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Brasil MORAES MOREIRA

O cantor baiano Moraes Moreira morreu nesta segunda-feira no Rio de Janeiro e deixa um dos grandes legados à Música Brasileira

Confira detalhes nesta reportagem.

13/04/2020 12h52 Atualizada há 6 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Jornal Correio*
Moraes Moreira (Divulgação)
Moraes Moreira (Divulgação)

 

MORRE MORAES MOREIRA

O cantor baiano Moraes Moreira morreu nesta segunda-feira (13.04.2020) no Rio de Janeiro. Ele faleceu durante o sono. A causa da morte  ainda não foi confirmada. O cantor deixa dois filhos, o também músico Davi Moraes e Maria Cecília, e dois netos, Alice e Francisco.

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Durante a quarentena, Moraes escreveu um cordel. Falava da covid-19, mas também do medo da violência e no final faz uma referência a Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018.

 

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Quarentena (Moraes Moreira)

 

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Eu temo o coronavirus

E zelo por minha vida

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Mas tenho medo de tiros

Também de bala perdida,

A nossa fé é vacina

O professor que me ensina

Será minha própria lida

 

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Assombra-me a pandemia

Que agora domina o mundo

Mas tenho uma garantia

Não sou nenhum vagabundo,

Porque todo cidadão

Merece mas atenção

O sentimento é profundo

 

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Eu não queria essa praga

Que não é mais do Egito

Não quero que ela traga

O mal que sempre eu evito,

Os males não são eternos

Pois os recursos modernos

Estão aí, acredito

 

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De quem será esse lucro

Ou mesmo a teoria?

Detesto falar de estrupo

Eu gosto é de poesia,

Mas creio na consciência

E digo não a todo dia

 

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Eu tenho medo do excesso

Que seja em qualquer sentido

Mas também do retrocesso

Que por aí escondido,

As vezes é o que notamos

Passar o que já passamos

Jamais será esquecido

 

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Até aceito a polícia

Mas quando muda de letra

E se transforma em milícia

Odeio essa mutreta,

Pra combater o que alarma

Só tenho mesmo uma arma

Que é a minha caneta

 

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Com tanta coisa inda cismo….

Estão na ordem do dia

Eu digo não ao machismo

Também a misoginia,

Tem outros que eu não aceito

É o tal do preconceito

E as sombras da hipocrisia

 

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As coisas já forem postas

Mas prevalecem os relés

Queremos sim ter respostas

Sobre as nossas Marielles,

Em meio a um mundo efêmero

Não é só questão de gênero

Nem de homens ou mulheres

 

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O que vale é o ser humano

E sua dignidade

Vivemos num mundo insano

Queremos mais liberdade,

Pra que tudo isso mude

Certeza, ninguém se ilude

Não tem tempo,nem idade

 

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Vale ressaltar que já em 2016, durante uma turnê comemorativa com os Novos Baianos, reunidos após 17 anos, Moraes, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão se reencontram para a nova turnê, batizada com nome do disco mais famoso do grupo. Um ano depois, algumas apresentações da banda foram suspensas porque o cantor foi internado em decorrência de uma úlcera. 

 

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Em janeiro desde ano (2020), o Moraes fez um show no Pelourinho, ao lado do filho. Sentado durante a apresentação, já parecia estar debilitado. Em fevereiro, no Carnaval, voltou a se apresentar no Pelô. "Eu já passei por tantos carnavais aqui na Bahia e o povo no chão  pedia para a gente cantar. E hoje em dia o  trio elétrico é essa loucura toda", disse. "Aqui, no Pelourinho, se forma. Viva o Pelourinho!".

 

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A VIDA

Nascido Antônio Carlos Moreira Pires na cidade de Ituaçu, Moraes começou a carreira tocando safona em festas de São João. Na adolescência, aprendeu a tocar violão enquanto estudava em Caculé. Depois, se mudou para Salvador e conheceu Tom Zé. Formou com Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão os Novos Baianos, ficando com o grupo de 1969 até 1975.

Com Luiz Galvão, compôs a maioria das canções do grupo, que é responsável por um dos discos mais icônicos da música brasileira, Acabou Chorare, de 1972. O disco foi eleito o melhor da música nacional pela edição brasileira da Rolling Stone em 2007. "Obra-prima dos Novos Baianos, Acabou Chorare nasceu do choque entre o grupo e João Gilberto (engana-se quem imagina que a influência musical foi unilateral. Vale ouvir João Gilberto, o 47º colocado desta mesma lista, e perceber imediatamente que se trata do outro lado de uma mesma moeda.) Depois de um primeiro disco semitropicalista, um tanto psicodélico e essencialmente roqueiro gravado em São Paulo (É Ferro na Boneca, de 1970), a trupe se mudou de mala e cuia para o Rio de Janeiro e por lá se instalou", diz trecho da matéria.

Três anos depois de Acabou Chorare, Moraes em carreira solo, lançando mais de vinte discos.

Moraes foi o primeiro artista a cantar num trio elétrico no Carnaval, junto com  o Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar. A partir daí, seus frevos ‘trieletrizados’, como ele denominava, passaram a ser marca registrada do nosso Carnaval: Pombo Correio, Chame Gente, Eu Sou o Carnaval, entre outros. 

Moraes começou carreira tocando sanfona e depois passou ao violão

Ele disse ter adorado o espetáculo e aproveitou para fazer uma crítica política ao momento do Brasil. "Vamos parar de mentir em nome de Deus! Éramos fãs de Jimi Hendrix, Janis Joplin. Estávamos afinados com a geração daquele tempo. Será que os Beatles fariam músicas tão lindas se não tivessem tomado ácido? Não morremos de overdose porque a gente era esperto, malandro, seguramos a barra".

Moraes era ainda escritor, publicando os livros "Poeta não tem idade" (2012) e "A História dos Novos Baianos e Outros versos" (2008), ocupando a cadeira de número 38 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Em tempo: Convidado a semanifestar pela proximidade e pela origem baiana, o cantor, compositor soteropolitano Osmarosman Aedo escreveu os seguiintes versos para Moares Moreira:

CARNÁ MORAES MOREIRA BAIANO

 

Quando a canção

Não mais ricochetear

No universo de cada humano

É sinal

Que a alma do artista

Separou-se de seu corpo...

Ainda assim,

Como fogo de toda luz

Ele, o artista, o amigo,

Continuará solfejando para o sol

Toda essência de que se prevalece

A paz interior,

Quando estigmatizada por uma canção.

Não parte os que se eternizaram

Parte uma parte do que foi e é permitido.

 

Grande abraço Moraes. Quem sabe um dia!

 

Osmarosman Aedo, IWA

2.000 e Nós

 

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Helcio SilvaHá 6 anos atrásSão Luís - MaranhãoSempre poeta! Saudades pela partida... Está no céu com Deus e outros poetas! A vida é uma poesia / e / A vida não morre!
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