Primeiro, tem-se que analisar a epígrafe- suicídio copiado.
Um suicídio copiado é definido como a emulação de um outro suicídio que a pessoa que está tentando se suicidar tem ciência, devido a tradição e conhecimentos locais ou a representações do suicídio original em diferentes meios de comunicação, como televisão, livros e a internet.
A partir daí, chega-se ao 'Efeito Werther', referindo-se a um pico de emulações de suicídios depois de uma morte amplamente divulgado. O nome se deve ao romance 'Os Sofrimentos do Jovem Werther', do alemão Johann Wolfgang von Goethe.
O suicídios pontuais são os acontecidos em série no espaço e no tempo, e tem sido ligados diretamente a socialização de indivíduos próximos.
No caso do livro 'Os Sofrimentos do Jovem Werther", esse, foi o causador de uma onda de suicídios assolou a Alemanha em 1774. Quando Goethe (1749 – 1832) escreveu o livro, o autor de Fausto não imaginava que a obra se tornaria “maldita”. Werther se transformou em um sinônimo do poder da literatura sobre as pessoas.
Sua prosa avassaladora e realista foi fundamental para que os leitores se identificassem com os dilemas sentimentais do personagem e tirassem as próprias vidas.
Por outro lado, Napoleão Bonaparte que leu Os Sofrimentos do jovem Werther por sete vezes e o tornou obra obrigatória para os soldados. Como se vê, para uns, a destruição da vida. Para outros, o incentivo para a vitória.
Um estudo à luz da psicologia que li, dá uma outra visão ao episódio e não confirma literalmente que esses suicídios tenham ocorrido após a leitura o livro. O estudo é de Ana Felipa Almeida. (Scielo).
Diz o estudo: "(...) O romance de Goethe Die Leiden des Jungen Werthers, o qual acaba com o suicídio do seu protagonista, provocou uma onda de suicídios de imitação após a sua primeira publicação em 1774. Referindo-se a este incidente histórico, Phillips (1974) deu-lhe o nome de «efeito de Werther».
No entanto, o impacto suicida do romance de Goethe nunca foi conclusivamente demonstrado (Phillips, 1985). Apenas mais recentemente foram postas em prática tentativas científicas para examinar a existência de um possível efeito de Werther. (e.g. Phillips, 1974; Phillips & Carstensen, 1986; Schmidtke & Hafner, 1988). Kreitman et al. (1969) constataram que quem se tenta suicidar possui um pouco usual número de amigos suicidas. Este resultado poderá indicar que as pessoas propensas ao suicídio, escolhem, para amigos, indivíduos também eles com tendências suicidas.
Brent et al. (1992) consideram que a proximidade à tentativa de suicídio pode encorajar a imitação. Segundo Hazell e Lewin (1993) a maior associação entre uma forte proximidade à tentativa de suicídio e a consequente ideação e comportamento suicida pode dever-se a amizades do mesmo tipo.
Estes autores consideram que adolescentes com fatores de risco, incluindo passado histórico de ideação e/ou comportamento suicidas, podem escolher-se mutuamente como amigos, aumentando assim a possibilidade de os amigos de um adolescente suicida apresentarem a presença desses fatores.
Propusemo-nos, assim, elaborar uma metodologia de investigação exploratória, colocando-se nesta como hipótese de estudo, tendo em conta a literatura revista sobre o tema em questão, que a proximidade a um amigo que tenha tentado o suicídio é um fator de risco significante para a consequente ideação suicida, ou seja, os adolescentes que têm amigos que tentaram o suicídio apresentam uma maior ideação suicida do que os adolescentes que não têm amigos que tentaram o suicídio.
Assim, uma identificação ativa de adolescentes em risco de assumir um comportamento suicida imitativo deve ser considerada uma prioridade, que tem como objectivo primordial reduzir o nível epidémico de suicídios entre os adolescentes (Reynolds, 1991).
O tempo presente é, por isso, de entusiasmo pelas possibilidades e novidades que contém. É um tempo de debate, criatividade e de procura de novos enquadramentos e novos sentidos - porque é na controvérsia que se constrói a aventura do
conhecimento. A história da ciência é bem exemplificativa de como o conflito entre sistemas de conhecimento é vital para estimular e consolidar avanços na compreensão do mundo e é por isso nosso desejo que este trabalho possa, de alguma forma, contribuir para lançar novos reptos aos estudiosos do efeito de Werther e adiantar alguns espaços no caminho que leva à sua compreensão; é no entanto nosso objetivo primordial, que este trabalho possa servir para minimizar o risco de comportamento suicida imitativo e promover a recuperação saudável dos adolescentes afetados.
Para ler a íntegra do trabalho: http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v18n1/v18n1a03.pdf
A título de ilustração, a poetisa e membro da Academia Poética Brasileira, Vanessa Musial, envia um de seus mais bonitos poemas acerca de Whether. Está em seu livro POÉTICA.
“Werther”
VANESSA MUSIAL
Porventura já desejastes
Em nome do amor doar tua vida,
E pela pessoa que mais amastes
Destinar deste mundo tua ida?
Quiçá já pensaras, um dia
A dedicar a alguém tua sina,
E findar toda a dor e alegria
Nele, que este desejo culmina?
Acaso sequer já cogitara a ideia
De, como um romântico mártir,
Morrer pelo amor que mais anseia?
Tal como Werther findou sua essência
E por sua amada decidira partir,
Dedicarias ao amor tua existência?
*Soneto inspirado no livro Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), de Goethe.
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