Ao depois do “Existencial de Agosto”
(*) Mhario Lincoln
Há muito tempo conheci Pergentino Holanda. Nosso primeiro encontro foi no restaurante “Palheta”, no velho aeroporto de São Luís, onde minha mãe, Flor de Lys, promovia um jantar de apresentação de garotas maranhenses, preparando-as para o concurso regional, “Rainha do Algodão”. Com ele, conversei quase uma hora. Uma pessoa diferenciada. Notei isso claramente. Bastaram algumas palavras e alguns sonhos, a mim confidenciados, para que logo profetizasse o futuro dele.
Tempos depois, tive acesso a primeira obra poética de PH: “Existencial de Agosto”. O livro foi imediatamente reconhecido pela crítica e ultrapassou o estreito dos Mosquitos (braço de mar que separa a Ilha do Continente). Personalidades da Academia Brasileira de Letras, especialistas de grandes jornais e figuras das mais expressivas, aplaudiram a estreia de Pergentino Holanda.
Foi o início de uma bela carreira – não exclusivamente em livros físicos – mas em colunas diárias quando ele fala da sociedade – não só como a elite vive, pensa e se diverte -, mas de forma completamente diferente, dando início assim, a um período que eu costumava chamar de ‘colunismo conceitual, pós- romântico’, interferindo e modificando hábitos da população de maior recurso, tornando-a mais parecida com a grande época do glamour nacional de Ibrahin Sued e Jacinto de Thormes.
Na verdade, a coluna de PH passou a ser um grande condensador da opinião pública, a partir das páginas de “O Estado do Maranhão”. Todos liam. Do pobre ao leitor majoritário. Pelo menos é a tese defendida por Marques de Melo, quando conceitua o advento dessa editoria específica.
Diz ele: “O colunismo atende a uma necessidade de satisfação substitutiva existente no público leitor. Já que a maioria das pessoas está excluída do reduzido círculo dos colunáveis (poder/estrelato), dá-se-lhe a sensação de participar desse mundo, através dos colunistas. Trata-se de uma forma de participação abstrata. Participam sem fazer parte. Acompanham à distância”. E como acompanham! A maioria da população que lê jornais, lê colunas sociais. Junto a isso, a qualidade explícita e diferenciada da coluna de PH a transformou numa das páginas de significativa leitura.
Claro que toda essa experiência só aumentou a qualidade de seu trabalho diário e lhe trouxe imediata fama e reconhecimento. Isso me lembra o sociólogo francês Erik Neveu desmistificando a importância da linha imposta pelo editor da coluna de sociedade, que deve ter, antes de tudo, percepção da importância da notícia na “(...) escolha dos acontecimentos a serem valorizados.” E mais: “(...) valorizá-los com emoção...”. Ou seja, não reproduzir releases pré-fabricados. Mas, e principalmente, publicar ‘furos’, ter acesso o mais rápido possível à fonte de informação e escrever as matérias de forma conceitual e pessoal, fazendo o leitor ter informações rápidas, quase sempre inéditas e consubstanciadas. Isso PH fez e vem fazendo com maestria.
Por tudo isso, é que neste dia 7, na Associação Maranhense de Escritores Independentes, AMEI, no “São Luís Shopping”, haverá noite de autógrafos ‘conceitual e pessoal’, como diria Neveu, para o lançamento oficial em livraria, das novas obras “Em Busca de Vultos Perdidos”, dele mesmo, e “PH – Ícone e Grife da Sociedade”, do jornalista Thiago Bastos. Detalhe: os livros já estão expostos na Livraria.
No assunto: “Tudo indica que será um encontro inesquecível de influenciadores literários e seguidores em torno de dois livros que mostram os desafios de produzir conteúdo e escrever no cenário atual”, escreve o jornalista e colunista social Pergentino Holanda. Evoé, poeta!
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Nota de Rodapé: O lançamento dos livros “Em busca de vultos perdidos” (coletânea de crônicas publicadas no Caderno PH Revista, do jornal O Estado do Maranhão) e “PH: Ícone e Grife da Sociedade” (biografia autorizada e escrita pelo jornalista Thiago Bastos) acontecerá na Livraria e Espaço Cultural AMEI no São Luís Shopping na segunda-feira, dia 07/12 das 18h às 21h. O autor receberá o público e autografará seus livros em horário estendido para evitar aglomerações.
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