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Grande momento: Favela do Samba transforma Nelinha do Babaçu em manifesto e faz São Luís cantar resistência na avenida

O enredo de 2026 une memória, justiça social e defesa ambiental ao narrar a trajetória de Cornélia Rodrigues, de Palmeirândia (MA), e projetar na passarela a força coletiva das mulheres que sustentam os babaçuais.

23/02/2026 às 12h58 Atualizada em 23/02/2026 às 16h16
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Carnaval da Plataforma Nacional do Facetubes
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O carro alegórico de Nelinha do Babaçu e, em destaque, o presidente Euclides Moreira Neto.
O carro alegórico de Nelinha do Babaçu e, em destaque, o presidente Euclides Moreira Neto.

Editoria de Carnaval da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

O Carnaval de São Luís viveu um daqueles momentos que marcam época. No desfile da Favela do Samba, a avenida inteira pareceu respirar a história de uma mulher que transcende sua própria biografia: Cornélia Rodrigues, a Nelinha do Babaçu. Nascida em Palmeirândia, filha de lavrador e de quebradeira de coco, ela cresceu entre o fogareiro e o som ritmado do pilão, moldando desde cedo a força que a transformaria em símbolo de resistência, inclusão social e defesa da floresta de babaçuais que sustenta tantas vidas no Maranhão.

A Favela do Samba, escola fundada em 1951 e dona de 20 títulos, encontrou em Nelinha um enredo que não é apenas homenagem, mas manifesto. O samba-enredo, de poesia forte e melodia arrebatadora, abre com o toque ancestral do coco quebrado no cofo, evocando a memória das mulheres que sustentam a maior floresta de babaçu do planeta. A letra é um chamado à dignidade: “Negra guardiã, meu orgulho és tu / Na fé foi batizada Nelinha do Babaçu”. É um samba que não se contenta em narrar; ele reivindica, ele denuncia, ele abraça.

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( Foto 01 - Divulhação).

No desfile, a Favela do Samba não falou só de Nelinha. Falou de todas as mulheres do Maranhão que, como ela mesma disse, “mantêm a maior floresta do planeta”, inclusive a da Palmeira do Babaçu; e que, por gerações, sustentaram uma indústria inteira com as mãos calejadas e o corpo erguido pela fé. A escola transformou essa força em fantasia, alegoria e canto coletivo, fazendo da passarela um território de memória e justiça social.

Foto 01- Na foto observa-se Nelinha do Babaçu (alto) e o diretor de novelas e cinema Jayme Monjardim (baixo) que abrilhantou o desfile da Favela do samba,  dia 20.02.2026, na Passarela do Samba em São Luís. Monjardim veio especialmente para prestar homenagem a sua amiga Nelinha, objeto do tema da "Favela do Samba" / 2026 com o enredo intitulado “NELINHA DO BABAÇU: Da menina que buscava fogo à mulher que trouxe sonhos, esperança e fé, uma metamorfose inspiradora! ”, de autoria do carnavalesco Pedro Padilha.

 

O presidente Euclides Moreira Neto, em seu discurso, lembrou que a Favela do Samba nasceu da luta comunitária do Sacavém, cresceu enfrentando hegemonias e perseguições, e construiu sua trajetória com base na história do povo. Ele recordou que, quando chegou à escola nos anos 1980, apenas duas agremiações disputavam títulos, enquanto as demais sobreviviam à sombra. A Favela, porém, insistiu em existir, em sonhar e em vencer — e venceu. De 1992 em diante, acumulou conquistas, superou injustiças e se firmou como a maior campeã da cidade.

Essa vocação social e histórica foi determinante para a escolha do enredo de 2026. Entre 42 propostas enviadas pela comunidade, a história de Nelinha brilhou de imediato. Era um tema que dialogava com a alma da escola, com a luta das quebradeiras de coco, com a resistência da baixada maranhense e com a esperança de quem acredita que o Carnaval também é espaço de transformação. Euclides destacou que o carnavalesco Pedro Padilha soube transformar essa narrativa em conteúdo lúdico, profundo e carregado de significados, capaz de emocionar tanto o brincante quanto o espectador.

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O samba-enredo reforça essa potência ao narrar a metamorfose de Nelinha: da menina que buscava o fogo à mulher que trouxe sonhos, esperança e fé. A letra exalta sua origem apinajé, sua herança nativa, sua coragem de enfrentar o medo e sua capacidade de fazer sua voz ecoar acima das mordaças impostas pela desigualdade. É um samba que se ergue como oração e como grito, como celebração e como denúncia.

Nelinha do Babaçu c/ "Ana Maria Braga".

No desfile, a Favela do Samba mostrou que Carnaval não é apenas espetáculo; é documento vivo. Cada ala, cada carro, cada fantasia parecia carregar a história de uma mulher que se tornou liderança no Projeto Palma Monjardim, referência na preservação ambiental e na inclusão social da baixada. A escola transformou essa trajetória em arte, e a arte devolveu ao público a consciência de que o Maranhão pulsa na força de suas mulheres.

Euclides fez questão de lembrar que a Favela do Samba é construída por gente comum, criativa, apaixonada, que costura sonhos com a mesma dedicação com que costura fantasias. Ele citou dirigentes, mestres, carnavalescos, costureiras e colaboradores que, juntos, dão vida à escola. Essa coletividade é o coração da Favela — e foi esse coração que bateu forte na avenida.

O desfile de 2026 foi mais que uma apresentação; foi um rito. A Favela entregou ao povo uma passagem mágica, iluminada, onde a história de Nelinha se misturou à história da própria escola e à história de um Maranhão que resiste. A cada verso, a cada batida, a cada passo, a mensagem era clara: a luta continua, a floresta vive, a mulher maranhense permanece de pé.

 

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Marieta LimaHá 3 semanas São Paulo SPEmocionante esse desfile. Viva todas as Nelinhas, os orgulhos do Maranhão.
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