Redação da Plataforma Nacional do Facetubes
Foram 413,6 metros de distância. O suficiente para transformar o trabalho de três estudantes da rede pública municipal de Raposa, na Região Metropolitana de São Luís, em uma conquista de alcance nacional. Robson Kauan Leal Araújo, Wanyson Abdon Cardoso Sousa e Kayk Santos Silva, alunos da Escola Municipal Jarbas Passarinho, conquistaram o primeiro lugar na jornada nacional da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) 2026, realizada no estado do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela Prefeitura de Raposa em 22 de outubro.
Para compreender o significado dessa conquista, é preciso conhecer a competição. A OBAFOG nasceu da antiga Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), denominação substituída em 2025. A proposta é aproximar os estudantes da física, da matemática, da astronomia e da astronáutica por meio de uma experiência concreta: construir foguetes, desenvolver suas bases de lançamento, realizar testes e medir os resultados. O projeto é aberto a escolas públicas e particulares de todo o país e integra as atividades promovidas pela organização da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).
Nas escolas, os participantes aprendem que o lançamento de um foguete depende de conhecimentos que vão além da montagem de suas peças. A pressão, o peso, a estabilidade, a resistência do ar e o ângulo de lançamento interferem na distância alcançada. Cada tentativa oferece informações para corrigir procedimentos e aperfeiçoar o projeto. O aprendizado acontece no próprio exercício de experimentar, medir e compreender os resultados.
Em 2026, a olimpíada adotou sete modelos de foguetes, distribuídos conforme a escolaridade e as características dos projetos. Entre eles estão os construídos com garrafas PET e impulsionados por água e ar comprimido, os movidos pela reação de vinagre com bicarbonato de sódio e modelos de maior complexidade, incluindo sistemas de múltiplos estágios e eletrônica embarcada. Os estudantes com os melhores desempenhos na fase escolar podem ser convidados para as Jornadas de Foguetes, encontros nacionais realizados em Barra do Piraí, no interior do estado do Rio de Janeiro, entre agosto e dezembro.
Foi nesse ambiente de aprendizado e competição que os representantes de Raposa alcançaram o resultado divulgado pela administração municipal. A delegação embarcou no Aeroporto Internacional de São Luís, na madrugada de domingo, 18 de outubro, acompanhada pelo gestor escolar Richardson Correa Matos e pelo professor Valderlino Araújo Nina, responsável pela preparação da equipe. A viagem levou os estudantes a uma experiência que reúne participantes de diferentes regiões brasileiras, todos envolvidos na aplicação prática de conhecimentos científicos.
A conquista também dá continuidade a um trabalho desenvolvido anteriormente na mesma escola. Na edição anterior, uma equipe de Raposa havia alcançado o vice-campeonato nacional, resultado anunciado em fevereiro de 2026, após jornadas iniciadas em 2025. Naquela ocasião, o projeto orientado pelo professor Valderlino utilizou foguetes do nível 3, movidos por água e ar comprimido. Agora, uma nova equipe chegou ao primeiro lugar de sua jornada, consolidando a participação da escola municipal nessas atividades científicas.
O prefeito Eudes Barros atribuiu a conquista ao trabalho desenvolvido na educação municipal e parabenizou alunos e profissionais envolvidos. Para o gestor, a presença dos estudantes no pódio deve servir de incentivo à continuidade dos projetos escolares. A secretária municipal de Educação, Verismar Gomes, também destacou a importância de ampliar as oportunidades para que os alunos participem de experiências práticas e tenham contato com atividades que ultrapassam os limites da sala de aula.
A presença de uma escola municipal maranhense entre as equipes premiadas merece atenção pelo significado educacional da iniciativa. A construção de um foguete exige organização coletiva, acompanhamento pedagógico, domínio de procedimentos e disposição para enfrentar erros durante os testes. Nesse processo, o estudante deixa de ser apenas receptor de informações e passa a participar da produção de conhecimento, utilizando aquilo que aprende nas disciplinas escolares.
Raposa, município maranhense conhecido pela atividade pesqueira e pelo trabalho de suas comunidades tradicionais, (as famosas rendas de 'bilros"), acrescenta agora mais uma referência à sua trajetória: a participação de seus estudantes em uma competição nacional de ciência e tecnologia. O reconhecimento alcançado pela Escola Municipal Jarbas Passarinho também evidencia a responsabilidade das redes de ensino na criação de condições para que professores e alunos desenvolvam projetos dessa natureza.
A distância de 413,6 metros ficará registrada na história dessa equipe. Seu significado educacional começa muito antes do lançamento, nas orientações do professor, nos cálculos, nas tentativas e no trabalho compartilhado pelos estudantes. A conquista de Raposa demonstra o que pode acontecer quando uma escola pública incorpora a experimentação científica ao cotidiano de seus alunos e transforma o conhecimento em realização.
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Fontes consultadas
- Prefeitura de Raposa — Resultado anunciado em 22 de outubro de 2026.
- Prefeitura de Raposa — Identificação dos estudantes e da equipe pedagógica.
- Organização da OBA/OBAFOG — Funcionamento das Jornadas de Foguetes.
- OBAFOG — Regulamentos oficiais de 2026.
- Agência Brasil — Cobertura da Jornada de Foguetes de 2026.
Nota de apuração: A competição nacional ocorreu em Barra do Piraí (RJ), e não em São Luís. O embarque da delegação aconteceu na capital maranhense. Os 413,6 metros e a primeira colocação estão confirmados pela divulgação oficial da Prefeitura de Raposa.
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