
SOCORRO GUTERRES, da Academia Poética Brasileira
Em 1865 Júlio Verne nos proporcionou uma fantástica viagem literária com a obra Da Terra à Lua , um dos livros precursores no gênero da ficção científica a abordar as viagens espaciais. A missão Apollo 11 na exploração cósmica da Nasa, em 1969, no primeiro voo tripulado à Lua, teria mencionado o livro de Verne, praticamente 100 anos depois. A ficção visionária de 1865 firmou-se na realidade de 1969. Coincidentemente, na ficção são lançados ao espaço três astronautas, Ardan, Barbicane e Nicholl, mesmo número que comportou a Apollo 11 com Armstrong, Aldrin e Collins. Outra similaridade é o modo de comando da Apollo 11 ser denominado de Columbia e Columbíade ser o nome dado à cápsula tripulada do livro de Verne. Ademais, a Apolo 11 e o projétil espacial ficcional são lançados igualmente do estado da Flórida. Desse modo, Verne popularizou a ideia da viagem sideral num misto de didatismo e aventura de uma jornada extraordinária, descrevendo lançamento, cápsula tripulada e os efeitos da gravidade, inspirando gerações de cientistas e inventores, bem como de entusiastas das viagens espaciais.
Na verdade, a Lua oferece um fascínio ao imaginário literário, transitando entre o mistério da fronteira do desconhecido e a inspiração poética. Então, nestes dias atuais, novamente voltamos o olhar investigativo para o nosso satélite natural, a bela Febe como se referia Verne à lua, sob a denominação da deusa grega associada à luz brilhante e radiante, pois é tempo de novo sobrevoo lunar, com a missão Artemis II, também sob denominação grega da Lua, Artemis, que seria a irmã gêmea de Apolo, numa clara referência à nave Apollo 11. Lançada em primeiro de abril de 2026, Artemis II marca o retorno humano à órbita da Lua após mais de cinquenta anos.
O livro de Júlio Verne além de ousado é muito científico, apresentando diversos cálculos e teorias. Resumidamente, a história do escritor francês Júlio Verne se passa nos Estados Unidos, ao fim da guerra de Secessão. A trama é predominantemente descritiva e expõe o Clube de Armas de Baltimore, formado por ex-combatentes, o "Gun Club", que com o fim da guerra fica à toa (numa das muitas ironias do texto) e decide sob a liderança do presidente dessa associação (Barbicane) lançar um projétil à lua, apresentando noções de física, astronomia, mecânica, topografia, aceleração, movimentos de rotação, revolução e translação, dentre tantos outros conceitos relativos ao tema.
O voo que inicialmente seria uma espécie de bala de canhão não tripulado, posteriormente recebe, conforme já citado, três tripulantes. Tudo magistralmente calculado para a sobrevivência confortável com víveres e adaptações à atmosfera estelar. A história é uma mistura de engenharia, aventura e crítica social, e é totalmente à frente do tempo em que foi escrita. Na visão do narrador todos esperavam que um dia a América desvelasse os últimos segredos do disco misterioso.
Nestes dias, repito, voltamos novamente os olhos para a bela Selene, que paira luminosa (e incógnita na face que nos esconde) há mais de 380.000km. Entretanto, aprendemos com Júlio Verne que a distância é uma palavra inútil, a distância não existe, e cada vez mais nos aproximamos desse mundo desconhecido. Lembrando ainda as palavras do narrador, iremos à lua, aos planetas e às estrelas, como hoje se vai "de Liverpool a Nova York ".
Enquanto isso, apreciemos a lua e o espaço constelado do céu, na ficção apreendida em Verne, nas lembranças da Apollo 11 ou nas imagens cedidas do espaço distante pela missão Artemis II, sob o comando dos novos pioneiros a bordo da espaçonave Orion: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Kock e Jeremy Hansen, em mais um salto gigantesco para a humanidade.
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