Loba solitária
Nauza Luza Martins
Astuciosa, sagaz, sem alcateia
Pelas agruras do tempo moldada,
Nunca vencida, jamais calada.
Apenas refugiada.
Protegida no véu do silêncio, aquietada,
Unhas afiadas, preparada.
Diante de ataque iminente, alvoroçada.
Turbas se alinham à minha frente,
Me vejo cercada.
Traço estratégias, não dá em nada
Rompo meu cerco de proteção
Enfrento a guerra,
Bandeira branca hasteada,
Minha arma é a paz, violência destrói e mata.
Sou Luza, luz, brilho,
Tenho meu nome escrito nas estrelas
Sou de uma linhagem de mulheres guerreiras. Fortemente armadas com armas letais
Fogo da paixão, amor pela vida,
Sigo o calendário lunar,
Viajo nas aventuras dos livros que leio,
Descrevo meus dias em versos que delineio.
Sou como uma rara flor
Que floresce em campo de espinhos.
Como o peixe que sobrevive em águas vorazes.
A árvore que resiste às ventanias.
Danço ao luar fugindo da ganância
De predadores, ladrões de almas e suas tiranias.
Nauza Luza Martins
Brasília, 13/08/2023

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