JHONATAN ALMADA: MEMÓRIA DE UM CONTEMPORÂNEO DO FUTURO
Convidado Especial: Rossini Corrêa
ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teu anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Este é um dos mais belos sonetos da lírica em língua portuguesa, de autoria de Luís Vaz de Camões, com o qual começo a navegar nas águas profundas do livro Marcos Legais para a Ciência Cidadã, de autoria de Jhonatan Almada, um dos mais destacados intelectuais maranhenses de sua valorosa geração.
Jhonatan Uelson Pereira de Sousa Almada, talento complexo, congrega em si múltiplas vertentes, por ser Poeta, Educador, Historiador, Editor e uma extraordinária vocação de Homem Público, como demonstrou na sua frutífera passagem como Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI e Reitor do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão – IEMA.
A um perfeito casamento entre o verso camoniano – “Memória desta vida se consente” – e o livro almadiano, Marcos Legais para a Ciência Cidadã, que constitui um resgate de parte de uma experiência histórica avançada no Estado do Maranhão.
Sim, entre avanços e recuos, o ponto Richilieu foi rompido e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, com efeito, radicou a sua presença na esfera administrativa maranhense.
Não por acaso, um grande maranhense, Renato Bayma Archer da Silva, militar, cientista, diplomata e político brasileiro, foi o fundador do Ministério de Ciência e Tecnologia, no Governo do Presidente José Sarney, ocupando no período de 15 de março de 1985 a 22 de outubro de 1987.
Tratava-se de um pioneiro esforço para tornar o Brasil presente na contemporaneidade do mundo em mudança. As sociedades agrária e industrial estavam desafiadas pela transição para a pós-modernidade, cuja tendência histórica, ali revelada, anunciava o advento da sociedade do conhecimento.
Não mais a conquista do espaço seria a expressão da viabilidade das nações, como aconteceu sob o Pacto Colonial, quando da ascensão do capitalismo, sob o crescente declínio do feudalismo. Antevia-se que os blocos hegemônicos ascenderiam por meio da aceleração do próprio tempo, embargando o curso dos demais, por meio do conhecimento estratégico, resultante do domínio da superciência e da supertecnologia, aplicando-o a todas as esferas da vida, em sua ressonância social, econômica, jurídica, política e ideológica.
Este espírito institucional fundado no Governo do Presidente José Sarney, pelo Ministro Renato Archer, sem dúvida, replicou nos demais entes federativos, conduzindo ao advento das Secretarias Estaduais e das Secretarias Municipais de Ciência, Tecnologia e Inovação. Assim nasceu a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, sujeita às circunstâncias políticas e administrativas definidoras ora de sua ênfase, ora de sua palidez.
Toda a sageza envolvida no processo de reconstrução da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação – SECTI, conferindo-lhe vitalidade institucional segundo uma compreensão sistêmica, resulta narrada neste documento para a história. Se memória desta vida se consente, como cantou de forma esplendente Luís Vaz de Camões, Jhonatan Almada concorre, de maneira decisiva, para a história das políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidas em âmbito estadual no Maranhão, em especial, sob o Governo Flávio Dino.
Meridiano é o resultado, porque cristalino foi o propósito com que, levando uma pedra para a catedral dos homens – como cantava Bandeira Tribuzzi – Jhonatan Almada concorreu para a renovação das políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação, na esfera da organização sistêmica da preocupação com a sensível matéria detentora da chave do futuro, na paisagem maranhense, brasileira e universal. Assim, almadianamente semeador e construtor, tem o prêmio da consciência tranquila, por ter plantado tamareiras para as gerações porvindouras, que o reconhecerão pelos serviços elevados, que só prestam os contemporâneos do futuro.
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