TEMPOS DRAMÁTICOS: QUARENTENANDO
*Nauza Luza Martins
Tenho morrido muito ultimamente em solidariedade a morte de amigos, de amigos e entes queridos dos amigos e todas as pessoas vítimas de um inimigo invisível e mortal. São tempos difíceis que lembram os tempos de guerra descrito nos livros. Estamos vivendo uma pandemia que exige a chamada quarentena com distanciamento, e, até isolamento social. Ontem mesmo morri um pouco. Vivi um momento dramático jamais imaginado.
Vi um dos meus filhos de longe, sem beijos nem abraços apertados. A morte nos ronda, fiquemos atentos a um novo começo, diferentes laços. Tenho muito amor dentro de mim e apego exagerado pela vida. Perder pessoas amadas e queridas jamais estarei precavida.
Aqui em casa a quarentena deu conflito. Sou da faixa de risco. Situação inversa se instalou com filhos aflitos. Estou até gostando de dar trabalho, de ser cuidada.
Reclusão opcional é um estilo de vida que já adoto há tempos, mas, quando vira isolamento social imposto mexe com todas as células do meu corpo, deixa espírito e mente atordoados. Foi apenas um choque inicial de uma realidade crucial. Parei, pensei e aderi. É quarentena, afinal.
A falta de liberdade mesmo temporária é deveras temerária até adoeci de puro estresse. Comoção total, sob intenso protesto quase fui levada para o hospital. Acreditem, melhorei bem rapidinho e a paz se instalou afinal.
Vale lembrar que ainda é possível ver o sol nascer, manter as amizades, ter esperança, colocar a leitura e os seriados de TV em dia, conviver e conversar mais com os filhos, ensiná-los que ficar em casa pode dar prazer, fazer experiências na cozinha, jogar cartas, ouvir músicas de estilos variados e juntos dançar.
Aqui em casa trocamos o dia pela noite. Até colocamos o sono em dia. Tempo bom para fazer planos e refletir de vez em quando sobre o nosso estar no mundo mesmo “Quarentenando”. Fazemos nossa parte cuidando de nós mesmos, ajustando nossos hábitos até mesmo as manias, adequando o dia a dia com critério e lucidez. Vivendo intensamente um dia de cada vez.
*Nauza Luza Martins
(Lua de Vênus)
28/01/2021.
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