surgisse ali nesta forma poética, um ‘eu lírico’ que não aceita o verso que parece fácil, rápido, “solto”, porque suspeita, ali, do risco permanente da essência poética virar apenas ‘linha quebrada’, sem trabalho interno.
Por outro lado, a palavra “medo”, repetida, não precisou ser entendida como ‘intolerância’; mas – a mim me pareceu - como zelo. Ou seja, a liberdade do poeta dizer “não aceito qualquer coisa como poema” é, ela mesma, um ato de liberdade artística, acredito eu, tão legítimo quanto a liberdade de escrever sem rima ou sem métrica.
Aliás, para entender Mont Blanc tive que voltar no passado e reler algumas críticas literárias (algumas que ainda tenho em meu acervo). Vale dizer, que esse debate é antigo e bem brasileiro (inclusive com respingos gravíssimos na literatura romântica maranhense). Porque, existe e persiste, ainda, uma tradição que defende o poema como ‘construção’. Por exemplo, o parnasianismo assumiu o rigor formal em favor da metrificação e da rima como ética de composição.
No conceitual de Olavo Bilac, vale afirmar, a imagem do poema como trabalho de lapidação aparece sendo um ideal de beleza construída, e não improvisada. Mont Blanc conversa com esse imaginário: não para negar a invenção, mas para afirmar que a invenção, se quer durar, precisa de ‘consistência’, de ‘nobreza’, no sentido técnico e humano que ele próprio confessa buscar.
Ao mesmo tempo, o próprio século XX ensinou que a briga “rima versus liberdade poética” é menos simples do que parece. Antonio Carlos Secchin lembra que verso livre não se define pela ausência de rima: a rima é um elemento eufônico; o verso livre é antes de tudo uma questão rítmica. Já Paulo Henriques Britto, discutindo o verso livre, reforça que a novidade moderna não aboliu regras. Apenas deslocou o tipo de regra (do molde fixo) para o controle de ritmo, corte, respiração e tensão interna. Nessa chave, a “condenação” de Mont Blanc pode ser lida como crítica ao ‘desleixo’, não ao novo.
Sim, enquanto há poetas festejados e aplaudidos (NO Brasil e Exterior) que constroem suas obras, sem rimas, sem ritmos aparentes, sem necessitada de ‘classidêz’ embrionária da lírica, há, outros, com vozes bem fortes também, que assumiram publicamente preferência por formas com rima e soneto sem que isso signifique atraso ou superioridade moral.
Fui buscar orientação em Valério Pereléchin. Ele declarou, sem rodeios, “Não gosto do verso livre, sem rima”, defendendo o trabalho com rima e os recursos do soneto. Alexei Bueno, por sua vez, contou que foi “saindo do verso livre” porque, no Brasil de certas décadas, ele lhe parecia um instrumento gasto — e se aproximou das formas fixas como quem reencontra um arsenal expressivo. Do outro lado, o modernismo também teve sua frase de ruptura: Oswald de Andrade celebrou a ideia de “desterrar do verso a métrica e a rima” como recurso obsoleto, ou seja, a história é um pêndulo de escolhas.
Quando Mont Blanc “tem medo”, ele está fazendo vibrar ainda mais esse pêndulo. Porque existe a poesia como liberdade, sim, “mas liberdade com responsabilidade estética”, como se expressou o maranhense Nicanor Azevedo, o poeta da síntese. Manuel Bandeira. um modernista que dominou o verso livre, igualmente advertiu que ele pode parecer mais fácil, mas é engano: no verso livre, o poeta precisa criar o próprio ritmo “sem auxílio de fora”.
É essa universalização que ele tenta alcançar. Não a caça ao “poema sem rima”, (como por uma leitura descuidada possa parecer); e sim. Essa pode ser a defesa de um princípio mais alto. A de um poema como arte consciente, capaz de escolher rima ou não rima, métrica ou não métrica, desde que não renuncie ao que sustenta tudo que é, a meu ver, o domínio, intenção e verdade estética.
Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, poeta e jornalista.
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Abaixo, o polêmico ode de Albert Mont Blanc
Tenho medo
(Autor: Albert Mont Blanc)
Tenho medo desses poemas sem métricas
São rebeldes e adorados insolentes
Seus poetas não "medem" as palavras!!!
Tornando mais fácil a vida dessa gente
Loucos!!! Têm um mistério infindo
Sentam-se em qualquer calçada
Fazem seus poemas rindo
Sem se importar com nada
Tenho medo das poesias loucas
Passam de bocas em bocas
Conquistam! Com frases soltas
Dão prazer tal qual voz sex e rouca
Tenho medo dessas singularidades poéticas
Ficam para sempre em nossas mentes
Como tatuagens belas e inocentes
Revelam minha dissimulada falta de ética
Tenho muito medo dessa clareza
Dessa singela e pura certeza
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