Convidado: Acadêmico APB Francisco Elíude
CASINHA PEQUENINA
Era bem pequenina , ainda me lembro:
Uma porta,duas janelas;
pintada toda de azul
e rodeada de flores belas!...
De manhã, logo cedinho,
o sol que batia nela,
ia clareando casa a dentro
e a alegria em toda ela,
era de contagiar quem a via
ou talvez mais ainda diria
-quem sabe,
Uma certa Flor de tranças sorrindo
com o acanhado olhar ainda só dela,
e que também hoje em mim ainda persiste
a saudade da casinha pequenina,
E daquela Flor sorrindo na janela.
(Francisco Elíude P. Galvão)
MÃOS
A mão, quando solitária,
também é procura
E se busca em gestos sós
e enxerga e precisa de outra mão
e então muda-se a postura:
Os dedos se entrelaçam,
como braços que se abraçam
dentro de um só coração!
(Francisco Elíude P. Galvão)
ESQUINA POSTAL
Numa manhã ensolarada
rabisquei calçadas
com meus próprios passos
E pensei:
-Por que me canso de tanto andar,
escrevendo meus pensamentos
remetendo-os pra onde nem sei
ou se nem tenho certeza de sabe-los chegar!
E assim, ousei simplificar:
No fim da rua, uma esquina;
nela envelopei o meu pensar
e calmamente ela se encarregou de postar.
(Francisco Elíude)
ABRAÇO
E se eu te disser
que todo amor do mundo
cabe dentro de um abraço!
O que me farias
com um abraço teu?!
(Francisco Elíude P. Galvão)
MEUS VERSOS TEUS
Quantas vezes te procurei
nas ruas frias do meu nada,
nas vazias madrugadas...
E em cada uma, em ninguém,
em nenhuma daquelas calçadas
te encontrei?!...
Quantas calçadas!...tantas e quantas
a medirem os passos meus,
que entre sombras, perdidos,
jamais encontraram os teu!...
E no decorrer nefasto do tempo,
apenas ânsia, saudades...tormento;
Lembranças guardadas a sós,
escritas a cada pensamento.
Hoje, apenas em poemas me achastes:
Poemas escritos em livros
que não são só meus
Mas, que são ainda só teus
Os versos que me inspirastes.
(Francisco Elíude P. Galvão)
Convidado: Acadêmico APB Francisco Baía:
DESERTO
Hoje,
Fiz-me silêncio!
E porisso,
minh'alma adormeceu,
minha poesia entristeceu,
minha palavra emudeceu,
minha noite de tristeza pereceu,
meu amor se perdeu,
e com ele me perdi também,
já não sei quem sou eu.
O sussurro da madrugada
acalentará meus prantos
de saudade.
(Francisco Baía)
CONCLUSÃO
Não busco ouro nem o vil
metal, não quero ter as mãos
queimadas pela dor de tantos
que perecem sem opções.
Lacrimejo quando vejo uma
recusa por um simples beijo.
Dói em mim, quando o começo
principia com astúcia dos mercenários,
que objetiva somente o fim.
Sangro quando a insensatez humana
eclode de uma vez, jorrando lavas
incandescentes, que queimam sonhos,
e anestesiam as mentes de quem almeja
um porvir melhor, pior.
Não ouso ir ao encontro de quem
não mostrou por puro amor, todos
os viés que como elo, facilitariam o
aconchego verdadeiro de quem gostaria
de ser encontrado.
Hoje, sentado na pedra do meu destino,
não desejo como homem, nenhum púlpito,
nenhuma tribuna, nem ser protagonista de
alguma peça teatral, nem aplausos infantis,
prefiro sim, coisas mais consistentes
e pueris, coisas de um feliz menino.
Sorrio quando percebo, mensagens
trazidas nas asas das ações dos mancebos,
que sempre dizem tudo ao contrário
daquilo que queriam ouvir, titubeiam
na verdade, sem perceberem que nem
sabem fingir, mentem descaradamente.
Sendo assim, na labuta do dia a dia,
sigo só, porém feliz de mãos dadas
com a minha poesia.
(Francisco Baía)
URGE
Urge!
Dia,
manhã,
tarde,
noite.
urge
Amor compartilhado,
verdade nos olhos,
palavras verdadeiras,
sentimentos leais e expostos.
Urge praças, ruas, ruelas, cheias,
bandeiras, armas em punho,
ceias a mercê de quem precisa,
cobranças de compromissos,
desapego aos omissos,
alcovas abastecidas de prazer intensos,
acenos da paz em brancos lenços,
fé, sem tamanho ou tamanho da mostarda,
certeza de tudo ou certeza de nada.
Urge, sentar, ouvir, observar, sentir o som de perto,
ou da multidão cantando a canção da liberdade,
entender o silêncio dos esquecidos, o deserto
dos desvalidos, a coragem oriunda dos vencidos,
partilhar as dores dos sobreviventes vencedores,
Urge, Mudança de fora pra dentro
sem nenhuma valia, pois a mudança
perfeita, é dentro pra fora, essa sim,
faz sentido, trás verdade e poesia.
Desperta, acorda, esteja alerta, não
dormita em berço esplêndido, há
inúmeras manjedouras a espera da
tua chegada , as boas novas batem
a porta, portanto o tempo URGE!
(Francisco Baía)
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