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“De volta à Lua”, por SOCORRO GUTERRES, da Academia Poética Brasileira

“Voltamos novamente os olhos para a bela Selene, que paira luminosa (e incógnita na face que nos esconde) há mais de 380.000km.”

09/04/2026 às 11h27 Atualizada em 09/04/2026 às 11h51
Por: Mhario Lincoln Fonte: Socorro Guterres (APB/RGN-Autora)
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Socorro Guterres. (divulgação).
Socorro Guterres. (divulgação).

SOCORRO GUTERRES, da Academia Poética Brasileira

Em 1865 Júlio Verne nos proporcionou uma fantástica viagem literária com a obra Da Terra à Lua , um dos livros precursores no gênero da ficção científica a abordar as viagens espaciais. A missão Apollo 11 na exploração cósmica da Nasa, em 1969, no primeiro voo tripulado à Lua, teria mencionado o livro de Verne, praticamente 100 anos depois. A ficção visionária de 1865 firmou-se na realidade de 1969. Coincidentemente, na ficção são lançados ao espaço três astronautas, Ardan, Barbicane e Nicholl, mesmo número que comportou a Apollo 11 com Armstrong, Aldrin e Collins. Outra similaridade é o modo de comando da Apollo 11 ser denominado de Columbia e Columbíade ser o nome dado à cápsula tripulada do livro de Verne. Ademais,  a Apolo 11  e o projétil espacial ficcional são lançados igualmente do estado da Flórida.  Desse modo, Verne popularizou a ideia da viagem sideral num misto de didatismo e aventura de uma jornada extraordinária, descrevendo lançamento, cápsula tripulada e os efeitos da gravidade, inspirando gerações de cientistas e inventores, bem como de entusiastas das viagens espaciais.

Na verdade, a Lua oferece um fascínio ao imaginário literário, transitando entre o mistério da fronteira do desconhecido e a inspiração poética. Então, nestes dias atuais, novamente voltamos o olhar investigativo para o nosso satélite natural, a bela Febe como se referia Verne à lua, sob a denominação da deusa grega associada à luz brilhante e radiante, pois é tempo de novo sobrevoo lunar,  com a  missão Artemis II, também sob denominação grega da Lua, Artemis,  que seria a irmã gêmea de Apolo, numa clara referência à nave Apollo 11. Lançada em primeiro de abril de 2026, Artemis II marca o retorno humano à órbita da Lua após mais de cinquenta anos.

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   O livro de Júlio Verne além de ousado é muito científico, apresentando diversos cálculos e teorias. Resumidamente, a história do escritor francês Júlio Verne se passa nos Estados Unidos, ao fim da guerra de Secessão. A trama é predominantemente descritiva e expõe o Clube de Armas  de Baltimore, formado por  ex-combatentes, o "Gun Club", que com o fim da guerra fica à toa (numa das muitas ironias do texto) e decide sob a liderança do presidente dessa associação (Barbicane) lançar um projétil à lua, apresentando noções de física,  astronomia, mecânica, topografia, aceleração, movimentos de rotação, revolução e translação, dentre tantos outros conceitos relativos ao tema.

O voo que inicialmente seria uma espécie de bala de canhão não tripulado, posteriormente recebe, conforme já citado, três tripulantes. Tudo magistralmente calculado para a sobrevivência confortável com víveres e adaptações à atmosfera estelar. A história é uma mistura de engenharia, aventura e crítica social,  e  é totalmente à frente do tempo em que foi escrita. Na visão do narrador todos esperavam que um dia a América desvelasse os últimos segredos do disco misterioso.


   

NASA astronaut and Artemis II mission specialist Christina Koch peers out of one of the Orion spacecraft's main cabin windows, looking back at Earth, as the crew travels towards the Moon. Image Credit: NASA

Nestes dias, repito, voltamos novamente os olhos para a bela Selene, que paira luminosa (e incógnita na face que nos esconde) há mais de 380.000km.  Entretanto, aprendemos com Júlio Verne que a distância é uma palavra inútil, a distância não existe,  e cada vez mais nos aproximamos desse mundo desconhecido. Lembrando ainda as palavras do narrador, iremos à lua, aos planetas e às estrelas, como hoje se vai "de Liverpool a Nova York ".

Enquanto isso, apreciemos a lua e o espaço constelado do céu, na ficção apreendida em Verne, nas lembranças da Apollo 11 ou nas imagens cedidas do espaço distante pela missão Artemis II, sob o comando dos novos pioneiros a bordo da espaçonave Orion:  Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Kock e Jeremy Hansen, em mais um salto gigantesco para a humanidade.

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Ana ClaraHá 2 meses Natal/RNMaravilhoso texto, conectando a atualidade com um toque de poesia. Muito lindo ????????????????????????
LuciaHá 2 meses Vila Velha-ESParabéns Socorro! Sempre atenta às notícias da atualidade. Descrever sobre a lua , surge logo em nossa imaginação , o lado poético, que vc com maestria nos faz viajar.
Mimi CaldasHá 2 meses São Luis MaQue texto maravilhoso Socorrinho. VC sempre bela e inteligente.
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