Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia Caxiense de Letras, Eziquio Barros, na pessoa de quem saúdo os acadêmicos aqui presentes. Autoridades. Amigos. Minha família. Senhoras e Senhores!
“Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”
(Carlos Drummond)
A priori, eu preciso agradecer minha mãe, Maria do Socorro, que orientou meus voos sempre. Agradecer minha esposa Larissa Amorim, meus filhos: Paulo Neto e Açucena Maria pelo amor e carinho em todas as manhãs da existência. E fazer um agradecimento in memoriam, ao professor Pedro Filho, que me apresentou a literatura na quinta série do ensino fundamental, na Escola Inês Galvão. Aquele professor sabia que mudaria a vida de um menino negro, sem pai, residente numa geografia perigosa. A poesia iluminou os meus becos e vielas.
Com esse sentimento de agradecimento, estou aqui neste momento, para, em um ato de galhardia, ingressar na mais alta casa do saber de Caxias, Casa de Coelho Neto.
Honra-me saber que o patrono desta cadeira foi um notável jurista.
Arthur Almada Lima nasceu em Caxias a 12 de março de 1897, e faleceu em São Luís a 6 de setembro de 1975, filho do Coronel Cesário Fernandes Lima e de Maria José de Almada Lima.
Fez Faculdade de Direito, no Rio de Janeiro, sendo o acadêmico mais novo da turma. Na escola Superior foi aluno de nomes importantes, tais como Oswaldo Aranha e Afrânio Peixoto. Começou sua história na magistratura muito cedo. Exerceu cargos importantes até ser promovido a desembargador, em 1965. Exerceu o cargo de Presidente do Tribunal Eleitoral do Maranhão no biênio 66/67.
Foi condecorado com a medalha de Mérito Timbira do Maranhão e com a medalha dos 50 anos da Faculdade de Direito.
Almada Lima é o patrono da cadeira de número 03, que carrego agora, a honrosa missão de ocupá-la.
O fundador desta cadeira, que tenho eu a missão de ocupar, é Arthur Almada Lima Filho. Nasceu em Caxias, no dia 17 de outubro de 1929 e faleceu em São Luís, em 27 de outubro de 2021. É filho ilustre do patrono da cadeira de número 03.
Aluno destacável desde cedo. Foi aprovado no Vestibular de Direito, em São Luís, em janeiro de 1951. Em dezembro de 1955 tornou-se bacharel respeitado entre os pares. Destacou-se no movimento estudantil, chegando a presidir o Diretório Acadêmico Clodomir Cardoso.
Orientou a fundação do jornal O Macro, que tinha como redatores Renato Carvalho, Jomar Pires e Otávio Lira Filho. Professor por vocação fundou o Ginásio Breijerense, quando foi Promotor Interino da Comarca de Brejo. Em 1962 fora transferido para a Promotoria de Chapadinha, lá assumiu a direção do Ginásio Professor Mata Roma. Um homem inquieto, preocupado com a construção da justiça social, professor comprometido com a “última flor do Lácio”.
Uma grande alegria para Arthur Almada Lima Filho foi trabalhar na Comarca de Caxias por 09 anos. Promovido, em 1995 ao cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão. Em 1998, foi eleito para o Tribunal Regional Eleitoral. Ocupou a Presidência da referida corte. Recebeu a medalha de Mérito Judiciário “Antônio Luís Vellozo”, medalha Ministro Carlos Madeira (da Justiça Federal) e outras tantas.
O desembargador, juiz de Direito, advogado, professor, jornalista, pesquisador, historiador, fundador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias era sim um intelectual incansável, um exemplo para nós.
Este 28 de outubro é para mim um dia de alegria e responsabilidade por me assentar na cadeira de número 03 desta Academia Caxiense de Letras, porque é um espaço de confrades e confreiras que aumentam a potência da literatura e cultura do Brasil.
Ocuparei o assento de número 03, que possui como patrono Arthur Almada Lima e seu filho ilustre Arthur Almada Lima Filho foi o primeiro a ocupar tão honrosa cadeira. Portanto, é uma responsabilidade imensa para este acadêmico de Direito, que afirmou na sua Carta aos Doutos: “Eu sou um poeta. Não quero me apresentar de outra maneira. Não existe nada tão simples e grandioso que eu possa dizer de mim mesmo. Eu sou apenas um poeta. Claro, como todos, posso multiplicar as palavras que me dizem. Sou boêmio sempre que posso; professor, porque meu povo precisa; um amante, porque a vida me chama; jornalista, porque o mundo não para”.
Já publiquei seis livros, e com alguns deles recebi algumas honrarias que renovam a minha esperança, tais como o (Prêmio Álvares de Azevedo da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro; Prêmio Internacional Literatura & Fechadura de São Paulo).
Ferreira Gullar, no livro Em Alguma parte Alguma afirma: “Só é poesia o que não se sabe”. Por quê? Porque a poesia é uma aprendizagem. Como a vida é um eterno aprender. Coloco-me, na Casa de Coelho Neto, para contribuir e aprender.
Muito obrigado.
Paulo Rodrigues
Abaixo, com os confrades e confreiras da ACL

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