
Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes
Há algum tempo, o Brasil redescobre a nobreza de suas cientistas negras. Ou seja, finalmente, essas honrosas mulheres começam a ganhar visibilidade na Ciência.
Assim, ao lado de outras cientistas negras brasileiras, como Vivian Miranda e Denise Fungaro, Sônia Guimarães é uma dessas figuras que reordenam o imaginário do país por simples presença firme e objetiva, reforçando que a ciência do futuro será plural. E, nesse futuro, meninas negras não apenas sonham, como passam a ocupar, transformar e liderar.
Por isso, falar de Sônia Guimarães não é apenas memória. É muito mais combustível para um país que ainda aprende a reconhecer quem sempre esteve produzindo conhecimento, mesmo que a grande imprensa nacional e internacional ainda a vejam com discrição.
Vale dizer que Sônia Guimarães é Física, pesquisadora e professora do ITA, que carrega o duplo marco de ter sido a primeira mulher negra brasileira a concluir um doutorado em Física e a primeira professora negra a lecionar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Tais fatos têm que ser aplaudidos (e isso não é questão de racismo), porque torna sua trajetória mais do que simbólica é o lugar onde ela se materializa dentro do coração de uma instituição historicamente associada à excelência técnica e, ao mesmo tempo, a barreiras sociais muito concretas.
Em recente entrevista que a Plataforma Nacional do Facetubes teve acesso, Sônia descreve como as lides academicas ainda impõem custos subjetivos a pessoas negras, inclusive "(...) pela pressão de silenciar a própria identidade".
No campo estrito do trabalho científico, o eixo da atuação de Sônia está ligado à Física Aplicada e a materiais eletrônicos, especialmente semicondutores e dispositivos associados a sensores infravermelhos, tema que aparece tanto em perfis institucionais quanto em registros de pesquisa. Mas há também a Sônia professora, com preocupação declarada em formação sólida e em abrir caminho para quem vem depois. Em registros biográficos, ela insiste que não existe futuro sem inclusão social, e traduz isso numa imagem que ficou gravada: "a necessidade de matar dois leões por dia por causa da cor da pele, e quatro, quando o fator de gênero se soma". Mas com sua autenticidade e força imparável, Sônia superou adversidades. Veja:
Ela hoje é importante em todos os setores. Consta no Bloomberg Línea entre as 100 pessoas mais inovadoras da América Latina (na edição de 2023). E, no campo institucional brasileiro, consta como agraciada na Ordem Nacional do Mérito Educativo (lista oficial do Ministério da Educação). A Sociedade Brasileira de Física também a destaca em iniciativas de visibilidade, como a homenagem em selo (em parceria com os Correios), explicitando a importância do seu percurso para incentivar maior participação de mulheres na ciência. E, para colocar mais nomes nesse mesmo mapa, aqui vão cinco cientistas brasileiras negras com contribuições marcantes, em áreas distintas, ao longo do tempo.
Jaqueline Góes de Jesus (biomedicina e vigilância genômica) ganhou projeção internacional ao integrar a equipe que mapeou os primeiros genomas do SARS-CoV-2 no Brasil em cerca de 48 horas após a confirmação do primeiro caso, um passo decisivo para entender a circulação viral e orientar respostas de saúde pública.
Joana D’Arc Félix de Sousa (química e inovação) é frequentemente apresentada como inventora e pesquisadora com foco em propriedade intelectual, com histórico de patentes e desenvolvimento de soluções aplicadas, num percurso que conecta laboratório, indústria e impacto social.
Enedina Alves Marques (engenharia civil) abriu caminhos num Brasil em que isso parecia impossível: foi a primeira engenheira negra do país e atuou em projetos ligados a infraestrutura e planejamento energético, com destaque para trabalhos relacionados ao Plano Hidrelétrico do Paraná e órgãos estaduais da área.
Katemari Diogo Rosa (física e educação científica) tem uma produção voltada a pensar ciência e formação a partir das interseções entre ensino, gênero e raça, trazendo para dentro do debate acadêmico aquilo que por décadas foi tratado como “fora” da física: quem consegue entrar, permanecer e ser reconhecida nesse território.
Simone Maia Evaristo (biologia, citotecnologia e câncer) aparece em materiais institucionais ligada ao INCA e à defesa da citotecnologia como área estratégica no controle do câncer, com atuação também na visibilidade e organização profissional do campo.
*********
Como se vê, é hora de um recomenhcimento mais amadurecido, rápida e preciso.
Mín. 17° Máx. 27°