Quinta, 11 de Junho de 2026
13°C 20°C
Curitiba, PR
Publicidade

“Uma Rosa, por Favor”, nova obra-sequência amadurecida e ampliada de Edomir Martins de Oliveira

Esses textos mais reais que ficcionais, – muitas delas claramente alimentadas pela observação e vivências do próprio autor - garante a credibilidade do livro.

12/03/2026 às 17h59 Atualizada em 12/03/2026 às 21h40
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Compartilhe:
 “Uma Rosa, por Favor”, nova obra-sequência amadurecida e ampliada de Edomir Martins de Oliveira

*Mhario Lincoln

É impossível não aplaudir de pé meu professor, amigo, irmão e conselheiro-padrinho, cronista Edomir Martins de Oliveira, nestes 88 anos de feliz vida coletiva. Sim, viver para os outros, sem muito tempo para cobrar “provas” de seus alunos-amigos. Provas são atos aleatórios; ações (como a que ele incita aos seus) são por demais importantes.

Desta forma, alcançar-me o privilégio de ler – antes de que todo o Mundo - “Uma Rosa, por Favor”, sua mais nova obra-sequência amadurecida e ampliada, do universo já esboçado em “Finalmente a Noiva Chegou”, faz do casamento, remodelado, um laboratório de humanidade.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Em 40 crônicas que vão do “Casamento em avião” ao enlace adiado pela pandemia, passando por garis, caminhoneiros, músicos, idosos, veganos, capoeiristas e casais improváveis, Edomir transforma situações aparentemente corriqueiras em narrativas cheias de graça, fé e delicadeza, numa continuação amadurecida do universo já esboçado em “Finalmente a Noiva Chegou”.

Cada texto nasce ancorado numa passagem bíblica – Lucas 2:14 num casamento a bordo de um jato particular, Cântico 8:7 quando o amor é celebrado em versos, Provérbios e Lucas no enlace em pleno zoológico, Isaías 40:29 ao narrar a reconstrução afetiva de um viúvo, Eclesiastes 4:9-12 ao acompanhar um casal de caminhoneiros, entre tantos outros.

Em vez de mera citação decorativa, as Escrituras funcionam como chave de leitura: o casamento não aparece apenas como rito social, mas como vocação, pacto e caminhada espiritual. Há uma ética evangélica discreta, que insiste em perdão, cuidado, misericórdia e aliança – mais próxima das parábolas do cotidiano do que de qualquer discurso doutrinário.

Literariamente, as crônicas combinam rigor narrativo e simplicidade de voz. Em “Casamento em avião”, repito, luxo e extravagância são atravessados por um gesto de amor planejado com humor e engenho; em “Um casamento poético”, a liturgia se funde a quadras rimadas, Camões e Vinicius, num casamento que é também celebração da palavra; no zoológico, uma cobra mansa trazendo as alianças desloca o leitor do lugar comum e devolve o sacramento ao convívio com a criação; em “Quando o amor cura”, o reencontro de um idoso viúvo com a possibilidade de amar novamente mostra que o tempo afetivo nem sempre coincide com o calendário do luto.

Como lembram filósofos da narrativa, ao contar uma vida nós reordenamos o tempo e devolvemos sentido àquilo que parecia apenas perda ou acaso – é exatamente esse o movimento que o livro oferece ao leitor.

Há, ainda, um forte subtexto social: casamentos de garis, histórias que nascem em presídios, festas comunitárias, enlaces atravessados por greves, crises econômicas, acidentes e pandemias colocam no centro personagens que a literatura frequentemente deixa à margem.

Continua após a publicidade

Ao participar dessas experiências “quase reais” – muitas delas claramente alimentadas pela observação e vivências do próprio autor, reelaboradas como ficção de superfície, mas com fundo documental – o leitor tem a sensação de estar ouvindo causos de família, histórias que “poderiam ter acontecido comigo”. O impacto tende a ser duplo: conforto espiritual para quem crê e reconhecimento humano para quem vê suas alegrias e feridas representadas com respeito e ternura.

Capa.

A grande verdade é que, dentro da tradição brasileira da crônica, Edomir se aproxima de autores que transformaram a própria experiência em matéria literária. Luis Fernando Veríssimo, por exemplo, fez de livros como Comédias da vida privada um espelho bem-humorado da vida conjugal e urbana, reunindo situações nascidas do cotidiano – casais, amigos, pequenas neuroses – em textos que misturam observação pessoal e imaginação ficcional; crônicas como “Palavreado” e “Defenestração”, recolhidas em seleções para a escola, mostram como o vivido se converte em narrativa que questiona e diverte ao mesmo tempo.

Enfim, “Uma Rosa, Por Favor” dialoga com essa linhagem, mas imprime um sotaque próprio: maranhense, pastoral, com importantes citações Bíblicas e por uma confiança radical de que o amor, quando levado a sério, ainda pode ser boa notícia. Imensamente feliz em ter sido convidado para apresentar essa brilhante obra.

Mhario Lincoln*
Jornalista e poeta, editor da Plataforma Nacional do Facetubes.

É impossível não aplaudir de pé meu professor, amigo, irmão e conselheiro-padrinho, cronista Edomir Martins de Oliveira, nestes 88 anos de feliz vida coletiva. Sim, viver para os outros, sem muito tempo para cobrar “provas” de seus alunos-amigos. Provas são atos aleatórios; ações (como a que ele incita aos seus) são por demais importantes.

Desta forma, alcançar-me o privilégio de ler – antes de que todo o Mundo - “Uma Rosa, por Favor”, sua mais nova obra-sequência amadurecida e ampliada, do universo já esboçado em “Finalmente a Noiva Chegou”, faz do casamento, remodelado, um laboratório de humanidade.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Em 40 crônicas que vão do “Casamento em avião” ao enlace adiado pela pandemia, passando por garis, caminhoneiros, músicos, idosos, veganos, capoeiristas e casais improváveis, Edomir transforma situações aparentemente corriqueiras em narrativas cheias de graça, fé e delicadeza, numa continuação amadurecida do universo já esboçado em “Finalmente a Noiva Chegou”.

Cada texto nasce ancorado numa passagem bíblica – Lucas 2:14 num casamento a bordo de um jato particular, Cântico 8:7 quando o amor é celebrado em versos, Provérbios e Lucas no enlace em pleno zoológico, Isaías 40:29 ao narrar a reconstrução afetiva de um viúvo, Eclesiastes 4:9-12 ao acompanhar um casal de caminhoneiros, entre tantos outros.

Em vez de mera citação decorativa, as Escrituras funcionam como chave de leitura: o casamento não aparece apenas como rito social, mas como vocação, pacto e caminhada espiritual. Há uma ética evangélica discreta, que insiste em perdão, cuidado, misericórdia e aliança – mais próxima das parábolas do cotidiano do que de qualquer discurso doutrinário.

Literariamente, as crônicas combinam rigor narrativo e simplicidade de voz. Em “Casamento em avião”, repito, luxo e extravagância são atravessados por um gesto de amor planejado com humor e engenho; em “Um casamento poético”, a liturgia se funde a quadras rimadas, Camões e Vinicius, num casamento que é também celebração da palavra; no zoológico, uma cobra mansa trazendo as alianças desloca o leitor do lugar comum e devolve o sacramento ao convívio com a criação; em “Quando o amor cura”, o reencontro de um idoso viúvo com a possibilidade de amar novamente mostra que o tempo afetivo nem sempre coincide com o calendário do luto.

Como lembram filósofos da narrativa, ao contar uma vida nós reordenamos o tempo e devolvemos sentido àquilo que parecia apenas perda ou acaso – é exatamente esse o movimento que o livro oferece ao leitor.

Há, ainda, um forte subtexto social: casamentos de garis, histórias que nascem em presídios, festas comunitárias, enlaces atravessados por greves, crises econômicas, acidentes e pandemias colocam no centro personagens que a literatura frequentemente deixa à margem.

Continua após a publicidade

Ao participar dessas experiências “quase reais” – muitas delas claramente alimentadas pela observação e vivências do próprio autor, reelaboradas como ficção de superfície, mas com fundo documental – o leitor tem a sensação de estar ouvindo causos de família, histórias que “poderiam ter acontecido comigo”. O impacto tende a ser duplo: conforto espiritual para quem crê e reconhecimento humano para quem vê suas alegrias e feridas representadas com respeito e ternura.

A grande verdade é que, dentro da tradição brasileira da crônica, Edomir se aproxima de autores que transformaram a própria experiência em matéria literária. Luis Fernando Veríssimo, por exemplo, fez de livros como Comédias da vida privada um espelho bem-humorado da vida conjugal e urbana, reunindo situações nascidas do cotidiano – casais, amigos, pequenas neuroses – em textos que misturam observação pessoal e imaginação ficcional; crônicas como “Palavreado” e “Defenestração”, recolhidas em seleções para a escola, mostram como o vivido se converte em narrativa que questiona e diverte ao mesmo tempo.

Enfim, “Uma Rosa, Por Favor” dialoga com essa linhagem, mas imprime um sotaque próprio: maranhense, pastoral, com importantes citações Bíblicas e por uma confiança radical de que o amor, quando levado a sério, ainda pode ser boa notícia. Imensamente feliz em ter sido convidado para apresentar essa brilhante obra.

Mhario Lincoln
Jornalista e poeta, editor da Plataforma Nacional do Facetubes.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
PEDRO CELIO FORTE SAMPAIOHá 3 meses FortalezaEssa resenha Mhariolinconiana sobre esse primor de obra em supremas Crônicas Edomiroliveirianas reflete e reproduz com muita fidelidade as particularidades de situações que são narradas com a riqueza e grandeza de quem faz das letras palavras que viram brinquedo e o autor literalmente brinca com as palavras e de uma forma que conduz o leitor a mostrar brilho nos olhos fruto do sorriso incontido diante do prazer inerente à leitura. Não tem como deixar de se maravilhar parabéns Padrinho e Afilhado
Monica Puccinelli Há 3 meses Curitiba Pr BR Que maravilha!
Maria ElizaHá 3 meses Vitória Há escritores que informam, outros que encantam — e há aqueles raros que conseguem fazer as duas coisas com naturalidade. Edomir Oliveira é um deles. Sua escrita é simples, sensível e verdadeira, capaz de tocar e fazer pensar ao mesmo tempo. Que continue escrevendo e inspirando cada vez mais leitores.
Adriana BritoHá 3 meses São Luís/MAProfessor e intelectual de longa data, Edomir Oliveira carrega uma experiência de vida que enriquece cada linha, sem jamais cair no pedantismo. Pelo contrário: ele escreve para ser lido por todos, mas consegue deixar em cada crônica um eco que permanece. Parabéns por essa obra consistente e generosa. Que venham muitas mais crônicas — o público brasileiro precisa de vozes como a sua.
Keila MartaHá 3 meses São LuísAs crônicas do professor Edomir Martins são incríveis, ele é um cronista experimentado, com uma linguagem simples mas a elaboração do texto extrapola o comum, pelas crônicas que li publicadas aqui no Facetubes, pude ter essa compreensão clara. E é formidável ler crônicas assim, com situações que parecem simples e até banais mas que o autor conduz de uma forma humorada e ao mesmo tempo provoca o leitor a olhar de forma reflexiva. Parabéns! Sucesso sempre...
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
17°
Parcialmente nublado

Mín. 13° Máx. 20°

17° Sensação
0.89km/h Vento
83% Umidade
100% (4.7mm) Chance de chuva
06h59 Nascer do sol
05h34 Pôr do sol
Sex 19° 11°
Sáb 17°
Dom 15°
Seg 12° 11°
Ter 18° 10°
Atualizado às 16h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 -1,65%
Euro
R$ 5,91 -1,22%
Peso Argentino
R$ 0,00 -2,94%
Bitcoin
R$ 342,985,23 +3,14%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias