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Brasil POESIA EM FOCO

SÁBADO POÉTICO com belas poesias: Francisco Elíude & Francisco Baía

Poesia no fim de semana.

28/11/2020 13h41 Atualizada há 6 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
APB
APB
Francisco Elíude.

Convidado: Acadêmico APB Francisco Elíude

CASINHA PEQUENINA

Era bem pequenina , ainda me lembro:

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Uma porta,duas janelas;

pintada toda de azul

e rodeada de flores belas!...

De manhã, logo cedinho,

o sol que batia nela,

ia clareando casa a dentro

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e a alegria em toda ela, 

era de contagiar quem a via

ou talvez mais ainda diria

-quem sabe,

Uma certa Flor de tranças sorrindo

com o acanhado olhar ainda só dela,

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e que também hoje em mim ainda persiste

a saudade da casinha pequenina,

E daquela Flor sorrindo na janela.

(Francisco Elíude P. Galvão)

 

 

MÃOS

A mão, quando solitária,

também é procura

E se busca em gestos sós

e enxerga e precisa de outra mão

e então muda-se a postura:

Os dedos se entrelaçam,

como braços que se abraçam

dentro de um só coração!

(Francisco Elíude P. Galvão)

 

 

ESQUINA POSTAL

Numa manhã ensolarada

rabisquei calçadas

com meus próprios passos

E pensei:

-Por que me canso de tanto andar,

escrevendo meus pensamentos

remetendo-os pra onde nem sei

ou se nem tenho certeza de sabe-los chegar!

E assim, ousei simplificar:

No fim da rua, uma esquina;

nela envelopei o meu pensar

e calmamente ela se encarregou de postar.

(Francisco Elíude)

 

ABRAÇO

E se eu te disser 

que todo amor do mundo 

cabe dentro de um abraço! 

O que me farias 

com um abraço teu?!

(Francisco Elíude P. Galvão)

 

MEUS VERSOS TEUS

Quantas vezes te procurei

nas ruas frias do meu nada,

nas vazias madrugadas...

E em cada uma, em ninguém,

em nenhuma daquelas calçadas

te encontrei?!...

Quantas calçadas!...tantas e quantas

a medirem os passos meus,

que entre sombras, perdidos,

jamais encontraram os teu!...

E no decorrer nefasto do tempo,

apenas ânsia, saudades...tormento;

Lembranças guardadas a sós,

escritas a cada pensamento.

Hoje, apenas em poemas me achastes:

Poemas escritos em livros

que não são só meus

Mas, que são ainda só teus

Os versos que me inspirastes.

(Francisco Elíude P. Galvão)

 

 

Francisco Baía.

Convidado: Acadêmico APB Francisco Baía: 

 

DESERTO

Hoje, 

Fiz-me silêncio!

E porisso, 

minh'alma adormeceu,

minha poesia entristeceu,

minha palavra emudeceu,

minha noite de tristeza pereceu,

meu amor se perdeu, 

e com ele me perdi também,

já não sei quem sou eu.

 

O sussurro da madrugada 

acalentará meus prantos 

de saudade.

 

(Francisco Baía)

 

 CONCLUSÃO

Não busco ouro nem o vil

metal, não quero ter as mãos

queimadas pela dor de tantos

que perecem sem opções.

 

Lacrimejo quando vejo uma

recusa por um simples beijo.

Dói em mim, quando o começo

principia com astúcia dos mercenários,

que objetiva somente o fim.

 

Sangro quando a insensatez humana

eclode de uma vez, jorrando lavas 

incandescentes, que queimam sonhos,

e anestesiam as mentes de quem almeja

um porvir melhor, pior.

 

Não ouso ir ao encontro de quem

não mostrou por puro amor, todos

os viés que como elo, facilitariam o

aconchego verdadeiro de quem gostaria

de ser encontrado.

 

Hoje, sentado na pedra do meu destino,

não desejo como homem, nenhum púlpito, 

nenhuma tribuna, nem ser protagonista de

alguma peça teatral, nem aplausos infantis, 

prefiro sim, coisas mais consistentes

e pueris, coisas de um feliz menino.

 

Sorrio quando percebo, mensagens

trazidas nas asas das ações dos mancebos,

que sempre dizem tudo ao contrário 

daquilo que queriam ouvir, titubeiam 

na verdade, sem perceberem que nem

sabem fingir, mentem descaradamente.

 

Sendo assim, na labuta do dia a dia,

sigo só, porém feliz de mãos dadas

com a minha poesia.

 

(Francisco Baía)

 

URGE

Urge!

Dia,

manhã,

tarde,

noite.

urge

Amor compartilhado,

verdade nos olhos,

palavras verdadeiras,

sentimentos leais e expostos.

Urge praças, ruas, ruelas, cheias,

bandeiras, armas em punho,

ceias a mercê de quem precisa,

cobranças de compromissos,

desapego aos omissos,

alcovas abastecidas de prazer intensos,

acenos da paz em brancos lenços,

fé, sem tamanho ou tamanho da mostarda,

certeza de tudo ou certeza de nada.

Urge, sentar, ouvir, observar, sentir o som de perto,

ou da multidão cantando a canção da liberdade,

entender o silêncio dos esquecidos, o deserto

dos desvalidos, a coragem oriunda dos vencidos,

partilhar as dores dos sobreviventes vencedores,

Urge, Mudança de fora pra dentro

sem nenhuma valia, pois a mudança

perfeita, é dentro pra fora, essa sim,

faz sentido, trás verdade e poesia.

Desperta, acorda, esteja alerta, não

dormita em berço esplêndido, há

inúmeras manjedouras a espera da

tua chegada , as boas novas batem

a porta, portanto o tempo URGE!

(Francisco Baía)

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