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“O Papel Cultural das Academias”, mais um texto do poeta e escritor Luis augusto Guterres

“A cultura não se herda, ela se conquista.” — Malraux

29/03/2026 às 09h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: Luis augusto Guterres (autor)
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Presidente AMLJ, escritor Luis Augusto Guterres
Presidente AMLJ, escritor Luis Augusto Guterres

                    Luis Augusto Guterres, presidente da Academia Maranhense de Letras Jurídicas e convidado da Academia Poética Brasileira.                           

No princípio de novembro de 1896 um grupo de intelectuais liderados pelo escritor Machado de Assis já consagrado na literatura brasileira e também conhecido pelo carinhoso apelido de Bruxo do Cosme Velho, reuniu-se para lançar as bases da fundação da Academia Brasileira de Letras, tendo como espelho, e nos mesmos moldes, a Academia Francesa. Quase um ano depois, em julho de 1897, realizou-se a primeira sessão, com a presença de dezesseis dos quarenta membros.

                                                 Plantada a árvore original, a ideia se multiplicou pelo Brasil com a criação de congêneres estaduais, e a Academia Maranhense de Letras tem o registro de sua criação em 10 de agosto de 1908, capitaneada pelo jornalista, poeta, romancista, professor, tradutor, publicista e polemista Antônio Lobo, que hoje dá nome ao sodalício Casa Antônio Lobo.

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                                                Ao contrário do que muitos imaginam, as academias de letras não estão adstritas a compor seus quadros exclusivamente com escritores. Seguindo a tradição da Academia Francesa, as academias brasileiras reservam cadeiras para personalidades da cultura e das artes em geral. No caso da Academia Brasileira de Letras, podem ser citados a atriz Fernanda Montenegro, o cantor e compositor Gilberto Gil e o médico, notável cirurgião plástico, Ivo Pitanguy. Por sua vez, a Academia Maranhense de Letras conta com o acadêmico Turíbio Santos, exímio violinista de fama nacional. Tudo isso realça o papel essencialmente cultural das academias.

                                                  Uma das formas de as academias de letras promoverem a aproximação e a disseminação da cultura junto à sociedade é por meio de premiações em concursos literários ou da concessão de comendas a personalidades que façam jus a tais distinções.

                                                  A Academia Brasileira de Letras possui uma gama de prêmios distribuídos anualmente, com o objetivo de estimular as manifestações culturais em seus mais variados aspectos. O mais importante, por óbvio, leva o nome de seu fundador: o Prêmio Machado de Assis, destinado ao conjunto da obra. Seguem-se o Prêmio ABL de Poesia, o Prêmio ABL de Ficção, o Prêmio ABL de Ensaio e o Prêmio ABL de Literatura Infantojuvenil. Recentemente, foram criados os Prêmios ABL de Tradução e de História e Ciências Sociais.

 

                                                A Academia Maranhense de Letras (AML) concede anualmente o Prêmio Literário “Melhores Obras”, voltado à valorização da produção literária local, abrangendo categorias como romance, poesia e conto. Os vencedores recebem troféus, certificados e premiação em dinheiro, além de menções honrosas para obras de destaque. Entre os principais prêmios integrados à premiação “Melhores Obras” estão: o Prêmio Josué Montello, destinado à categoria de melhor romance; o Prêmio Ferreira Gullar, destinado à categoria de melhor livro de poesia; o Prêmio Coelho Neto, destinado à categoria de melhor livro de contos e a Medalha do Mérito Literário “Graça Aranha”, concedida a personalidades e instituições que se destacaram no cenário literário ou no apoio a projetos culturais no Maranhão.

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                                                 A Academia Maranhense de Letras Jurídicas, instituição que tenho a honra de presidir desde fevereiro deste ano, prevê, em seu estatuto, a concessão anual da Medalha do Mérito Jurídico Acadêmico a quem se destacar em palestras promovidas sob o patrocínio da AMLJ. Além disso, está em vias de publicar edital do Concurso Literário Wady Sauaia, em homenagem ao primeiro presidente da Academia. O certame tem como público-alvo graduandos em Direito de qualquer período, que concorrerão com a produção de crônica cultural sobre personalidades já falecidas do mundo jurídico ou com artigo jurídico em estilo jornalístico, prevendo premiação em dinheiro e a publicação dos textos na Revista da Academia Maranhense de Letras Jurídicas. Cumpre-se, assim, o mister das congêneres de incentivar a cultura e as letras, notadamente junto à juventude universitária.

 

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