Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
Tudo aquilo que na vida conquistar
Com gosto do suor que derramou
Sem mácula no caminho que passou
Da decência você pode se orgulhar
E firme você pode continuar
Seja sempre de Deus a criatura
Lute sem perder sua ternura
Sem temor a curar cada ferida
Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
E aquele que viver dignamente
Em paz vai fazendo sua trilha
Sua luz na estrada essa brilha
As bênçãos elas chegam de repente
O carisma do bem se faz presente
Esse ser o que faz, faz com bravura
E na vida condena a tortura
também faz a derrota revertida
Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
O crack espalhou-se na nação
Hoje o mau se alastra pelo mundo
Há uma vida ceifada por segundo
E o tráfico é cruel na sua ação
Somente Deus para dá sua proteção
Fúria sobe a temperatura
Caldeirão tempo todo na fervura
Juventude no mundo tá perdida
Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
E quem chega no final da trajetória
Festeja conquistas alcançadas
As virtudes ao longo reveladas
É tão bom relembrar cada vitória
O Homem de bem faz sua história
Na luz e até na noite escura
Da vida ele faz bela moldura
Sua estátua será bem esculpida
Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
Na vida temos a necessidade
Caminhar e buscar ser verdadeiro
Ser amigo fiel e companheiro
Hasteando bandeira da verdade
Cuidando da sua integridade
Enfrentar com coragem ditadura
Clarear toda cena obscura
Se fazendo figura destemida
Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
É bom saber com quem está andando
Escolher toda sua companhia
Ser firme do nascer ao fim do dia
Pela paz seguir sempre lutando
Vitórias você segue celebrando
Sem perder a sua desenvoltura
Enfrente a própria sepultura
E conquiste honrosa despedida
Sem sofrer o cansaço da subida
Não se vê a beleza da altura
( Pedro Sampaio )
Especial Elvandro Burity/Relembrando a História Real
(Matéria especial)
Maria Quitéria:
Maria Quitéria é considerada a maior heroína das lutas pela independência baiana. Entrou voluntariamente no Exército para lutar contra as províncias que não reconheciam Dom Pedro como imperador. Foi para o Exército escondida do pai, porém, após duas semanas foi descoberta, mas o major José Antônio da Silva Castro não permitiu que ela fosse desligada, por reconhecer sua disciplina militar e habilidade com as armas. Maria Quitéria participou da defesa da Ilha da Maré, da Pituba, da Barra do Paraguaçu e de Itapuã. Reformada com o soldo de alferes, Maria Quitéria voltou para a Bahia com uma carta do imperador dirigida a seu pai, requerendo perdão pela desobediência. Morreu aos 61 anos de idade no anonimato.
Joana Angélica:
A história de Joana Angélica ficou marcada pelo sacrifício da própria vida ao enfrentar o exército português. Aos 20 anos e de família abastada, optou pela vida monástica no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, em Salvador. Com a revolta dos soldados brasileiros contra a nomeação do brigadeiro lusitano Inácio Luís Madeira de Melo para comandante das armas da província (1822), soldados portugueses derrubaram a porta do convento a golpes de machado. Joana Angélica enfrentou os soldados lusitanos e teve o peito atingido por baionetas e faleceu pouco depois. Tornou-se a primeira mártir da grande luta.
Linda Barros recebeu Rogério na Academia Poética Brasileira:
Com uma poesia de destaque na Capital do Bumba-boi, o jovem jurista e filósofo, emana da palavra para contemplar o que vê à sua frente, como descreve no poema “Tudo urge”, texto do livro “Pedra dos Olhos” (Linda).
Eis que surge no horizonte da pós-modernidade
a hiperconectividade.
Andando lado a lado da deusa angústia,
da musa mídia
da ninfa solitude…
eis que agora
Tudo é quase.
Tudo é tarde
… e tudo urge.
Poeta João Batista do Lago
LOUCURIDADE
De João Batista do Lago (Para a poetisa Luciah Lopez)
Sejais, vós mesmos,
Os intercessores de vossas loucuras
Dai asas aos vossos delirantes-delírios
- vossos desejos reprimendos-reprimidos -
Não vos aquietais de vós
Ante vossos corpos organizados
Ressentidos e opressores
De vossos fluxos vitais
Não temais as linhas de fugas:
Há sangue puro em vossas artérias
O esquizopoema em ato
É vosso coração pulsante
É puro ato de devires
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CHUVA DA ALMA
Poeta APB, Jorge Cruz
A lágrima que rola
Lava toda a mágoa,
Lava toda a alma,
Limpa nosso corpo.
O soluço que vem com o choro
São as palavras que não dissemos.
As provocações, as queixas, os palavrões.
Tremendo o corpo, descompassado,
Como uma espécie de dança,
Frenética e involuntária.
Juntando a lágrima, o tremor e o soluço,
Temos um choro verdadeiro.
Que, ao mesmo tempo que nos entontece,
Nos empodera.
Com todo o poder de chorar
De peito aberto, a pleno pulmões.
E nos dá uma sonolência da entrega da fatalidade.
Que nos adormece.
O sono dos esquecidos.
Jorge Cruz
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