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Efemérides: Sálvio de Jesus de Castro e Costa (Sálvio Dino), por Edmilson Sanches, Parte 01

07/06/2023 às 10h14
Por: Mhario Lincoln
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SÁLVIO DE JESUS DE CASTRO E COSTA (SÁLVIO DINO)

 

---- Cada ser humano tem dentro de si seu próprio cemitério. Ali ele guarda e cultiva seus mortos. Talvez hajam tumbas descuidadas, sepulcros não caiados... túmulos negligenciados, sepulturas indiferentes, mausoléus desleixados... Como em todo campo santo, também no cemitério de nossa mente e coração há que se ter zelo pelos que se foram, cuidar ou ao menos (re)lembrar do legado que, querendo ou não, deixaram por aqui, para os dias sem fim que hão de vir. 

 

Nascido em Grajaú (MA), em 5 de junho de 1932, Sálvio Dino tinha 88 anos, 2 meses e 19 dias quando faleceu na manhã de uma segunda-feira, 24 de agosto de 2020, em São Luís (MA).

 

Sálvio de Jesus de Castro e Costa (Sálvio Dino), advogado, jornalista, orador, pesquisador, historiador, escritor, político e acadêmico, morava em João Lisboa (MA), município do qual foi prefeito duas vezes. 

 

Acerca das causas de seu falecimento, Sálvio já havia apresentado problemas nos pulmões e no coração. Tempos atrás lhe haviam colocado dois “stents”  --  os revolucionários microtubos que em 2001, pela primeira vez no mundo, foram aperfeiçoados e postos nas artérias coronárias pelo médico José Eduardo Moraes Rego Sousa, maranhense nascido em Pedreiras, falecido há pouco mais de um ano, em 12 de março de 2022. 

 

Internado em hospital de Imperatriz (cidade vizinha a João Lisboa), Sálvio Dino parecia ter se recuperado dos males ...até ser infectado pelo coronavírus, com progressão para a doença covid-19. No dia 19 de agosto de 2020, meados da semana, tendo apresentado visíveis melhoras, já se cogitava de Sálvio Dino receber alta na sexta-feira, seguindo o que já ocorrera com a esposa, Dª Iolete Aranha de Castro e Costa, que recebera alta e estava de volta à residência no município joão-lisboense. 

 

Tanto se sentia bem o Sálvio que ele pedira e recebera livros para leitura. Lamentavelmente, poucas horas depois, já no dia 20 de agosto de 2020, quinta-feira, um repentino agravamento no quadro de sua saúde levou-o a ser transferido via aérea para São Luís. Saiu do Hospital Macrorregional Drª Ruth Noleto, de Imperatriz, para o Hospital de Referência Estadual de Alta Complexidade Dr. Carlos Macieira, no bairro Calhau, em São Luís (MA). Ambos os hospitais são estabelecimentos da rede pública estadual de Saúde. 

 

Na capital maranhense, Sálvio Dino ainda recebeu mais “stents”, os microtubos revolucionários que facilitam o fluxo de sangue no coração. Seu corpo teria reagido bem  --  mas a agressividade da nova doença virótica ampliou o comprometimento dos pulmões e levou a um estado geral de agravamento da saúde do grande sertanejo grajauense.

 

Sálvio Dino, ao invés da noite, escolheu  -- pode-se dizer --  o amanhecer do primeiro dia útil da semana, 24 de agosto de 2020, para dar início à sua jornada rumo à nova vida. E ainda, por assim dizer, “desmentiu” apressados escrevedores de notícia, os quais, antecipando-se a Deus e ao próprio Sálvio, (des)informaram milhares e milhares de pessoas com o registro de que o Grande Tribuno dos Sertões havia falecido na tarde de domingo, 23 de agosto. 

 

Entre o fim e o começo de um período, o escritor Sálvio tomou a liberdade de resistir ainda mais, para somente entregar-se à Eternidade quando o rei Sol fizesse acontecer o raiar de um novo dia...

 

Nascido em 5 de junho de 1932, Sálvio de Jesus de Castro e Costa era um dos três filhos do casal Maria José Barros de Castro e Costa e Nicolau Dino de Castro e Costa. Dos dois irmãos de Sálvio, colhi o nome de Nicolau Dino de Castro e Costa Filho, militar, da Intendência do Exército Brasileiro, que em dezembro de 1970 era capitão e estava sendo promovido ao posto de major.

 

Do pai Nicolau Dino, nascido no estado do Amazonas, é que veio o nome  -- incorporado oficialmente ou não -- pelo qual Sálvio e seus descendentes são tão conhecidos. “Dino” é prenome e também sobrenome com origem na forma diminutiva, reduzida, popular ou coloquial com que, na Itália, eram tratadas pessoas que tinham prenomes ou sobrenomes como “Bernardino”, “Fernandino”, “Galdino”, “Ricardino”, “Ubaldino” etc., valendo também para o gênero feminino  -- Dina.

 

Sálvio Dino.

A mãe de Sálvio, Maria José, era maranhense, descendente de família de quatro costados do Grajaú, como ele, Sálvio, filho, conta em seu livro ainda inédito  -- que o próprio Sálvio, premonitoriamente, chamou de “meu canto do cisne” (a última obra), cujos originais foram a mim confiados, em maio de 2020, para fazer a revisão, prefácio e edição. Esse livro, ainda sem revisão dos originais, já teve pronto um projeto gráfico-editorial, para efeito de orçamentação, e foi entregue na residência do Autor, em João Lisboa. Na obra, Sálvio Dino escreveu sobre o casamento de seus pais, assim: “Outra personagem marcante: Nicolau Dino de Castro e Costa, magistrado-poeta, que deu singular brilho à sua atuação no terreno da magistratura e da nossa vida social e cultural. Diga-se, ‘en passant’, aqui, neste histórico casarão [o atual prédio-sede da Academia Grajauense de Letras e Artes, que foi presidida por Sálvio], ele casou-se no civil e no religioso com a jovem Maria José, filha de uma das mais tradicionais famílias grajauenses, a família Barros. E quem fez esse casamento foi o então juiz de paz Gustavo Santos, também do mesmo naipe de conceituada família de nossa terra”.

 

Além do singular e forte nome “Dino”, também vieram do pai Nicolau para o filho Sálvio e seus descendentes o gosto pela leitura, o exercício da escrita, a atuação na Imprensa e o pendor para as Ciências Jurídicas, o Direito, a Magistratura, a Justiça: todos os quatro filhos de Sálvio Dino têm formação em Direito. 

 

O amazonense Nicolau Dino, pai de Sálvio, nasceu em 16 de maio de 1900 e faleceu em 1976, em São Luís. Estudou em Belém, onde foi redator do jornal “Folha do Norte” e onde se diplomou bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, em dezembro de 1920. Vindo para o Maranhão, teve sólida e ascendente carreira jurídica: foi promotor público na comarca de Grajaú, na qual, a partir de 1926 e por quase duas décadas, foi juiz de Direito, transferindo-se, em 1948, para São Luís. Na capital maranhense, em 1950, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão, desempenhando seguidamente as funções de corregedor, vice-presidente e presidente. Também foi presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (1955) e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Publicou diversos livros no campo jurídico, literário e histórico, entre os quais: “Da Inseminação Artificial Humana”, “Magistrados Poetas” e “O Visconde Vieira da Silva”.

 

Sálvio Dino é pai de quatro filhos, todos nascidos em São Luís, os três primeiros (Nicolao, Flávio e Sálvio Junior) com Dª Rita Maria dos Santos Castro e Costa, advogada, e o quarto, Saulo, em segundas núpcias, com Dª Iolete Aranha de Castro e Costa, que foi secretária municipal de Desenvolvimento Social e de Saúde de João Lisboa:

 

- Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, nascido em 25 de agosto de 1963. É mestre em Direito, professor universitário, subprocurador geral da República e foi vice-procurador-geral eleitoral do Brasil (2016/2017);

 

- Flávio Dino de Castro e Costa, nascido em 30 de abril de 1968. É advogado, mestre em Direito, professor universitário e ex-diretor da Escola de Direito de Brasília, do Instituto Brasiliense de Direito Público. Exerceu funções nos três Poderes da República: no Judiciário, foi juiz federal (1994/2006); no Legislativo, foi deputado federal, de 1º de fevereiro de 2007 a 1º de fevereiro de 2011; e, no Executivo, foi presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), de junho de 2011 até março de 2014, e governador do Maranhão, eleito e reeleito (2014 e 2018), exercendo desde 1º de janeiro de 2015 a função, até se desincompatibilizar em 2022 para candidatar-se a novo mandato no Congresso Nacional;

 

- Sálvio Dino de Castro e Costa Junior, nascido em 1º de fevereiro de 1975. É advogado, especialista em Direito Processual Civil, professor universitário e sócio fundador da Dino, Figueiredo & Lauande Advocacia e Consultoria, em São Luís. Foi secretário estadual de Justiça e Cidadania (2005/2006) e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão. É membro da Academia Maranhense de Ciências;

 

- Saulo Aranha de Castro e Costa (Saulo Dino), o mais novo, nascido em 13 de dezembro de 1981, é bacharel em Direito, empresário e ex-atleta de basquetebol. Foi secretário de Esportes e Lazer do município de Imperatriz (MA) e secretário municipal de Infraestrutura e Urbanismo em Açailândia (MA).

Leia a parte 02: https://www.facetubes.com.br/galeria/396/efemerides-salvio-de-jesus-de-castro-e-costa-salvio-dino-por-edmilson-sanches-parte-02

 

 

Foto:  Sálvio Dino e Edmilson Sanches.

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JAIME Há 3 anos BSB/DFO Cronista resgata um homem de valor. Aplausos de Pé!!!
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