Selma Maria Muniz Marques, convidada especial da Plataforma Nacional do Facetubes
Natal. Festa que mexe com todas as pessoas. Sinto que aumenta a alegria e a esperança de merecer um bom brinquedo. Quem ainda é e já foi criança sabe, o pensamento fica focado no brinquedo. Não interessa o tipo de brinquedo e sua expressão, tudo vale. Quem tem muito quer muito, quem tem pouco quer pouco. Nesse ritmo, Henrique, com 9 anos de idade, embalava seu sonho de Natal. Contudo, ele não desejava somente o brinquedo. Queria este e mais uma vida melhor, com menos pobreza. Então ele esperava o milagre da casa própria, em condições de dignidade.
Henrique morava, com sua mãe e irmãs, Dona Amparo sua avó, dona Celeste sua tia e as irmãs Etelvina, Aparecida e Luzia, em uma comunidade vulnerável, castigada pela desigualdade social. As ruas eram sem asfalto e cheias de esgoto. Para brincar tinha que se expor à contaminação. A casa muito precária, com 2 cômodos (1 quarto pequeno sem janela, 1 sala cozinha). A mãe trabalhava como doméstica em um bairro elegante, com seus prédios elegantes. Era uma vida complexa, sem conforto. Era raro um alimento que enchesse os olhos e o estômago. Tinha noite que deitado tinha que suportar a sensação de vazio, era uma gastura.
Em uma das noites de dezembro, Henrique perguntou para sua mãe, D. Amparo: mãe se eu escrever uma carta para Papai Noel a senhora entrega? Ela fez silêncio e depois falou: claro filho, envio sim. Mas complementou, “só não sei se ele vai conseguir ler tua carta. São muitos pedidos e pode não ter tempo de ler a tua”. Ele falou: mas mãe eu me comportei o ano todo e a senhora e a professora disseram que se eu fizesse tudo para obedecer, Papai Noel iria dar um presente para mim”. E agora, o que falar? Esse menino pensava demais, coisa que para pessoas como eles era uma ameaça, um perigo.
Diante da aflição do filho D. Amparo decidiu contar a verdade sobre o Papai Noel. Explicou-lhe: filho, não sei se vais entender, mas, na verdade, não existe Papai Noel. A noite de Natal não é para dar presentes, mas para receber o maior presente de todos. É para celebrar a chegada do Menino Jesus aqui na terra. Enviado pelo Deus Pai para nos salvar e a toda a humanidade. Os presentes são comprados pelos pais, mães, tias, tios, avós, avôs, amigas e amigos que podem comprar. Você não é esquecido por Jesus, nunca, Ele ama e dá a vida, o maior presente.
A mãe foi se deitar, Henrique ficou a pensar em tudo que a mãe falou. Aceitava o Jesus, mas queria ganhar presente e pensou: não poderia Jesus entrar nas cabeças dos que podiam comprar presentes para eles quererem comprar para as crianças como ele. Não era justo, ele, suas irmãs, avó, tia e mãe não receberem nada. Afinal descobriu uma grande mentira: Papai Noel ele não existe porque só dá presentes para quem pode comprar. Outro assunto para resolver com Jesus!
Henrique foi dormir com o peso da decepção que fez a tristeza tomar conta de todo seu ser. Não se sentia com ânimo para comemorar o Natal já que tinha perdido todo o brilho, magia e alegria.
Espeiciais A imigração japonesa ao Maranhão trouxe a paixão pelo “beisebol”
Dr. Ruy Palhano “Entre o zelo e a obsessão: as diferentes faces do ciúme”, por Dr. Ruy Palhano
Psicologia Ativa Quando o elogio mente, a gratidão perde sentido: a ciência explica ser nocivo 'simplesmente agradar'
Orquídea Santos Poema épico de Mhario Lincoln, premiado em Portugual, faz homenagem ao pai José Santos (o José de todos os santos).
RESENHAS MHL Quando a memória se perde, o amor procura outro lugar para ficar
COLUNISTAS FT A pressa na modernidade e o impacto em nossa saúde mental e social Mín. 14° Máx. 23°
Mín. 11° Máx. 17°
ChuvaMín. 10° Máx. 11°
Chuva
Colunista Socorro Guterres Em visita a Curitiba-PR, a acadêmica Socorro Guterres escreveu: “UM MITO LITERÁRIO”.
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Joizacawpy Costa SETEMBRO AMARELO: “ATENÇÃO! SINAL AMARELO”
Coluna de RUY PALHANO A crise na Justiça e os impactos comportamentais, institucionais e morais